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Acordo entre EUA e Venezuela entrega controle de 21% das reservas de petróleo

Acordo entre EUA e Venezuela entrega controle de 21% das reservas de petróleo
© REUTERS/Dado Ruvic/Proibida reprodução

O governo dos Estados Unidos oficializou, nesta segunda-feira (31), os termos de um acordo estratégico que garante o controle de 21% das reservas de petróleo da Venezuela pelos próximos 100 anos. A operação será conduzida pela North American Blue Energy Partners (Nabep), uma empresa privada que possui 35% de suas ações sob a tutela do Escritório de Capital Estratégico do Departamento de Guerra dos EUA. A medida marca uma mudança profunda na dinâmica geopolítica da região e na exploração dos recursos energéticos venezuelanos.

Estrutura e controle do setor energético

Conforme o comunicado emitido pela Casa Branca, a parceria assegura aos Estados Unidos o direito de adquirir, a preço de custo de produção, 20% de todo o petróleo extraído nos campos operados pela Nabep. O acordo também confere ao governo norte-americano um direito de preferência sobre os 80% restantes da produção, além de um poder de veto sobre nomeações para o conselho de administração da companhia. A Casa Branca reforçou que a maioria dos membros do conselho deve ser composta por cidadãos americanos e que o contrato está submetido exclusivamente à jurisdição dos tribunais dos Estados Unidos.

A iniciativa ocorre em um momento de instabilidade no mercado global, agravada pela guerra no Irã e pelo bloqueio no Estreito de Ormuz, que reduziram a oferta mundial de combustíveis. Para a administração de Donald Trump, o acordo é visto como uma forma de garantir o abastecimento interno e conter a alta dos preços, um tema central nas vésperas das eleições legislativas de novembro.

Críticas e o debate sobre o viés neocolonial

A legitimidade do acordo é alvo de intensos questionamentos. O cenário político na Venezuela permanece sob tensão desde o sequestro do presidente Nicolás Maduro, em 3 de janeiro, uma ação classificada por juristas como uma violação do direito internacional. A pesquisadora Thaís Batista, do Observatório Político Sul-Americano (OPSA), aponta que a natureza da parceria reflete uma relação de caráter neocolonial. Segundo a especialista, o uso da força e a constante ameaça militar foram determinantes para forçar a alteração de leis venezuelanas, permitindo que empresas privadas assumissem o controle de campos que antes eram geridos majoritariamente pelo Estado.

Contradições sobre prazos e rentabilidade

Existe uma divergência clara entre as versões apresentadas pelos governos. Enquanto a Casa Branca detalha uma concessão de 100 anos, a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, mencionou publicamente um prazo de 25 anos. Além disso, a viabilidade econômica do negócio é contestada por especialistas como Francisco Rodríguez, professor da Universidade de Denver. O economista ressalta que a receita fiscal projetada pelo governo interino é extremamente baixa, representando apenas US$ 3,22 por barril, valor que ele classifica como inferior às taxas de royalties praticadas há um século, durante o governo de Juan Vicente Gómez.

Apesar das críticas, a Nabep, sediada em Barbados e liderada pelo empresário Alejandro Betancourt, celebra o avanço. A empresa alega ter elevado a produção local de 18 mil para 200 mil barris diários após um aporte de US$ 1 bilhão. O objetivo declarado por Caracas é atingir 1,5 milhão de barris por dia, um salto significativo frente aos 1,1 milhão registrados em julho, conforme dados da OPEP, embora ainda distante do ápice produtivo alcançado entre 2005 e 2014.

O cenário segue em evolução, com desdobramentos que impactam tanto a soberania venezuelana quanto a segurança energética global. Continue acompanhando o Rádio Cachoeiro FM para se manter informado com análises aprofundadas, credibilidade e o compromisso de levar até você os fatos que moldam o cenário internacional.

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