O governo federal oficializou nesta sexta-feira (25), em São Paulo, o lançamento da terceira etapa do programa de renegociação de débitos, o Desenrola Brasil 3.0. A medida, formalizada por meio de uma medida provisória assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, traz uma mudança estratégica no modelo de operação: a possibilidade de a União adquirir, via leilão, carteiras de dívidas de pessoas físicas para viabilizar descontos expressivos aos inadimplentes.
Mecânica de compra e impacto no endividamento
A nova fase do programa foca em dívidas bancárias e não bancárias de até R$ 10 mil, considerando o valor original. Para serem elegíveis, os débitos devem apresentar um período de inadimplência entre 720 e 1.645 dias, o que compreende uma faixa de dois a quatro anos e meio de atraso. A expectativa do governo é que o volume de dívidas passíveis de compra alcance R$ 150 bilhões, com uma projeção de R$ 75 bilhões efetivamente renegociados.
O diferencial desta etapa é a transferência direta do deságio obtido pela União ao cidadão. Com um desconto mínimo previsto de 90%, o devedor poderá quitar o saldo remanescente à vista ou optar pelo parcelamento, cujas condições específicas serão regulamentadas pelo Conselho Monetário Nacional. Segundo o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, o governo destinou R$ 15 bilhões para sustentar a operação, que poderá contar com a participação da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil.
Radiografia do cenário de inadimplência no país
O lançamento do Desenrola 3.0 ocorre em um momento em que o país busca reduzir o estoque de dívidas que trava o consumo das famílias. Dados do Tesouro Nacional apontam que, em agosto deste ano, o montante de dívidas inadimplidas registradas nos birôs de crédito somava R$ 592 bilhões. Atualmente, 83,9 milhões de brasileiros estão com o nome negativado, possuindo, em média, quatro dívidas por pessoa, com um valor médio de R$ 7 mil.
Um ponto de atenção é o peso das dívidas não bancárias, que representam 55% do estoque total. Contas de serviços essenciais, como água, luz e telefonia, além de débitos no varejo, compõem a maior parte desse cenário. Apenas os serviços de água e energia elétrica respondem por 20% do total de dívidas, evidenciando a necessidade de políticas públicas que alcancem o cidadão comum, para além do sistema financeiro tradicional.
Cronograma e continuidade do programa
O Desenrola 3.0 dá sequência a um histórico de renegociações que, segundo dados oficiais, já beneficiou 25 milhões de pessoas nas duas fases anteriores. O cronograma para a nova etapa já está definido, com a publicação da medida provisória em setembro de 2026 e o chamamento para credores previsto para novembro. A expectativa é que, após a homologação das propostas em janeiro de 2027, os contratos comecem a ser assinados em fevereiro, permitindo que os devedores iniciem a regularização de sua situação financeira.
O Rádio Cachoeiro FM segue acompanhando os desdobramentos desta medida e os impactos na economia das famílias brasileiras. Continue conectado em nosso portal para obter informações atualizadas, análises detalhadas e um panorama completo sobre as políticas públicas que afetam o seu bolso e o desenvolvimento do país.
Para mais detalhes sobre as diretrizes do programa, consulte a Agência Brasil.