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Novo laudo pericial em São Paulo descarta suicídio e confirma assassinato da policial Gisele Santana

Novo laudo pericial em São Paulo descarta suicídio e confirma assassinato da policial Gisele Santana
Gisele Alves Santana/ Instagram

A investigação sobre a morte da soldado da Polícia Militar (PM) Gisele Alves Santana, ocorrida em fevereiro de 2026, ganhou um novo e decisivo capítulo. Um laudo complementar emitido pelo Instituto de Criminalística de São Paulo, assinado na última terça-feira, 1º de setembro de 2026, descartou categoricamente a hipótese de suicídio. O documento pericial aponta para a intervenção de uma segunda pessoa, corroborando a tese de assassinato e fortalecendo a acusação de feminicídio contra o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, então companheiro da vítima.

Desde o início das apurações, a família de Gisele contestava veementemente a versão de que ela teria tirado a própria vida. Agora, a perícia técnica oferece um respaldo crucial a essa contestação, trazendo mais clareza a um caso que chocou a corporação e a sociedade paulista, levantando discussões importantes sobre violência de gênero e a atuação das forças de segurança.

A Reviravolta da Perícia Criminal no Caso Gisele Santana

O laudo complementar do Instituto de Criminalística é enfático ao afirmar que a hipótese de suicídio é incompatível com os elementos materiais analisados no local do crime. Segundo o documento, “a avaliação do conjunto de padrões de manchas [de sangue] e demais elementos objetivos identificados no local contradizem a hipótese de evento suicida”. Essa conclusão técnica é fundamental para o andamento do processo judicial.

Mais adiante, o relatório pericial detalha que “a hipótese de intervenção de segunda pessoa resistiu ao confronto com a totalidade dos elementos objetivos examinados, não tendo sido identificado elemento material que a contradissesse”. Essa declaração reforça a convicção de que Gisele Alves Santana foi vítima de um homicídio, e não de um ato voluntário, direcionando as investigações e o processo para a responsabilização do acusado.

O Cenário do Crime e as Primeiras Contestações

A tragédia ocorreu em 18 de fevereiro de 2026, quando Gisele foi encontrada com um tiro na cabeça no apartamento que dividia com o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto. Ele foi quem acionou o socorro, reportando inicialmente o caso como suicídio. No entanto, a natureza das evidências e a persistência da família em buscar a verdade levaram à alteração do registro para morte suspeita, abrindo caminho para uma investigação mais aprofundada.

A versão inicial do tenente-coronel foi rapidamente questionada por diversos fatores. Um deles foi o intervalo de tempo entre o disparo e o acionamento das autoridades. Uma testemunha vizinha relatou ter ouvido um tiro às 7h28 daquele dia, mas Geraldo Neto só acionou o Copom às 7h57, quase meia hora depois. Esse atraso levantou sérias dúvidas sobre a dinâmica dos acontecimentos.

Além disso, o advogado da família, José Miguel Silva Junior, destacou a imagem da vítima com a arma na mão, registrada pelos socorristas, como um elemento incomum em casos de suicídio. Outro ponto crítico foi a revelação de que três policiais femininas estiveram no apartamento do casal para realizar uma limpeza horas após a ocorrência, fato confirmado em seus depoimentos e que pode ter comprometido a cena do crime.

Evidências Anteriores e o Andamento Judicial

Mesmo antes do laudo complementar, outras evidências já apontavam para a inconsistência da tese de suicídio. Laudos necroscópicos realizados pelo Instituto Médico Legal (IML) no corpo de Gisele, ainda nos estágios iniciais da investigação, revelaram lesões contundentes na face e na região cervical. Essas lesões foram descritas como resultado de pressão digital e escoriação compatível com estigma ungueal, ou seja, marcas causadas por unhas, sugerindo uma possível luta ou agressão antes da morte.

O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto foi preso um mês após o crime, em 18 de março de 2026, na cidade de São José dos Campos (SP). Ele permanece detido no Presídio Militar Romão Gomes, na capital paulista, aguardando o desenrolar do processo. O advogado da família, José Miguel Silva Junior, afirmou à Agência Brasil que o resultado do novo laudo não é uma surpresa, pois os relatórios anteriores já indicavam a inviabilidade da hipótese de suicídio.

“Desde o início, nós sempre trabalhamos com essa vertente [de feminicídio]. Os outros laudos, eles são patentes também de que a Gisele não cometeu suicídio. E a perita, ao ser ouvida, deixou claro, em viva voz, que a Gisele não teria condições de cometer suicídio”, declarou Silva Junior. Uma nova audiência do caso está marcada para a próxima terça-feira, 8 de setembro de 2026, onde o réu deverá ser interrogado. O advogado ressalta que a negativa do acusado em relação ao assassinato de Gisele está isolada diante do conjunto de provas nos autos.

A Luta por Justiça e o Combate ao Feminicídio

O caso da soldado Gisele Alves Santana transcende a esfera criminal e se insere em um contexto mais amplo de combate à violência contra a mulher no Brasil. O feminicídio, crime que ceifa a vida de mulheres em razão de seu gênero, é uma chaga social que exige rigor na investigação e punição exemplar. A reviravolta no laudo pericial reforça a importância de uma apuração minuciosa, especialmente em casos que envolvem membros das forças de segurança, onde a confiança pública é essencial.

A busca por justiça para Gisele é um símbolo da luta de tantas famílias que enfrentam a dor da perda e a burocracia do sistema judicial. A atuação da perícia e a persistência da defesa da vítima são cruciais para garantir que a verdade prevaleça e que crimes como este não fiquem impunes, enviando uma mensagem clara de que a violência de gênero não será tolerada.

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