Rádio Cachoeiro FM 96.3 Ao Vivo

PUBLICIDADE

Alopecia areata: a jornada de pacientes em busca da autoestima e aceitação

Alopecia areata: a jornada de pacientes em busca da autoestima e aceitação
Arquivo pessoal

A alopecia areata, uma doença autoimune que afeta cerca de 2% da população mundial, conforme dados da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), é definida pela médica dermatologista Enilde Borges Costa como uma condição imprevisível. Em um mês dedicado à conscientização sobre a doença, o Rádio Cachoeiro FM destaca as histórias de indivíduos que enfrentam a queda de cabelo e trilham um caminho desafiador para reaver a autoestima e a aceitação.

Caracterizada pelo ataque do próprio organismo aos folículos pilosos, a alopecia areata provoca episódios de queda de cabelo que podem surgir em qualquer fase da vida. É comum que esses episódios sejam cíclicos, alternando-se com períodos de crescimento capilar nas áreas afetadas, seguidos por novas quedas. A compreensão dessa dinâmica é crucial para pacientes e profissionais de saúde, que buscam desmistificar a condição e oferecer suporte adequado.

Compreendendo a Alopecia Areata: Formas e Diagnóstico

A dermatologista Enilde Borges Costa explica que a alopecia areata se manifesta quando o sistema imunológico, por razões diversas, ataca o folículo do pelo, impedindo a formação de um fio saudável. Essa condição pode se apresentar de três maneiras distintas, variando em intensidade e abrangência:

  • Alopecia areata em pequenas áreas: Caracterizada pela queda de cabelo em pontos específicos do couro cabeludo.
  • Alopecia areata total: Envolve a perda completa dos cabelos de todo o couro cabeludo.
  • Alopecia areata universal: A forma mais severa, na qual a pessoa perde todos os pelos do corpo, incluindo sobrancelhas, cílios e pelos corporais.

O diagnóstico da doença é essencialmente clínico, realizado no próprio consultório médico por meio da observação das áreas sem pelos. A Dra. Enilde ressalta que, até o momento, não existem exames laboratoriais ou de imagem específicos que auxiliem na confirmação da alopecia areata. A ausência de lesões, cicatrizes ou feridas no couro cabeludo é uma característica marcante, sendo a falta de cabelo ou pelos a principal evidência. Um teste simples, como puxar uma pequena mecha de cabelo e observar sua facilidade em se soltar, pode ser um indicativo, assim como a percepção da perda de pelos em outras regiões do corpo.

O Impacto Emocional e a Busca por Tratamento

Embora a alopecia areata tenha um componente genético e não seja considerada uma doença psicossomática, ela é frequentemente associada a questões emocionais. Episódios de estresse intenso podem atuar como gatilhos para as crises, embora outros fatores, como quadros infecciosos que afetam o sistema imunológico, também possam desencadeá-la. A dermatologista alerta para o perigo de focar exclusivamente na questão emocional, o que pode gerar um sentimento de culpa nos pacientes, fazendo-os acreditar que são a causa de suas próprias crises.

Beatriz Santos, revisora de livros que convive com a alopecia desde 2008 e administra o perfil @debemcomaalopecia no Instagram, relata a frustração inicial com médicos que atribuíam sua queda de cabelo, ocorrida entre os 15 e 16 anos, a uma preocupação excessiva com o vestibular. “Se [o estresse] fosse causa, a gente sairia do ambiente estressante e o cabelo voltaria. Mas ele não volta”, pondera Beatriz, destacando a complexidade da doença.

A jornada de Beatriz para encontrar um tratamento eficaz e acolhimento adequado foi longa. Ela passou por terapias com corticoides orais e injeções dolorosas no couro cabeludo. Um tratamento com corticoide mais adequado, pomadas e cremes, receitado pela Dra. Enilde, promoveu o crescimento capilar em algumas áreas. Contudo, após um ano, um exame de densidade óssea revelou osteopenia, uma condição de perda gradual de massa óssea, um efeito colateral potencial do uso prolongado de corticoides. Diante do alerta de um reumatologista sobre os riscos futuros, Beatriz, então com 17 anos, tomou a difícil decisão de interromper o tratamento.

Em 2012, quatro anos após o primeiro episódio, Beatriz perdeu todo o cabelo e pelos do corpo, desenvolvendo a alopecia areata universal. Sua trajetória, no entanto, é um testemunho de resiliência. Atualmente, ela não esconde a falta de pelos e, com o apoio da terapia, alcançou a autoaceitação. “A vida vai se expandindo para outros lados. Então, a alopecia não é o principal, não é o centro”, afirma, incentivando a busca por uma vida rica e completa em outras áreas.

A Importância do Apoio e da Informação

Reconhecendo a necessidade de acolhimento e informação para pacientes, a dermatologista Enilde Borges Costa fundou o Alopecia Areata Grupo de Apoio (AAGAP), que se reúne mensalmente em São Paulo e mantém um grupo ativo de troca de informações via WhatsApp. Juliana Fernandes, de 45 anos, que trabalha no setor imobiliário, é um dos pilares do AAGAP, auxiliando no acolhimento de novos pacientes há 23 anos.

Juliana teve seu primeiro episódio de alopecia aos 10 anos. Por muito tempo, ela e sua mãe acreditavam que era algo pontual, sem a devida explicação sobre a natureza autoimune e genética da doença. A falta de acesso à informação, especialmente em uma época sem internet, dificultou a compreensão e o manejo da condição. Sua experiência reforça a importância de grupos de apoio como o AAGAP, que oferecem um espaço seguro para compartilhar vivências e obter informações qualificadas.

A Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) oferece mais informações sobre a alopecia areata e outras condições de pele. Clique aqui para saber mais.

Histórias como as de Beatriz e Juliana são um lembrete da força humana diante da adversidade e da relevância de um sistema de saúde que ofereça não apenas tratamento, mas também suporte emocional e informação clara. O Rádio Cachoeiro FM continua comprometido em trazer conteúdos relevantes e contextualizados, abordando temas que impactam diretamente a vida de nossa comunidade. Acompanhe nossa programação e portal para mais informações de qualidade e análises aprofundadas.

Leia mais

PUBLICIDADE