A Petrobras anunciou um novo reajuste no preço médio do querosene de aviação (QAV), com alta de 13,9% a partir desta terça-feira (1º). O movimento, que impacta diretamente a logística aérea nacional, ocorre em um cenário de instabilidade internacional, com a estatal citando os reflexos diretos das tensões geopolíticas no Oriente Médio sobre a cadeia de suprimentos de petróleo.
Com o ajuste, o combustível passa a custar, em média, R$ 0,68 a mais por litro. Nas refinarias da companhia, os valores agora oscilam entre R$ 5,44 e R$ 5,70 por litro, dependendo da localidade. O reajuste segue a política contratual da empresa, que revisa os preços mensalmente, sempre no primeiro dia de cada mês, para alinhar os valores internos às oscilações das commodities no mercado global.
Impacto das tensões no Oriente Médio e o preço do QAV
A Petrobras justifica a alta citando a instabilidade no Estreito de Ormuz, uma rota estratégica para o transporte de petróleo. Desde o início do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, em 28 de fevereiro, a logística global sofreu perturbações significativas. Como o Brasil, embora seja um grande produtor, negocia seus derivados com base em preços internacionais, qualquer variação na oferta global repercute imediatamente nas refinarias nacionais.
Os números mostram a volatilidade do setor ao longo de 2026. No acumulado do ano, o querosene de aviação já registra uma alta de 53,3%, o que representa um acréscimo de R$ 1,94 por litro. A variação regional é notável: enquanto em São Luís o aumento chega a 14,34% na comparação mensal, em Canoas, no Rio Grande do Sul, o reajuste ficou em 13,51%.
Desafios operacionais para o setor aéreo
Para as companhias aéreas, o combustível é um dos itens que mais pesam no orçamento, representando cerca de 30% das despesas operacionais, segundo dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). O encarecimento constante do insumo pressiona as margens das empresas, que buscam equilibrar custos operacionais com a demanda por passagens.
Para mitigar o impacto financeiro imediato sobre as distribuidoras, a Petrobras reativou, neste mês de setembro, o programa de parcelamento. A medida permite que o aumento seja diluído em três parcelas mensais. A estatal reforçou que, apesar da complexidade logística, o volume de combustível solicitado pelas distribuidoras está garantido, assegurando o abastecimento dos aeroportos em todo o território nacional.
Estrutura de mercado e concorrência
Embora a Petrobras detenha aproximadamente 85% da produção de QAV no país, o mercado brasileiro é aberto à livre concorrência. Isso significa que outras empresas podem atuar tanto na produção quanto na importação do produto. Contudo, a estatal utiliza uma fórmula paramétrica contratual que, segundo a empresa, atua como um amortecedor de curto prazo, evitando que as oscilações bruscas observadas no exterior sejam repassadas integralmente e de forma imediata aos preços internos.
O cenário permanece monitorado pelo mercado, que observa atentamente a evolução dos conflitos internacionais. O Rádio Cachoeiro FM segue acompanhando os desdobramentos dessa política de preços e seus reflexos na economia nacional. Continue conectado ao nosso portal para informações atualizadas, análises aprofundadas e o compromisso com o jornalismo de qualidade que você já conhece.