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Sapezal e São Desidério lideram produção agrícola; nova divisão territorial muda ranking nacional

Sapezal e São Desidério lideram produção agrícola; nova divisão territorial muda ranking nacional
Foto: Wenderson Araujo/Trilux

O cenário do agronegócio brasileiro, conhecido por sua dinamismo e grandiosidade, testemunhou uma significativa reconfiguração em seu pódio de maiores produtores agrícolas. O município de Sorriso, no norte de Mato Grosso, que por anos ostentou o título informal de “capital do agronegócio” e liderou o ranking nacional, foi superado por Sapezal, também em Mato Grosso, e São Desidério, na Bahia. A mudança, revelada pela Produção Agrícola Municipal (PAM) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), não reflete apenas um aumento de produtividade dos novos líderes, mas também uma alteração no mapa administrativo do estado mato-grossense, que impactou diretamente a área cultivada de Sorriso.

A Ascensão dos Novos Líderes e a Reconfiguração do Pódio da Produção Agrícola

A divulgação dos dados da PAM pelo IBGE nesta quinta-feira (17) trouxe à tona a nova hierarquia da produção agrícola nacional, com Sapezal e São Desidério assumindo as primeiras posições. Em 2024, Sorriso liderava com um valor de produção de R$ 7,2 bilhões, seguido por São Desidério (R$ 6,6 bilhões) e Sapezal (R$ 5,9 bilhões). No entanto, o ano de 2025 inverteu essa ordem, com Sapezal alcançando R$ 8,59 bilhões, São Desidério R$ 8,22 bilhões e Sorriso, apesar de ter aumentado sua produção para R$ 8,16 bilhões, caindo para a terceira posição. Essa movimentação no topo do ranking reflete a combinação do volume físico produzido com os preços praticados no mercado, sem correção inflacionária.

A produção agrícola brasileira como um todo demonstrou um crescimento robusto, superando R$ 927,2 bilhões em 2025, um salto de 18,4% na comparação com 2024. Esse valor expressivo sublinha a importância do setor para a economia nacional e a capacidade de resposta do agronegócio às demandas do mercado, mesmo diante de reconfigurações regionais.

O Fator Geográfico: A Criação de Boa Esperança do Norte

A principal razão para a perda da liderança de Sorriso reside em uma decisão administrativa de longa data que culminou na criação de um novo município. Boa Esperança do Norte, a mais recente cidade brasileira, foi constituída a partir de territórios que antes pertenciam a Sorriso e Nova Ubiratã. Essa reconfiguração territorial resultou em uma diminuição de 9,3% na área plantada de Sorriso, afetando significativamente suas lavouras de soja, algodão e feijão, e transferindo parte de sua capacidade produtiva para a nova localidade.

O processo de criação de Boa Esperança do Norte foi complexo e demorado. A cidade foi estabelecida por lei estadual em 2000, mas sua efetivação enfrentou desafios legais. Uma decisão do Tribunal de Justiça de Mato Grosso naquele mesmo ano apontou a criação como institucional. Após recursos da Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) e ao Supremo Tribunal Federal (STF), a autorização para a criação do município veio em outubro de 2023. A instalação oficial ocorreu em 1º de janeiro de 2025, marcando o ano em que Sorriso deixou de ser o principal polo agrícola do país. Com uma população estimada em 5,9 mil pessoas, Boa Esperança do Norte agora absorve parte da produção que antes era atribuída a Sorriso, que possui cerca de 124,7 mil habitantes.

O Perfil dos Campeões: Algodão e Soja no Centro da Economia

O novo campeão, Sapezal, localizado a cerca de 500 quilômetros a noroeste da capital mato-grossense, Cuiabá, e com uma população estimada em 32,5 mil pessoas, demonstrou um crescimento notável de 46,6% no valor de sua produção agrícola. O motor desse avanço foi, em grande parte, o algodão herbáceo, que sozinho representou 60% do valor total da produção do município, somando R$ 5,13 bilhões. Em 2025, Sapezal produziu impressionantes 1,2 milhão de toneladas do produto. Além do algodão, o município também registrou avanços expressivos na produção de soja (51,4% de crescimento, gerando R$ 2,8 bilhões) e milho (58,1% de crescimento, com R$ 656,9 milhões).

São Desidério, na Bahia, também consolidou sua posição de destaque, com um crescimento de 23,7% no valor de sua produção. O estado de Mato Grosso, por sua vez, mantém sua hegemonia no cenário nacional, sendo o principal estado em valor da produção agrícola, com R$ 165,6 bilhões. A região abriga cinco dos dez municípios brasileiros com maior valor de produção, evidenciando a força e a diversidade de seu agronegócio. A soja continua sendo o principal produto em grande parte desses municípios líderes, como pode ser observado na lista dos dez maiores produtores:

  • Sapezal (MT): R$ 8,59 bilhões – algodão
  • São Desidério (BA): R$ 8,22 bilhões – soja
  • Sorriso (MT): R$ 8,16 bilhões – soja
  • Campo Novo do Parecis (MT): R$ 7,87 bilhões – soja
  • Formosa do Rio Preto (BA): R$ 5,89 bilhões – soja
  • Diamantino (MT): R$ 5,82 bilhões – soja
  • Rio Verde (GO): R$ 5,69 bilhões – soja
  • Cristalina (GO): R$ 5,45 bilhões – soja
  • Nova Mutum (MT): R$ 5,39 bilhões – soja
  • Jataí (GO): R$ 4,84 bilhões – soja

Implicações e o Cenário Dinâmico do Agronegócio Brasileiro

A reconfiguração do ranking da produção agrícola brasileira, embora impulsionada por um fator administrativo específico no caso de Sorriso, sublinha a constante evolução e a competitividade do setor. O valor total da produção agrícola brasileira em 2025, que superou R$ 927,2 bilhões, representando um salto de 18,4% em relação a 2024, demonstra a resiliência e a capacidade de crescimento do agronegócio nacional. Esses números, compilados pelo IBGE, são cruciais para entender as tendências econômicas e as dinâmicas regionais que moldam a força produtiva do país. A capacidade de adaptação e o investimento em culturas de alto valor agregado, como o algodão em Sapezal, são fatores determinantes para o sucesso e a ascensão de novos polos produtivos. Acompanhe mais detalhes sobre o desempenho do setor em 2025 através da Produção Agrícola Brasileira.

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