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União arca com R$ 152,46 milhões em dívidas de entes federados; total em 2026 chega a R$ 3 bilhões

União arca com R$ 152,46 milhões em dívidas de entes federados; total em 2026 chega a R$ 3 bilhões
Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

O Tesouro Nacional desembolsou R$ 152,46 milhões em julho para cobrir dívidas de estados e municípios, atuando na condição de garantidora de operações de crédito. Este montante eleva o total pago pela União no acumulado de 2026 para R$ 3,05 bilhões, um cenário que reflete a complexidade da gestão fiscal no país e a interdependência entre os diferentes níveis federativos.

Os dados foram divulgados nesta segunda-feira (17) no Relatório Mensal de Garantias Honradas pela União em Operações de Crédito e Recuperação de Contragarantias (RMGH), documento que detalha a atuação do governo federal na quitação de compromissos financeiros de entes subnacionais que não conseguem honrar suas próprias obrigações. A União, ao conceder garantias, assume o risco de ter que arcar com esses pagamentos caso o devedor original falhe, o que tem se mostrado uma realidade recorrente.

O papel da União como garantidora e o impacto nas contas públicas

A condição de garantidora da União é um mecanismo fundamental para que estados e municípios consigam acesso a empréstimos e financiamentos, muitas vezes com taxas de juros mais favoráveis. Ao oferecer essa segurança, o governo federal facilita o investimento em infraestrutura, serviços públicos e outras áreas essenciais para o desenvolvimento local e regional. Contudo, essa facilitação implica um risco direto para o orçamento federal.

Quando um ente subnacional não cumpre suas obrigações, o Tesouro Nacional é acionado para cobrir a parcela da dívida, evitando o calote e protegendo a credibilidade do país no mercado financeiro. Embora essencial, essa prática gera um impacto significativo nas contas da União, desviando recursos que poderiam ser aplicados em outras políticas públicas ou na redução da dívida federal.

Histórico de desembolsos e a baixa recuperação de contragarantias

A análise histórica revela a dimensão do compromisso da União. Desde 2016, o Tesouro Nacional desembolsou um total de R$ 89,58 bilhões para honrar garantias de estados e municípios. Em contrapartida, o volume de recursos recuperados por meio da execução de contragarantias no mesmo período é consideravelmente menor, somando R$ 6,06 bilhões.

A recuperação de contragarantias, que são os bens ou direitos oferecidos pelos entes devedores como garantia à União, é um processo complexo e muitas vezes moroso. A disparidade entre o valor pago e o valor recuperado evidencia os desafios enfrentados pelo governo federal para reaver os recursos, o que se reflete no baixo volume de R$ 5,13 milhões recuperados apenas no mês de julho deste ano.

Regime de Recuperação Fiscal e outros entraves à cobrança

Um dos principais fatores que contribuem para o baixo volume de recursos recuperados é a participação de diversos estados no Regime de Recuperação Fiscal (RRF). Este regime, criado para auxiliar estados em grave desequilíbrio financeiro, prevê a suspensão temporária da execução das contragarantias, permitindo que os entes foquem na reestruturação de suas finanças sem a pressão imediata das cobranças federais.

Conforme o Tesouro Nacional, cerca de R$ 79,78 bilhões das garantias honradas desde 2016 referem-se a estados que aderiram ou ainda participam do RRF. Além disso, outros R$ 1,9 bilhão estão relacionados à compensação por perdas de arrecadação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), decorrentes da Lei Complementar 194/2022. Há ainda R$ 516,74 milhões que não podem ser recuperados devido a decisões judiciais que impedem a execução das contragarantias, adicionando uma camada de complexidade ao cenário.

A complexidade da relação fiscal entre União e entes subnacionais

O cenário de garantias honradas e a dificuldade na recuperação de valores sublinham a intrincada relação fiscal entre a União, estados e municípios. A saúde financeira dos entes subnacionais tem um impacto direto na estabilidade fiscal do país, exigindo um monitoramento constante e a busca por soluções que equilibrem a necessidade de apoio federal com a responsabilidade fiscal dos governos locais e estaduais. A continuidade desses pagamentos pelo Tesouro Nacional reforça a importância de políticas de austeridade e de gestão eficiente da dívida pública em todos os níveis de governo.

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