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Tifanny, pioneira do voleibol, critica nova regra da CBV como ‘retrocesso’

Tifanny, pioneira do voleibol, critica nova regra da CBV como 'retrocesso'
© Divulgação/Osasco - @carol__fotografia

A oposta Tifanny, figura emblemática do voleibol brasileiro e atleta do Osasco São Cristóvão Saúde, manifestou-se publicamente pela primeira vez sobre a recente e controversa política de elegibilidade da Confederação Brasileira de Voleibol (CBV). A nova diretriz restringe a participação em competições femininas a atletas designadas com o sexo biológico feminino ao nascer, gerando um intenso debate sobre inclusão e direitos no esporte.

Com 41 anos, Tifanny é reconhecida como a primeira atleta transgênero a atuar na Superliga, o principal torneio de vôlei do país. Sua declaração, na qual classificou a medida como um “enorme retrocesso”, ecoa a preocupação de muitos sobre o futuro da participação de atletas trans no esporte e a luta por reconhecimento e visibilidade.

A voz da inclusão no esporte

Em um pronunciamento divulgado pela assessoria de imprensa do Osasco, Tifanny expressou sua profunda indignação com a decisão da CBV. “A CBV está tirando tudo o que eu tenho, que é o amor pelo voleibol e a profissão que eu venho exercendo todos esses anos”, afirmou a jogadora, que atua no vôlei feminino desde 2017 e fez história ao ser a primeira trans a conquistar a Superliga em 2025.

A atleta ressaltou que o impacto da nova regra transcende sua carreira individual. “Isso não afeta só a mim. Afeta o meu clube, a torcida, patrocinadores, as pessoas que se inspiram em mim e o direito de todas as pessoas trans”, destacou. A comparação com os “testes vexatórios” aplicados a atletas nos anos 60 e 70 sublinha a gravidade do que ela considera um passo para trás na luta por inclusão.

Tifanny reiterou sua determinação em não se calar diante da situação. “Não vou me calar e vou tomar todas as medidas possíveis para que a minha luta pelo direito à visibilidade, à inclusão e à prática do esporte não tenha sido em vão”, prometeu, indicando que a batalha pela reversão da medida pode se estender para além das quadras.

Mudança de critério e o debate sobre elegibilidade

A nova política da CBV foi anunciada na última sexta-feira (14) e representa uma mudança significativa em relação às regras anteriores. Antes, mulheres trans podiam competir desde que seus níveis de testosterona sérica estivessem abaixo de um limite estabelecido. Agora, a elegibilidade exige a apresentação de um resultado negativo para o gene SRY, que é associado ao desenvolvimento do sexo masculino.

A Confederação Brasileira de Voleibol justificou a alteração afirmando que busca conformidade com as diretrizes do Comitê Olímpico Internacional (COI) e da Federação Internacional de Voleibol (FIVB). No entanto, a decisão reacende o complexo debate global sobre a participação de atletas transgênero em esportes de alto rendimento, equilibrando a inclusão com a busca por uma competição justa.

A determinação da CBV já está em vigor para as edições deste ano da Superliga (nas duas principais divisões) e da Supercopa, além da Copa Brasil e do Circuito Brasileiro de vôlei de praia de 2027. A abrangência da regra indica um impacto generalizado no cenário do voleibol nacional.

Repercussão e próximos passos

O pronunciamento de Tifanny ocorreu após a estreia do Osasco no Campeonato Paulista da modalidade, na noite do último sábado (15), em casa, no Ginásio José Liberatti, contra o Pinheiros. Apesar dos 19 pontos marcados pela oposta, que foi muito ovacionada pela torcida osasquense, a equipe visitante venceu por 3 sets a 2.

A participação de Tifanny no jogo, mesmo após o anúncio da nova política da CBV, foi possível porque a Federação Paulista de Volleyball (FPV) informou que o Estadual seguiria o regulamento em vigor desde o início do torneio. A FPV declarou que “eventuais medidas” para futuras competições seriam tomadas “após análise e manifestação das áreas jurídica e de saúde”, indicando uma possível divergência ou necessidade de adaptação entre as esferas federativas.

A postura de Tifanny e a complexidade da situação prometem desdobramentos importantes nos próximos meses, tanto no âmbito esportivo quanto legal e social. A discussão sobre a inclusão de atletas trans no esporte, e especificamente no voleibol, está longe de ser encerrada. Para mais informações sobre o tema, clique aqui.

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