A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) anunciou a suspensão das operações de quatro empresas de voos panorâmicos que atuavam na cidade do Rio de Janeiro. A medida, divulgada em coletiva de imprensa nesta terça-feira (18) no Centro de Operações e Resiliência (COR) da prefeitura carioca, é resultado de uma intensificação das ações de fiscalização que visam garantir a segurança das operações aéreas na capital fluminense, especialmente após uma série de acidentes com helicópteros nos últimos meses.
A fiscalização, que ganhou força na última semana, focou em empresas e aeronaves que oferecem passeios aéreos sobre a cidade. Segundo a Anac, das 12 empresas atualmente autorizadas a operar voos panorâmicos com 46 aeronaves, nove foram inspecionadas até a última segunda-feira (17). Deste grupo, quatro tiveram seus serviços suspensos, evidenciando um cenário preocupante de irregularidades no setor.
Fiscalização da Anac revela alto índice de irregularidades
Os dados apresentados pelo diretor-presidente da Anac, Tiago Chagas Faierstein, revelam a gravidade da situação. “Estamos falando de 50% até hoje das atividades de voos panorâmicos do Rio de Janeiro que estão com algum tipo de irregularidade. Esse é um número preocupante e altíssimo”, afirmou. No que diz respeito às aeronaves, 18 foram fiscalizadas e nove tiveram suas operações interrompidas.
As auditorias da Anac abrangem uma série de verificações rigorosas, incluindo os Sistemas de Gerenciamento da Segurança Operacional (SGSO), o cumprimento de procedimentos operacionais, além de vistorias e inspeções técnicas detalhadas nas aeronaves. Essas ações são consideradas rotineiras, mas foram significativamente reforçadas a pedido da prefeitura do Rio, diante dos recentes e trágicos acidentes.
Acidentes recentes impulsionam ações conjuntas no Rio
A necessidade de um rigor maior na fiscalização tornou-se premente após uma série de acidentes aéreos envolvendo helicópteros na capital fluminense. O prefeito Eduardo Cavaliere destacou a preocupação: “Desde janeiro, infelizmente perdemos 13 vidas aqui na cidade do Rio de Janeiro envolvendo acidentes aéreos com helicópteros, que obviamente despertam alerta e chamam atenção e fazem com que a população, a sociedade e as autoridades públicas alertem em relação a este tema.”
Entre os incidentes mais marcantes, estão a queda de um helicóptero na Floresta da Tijuca, em 8 de agosto, que vitimou três turistas chilenas e o piloto, e o choque entre duas aeronaves no Recreio dos Bandeirantes, em 14 de junho, que resultou na morte de seis pessoas. Estes eventos trágicos sublinharam a urgência de medidas mais eficazes para garantir a segurança dos voos panorâmicos, um serviço cada vez mais procurado por turistas, impulsionado pelo recorde de visitantes na cidade.
Prefeitura e Anac em parceria pela segurança aérea
A prefeitura do Rio e a Anac estão trabalhando em conjunto para organizar e fiscalizar o uso de helicópteros em voos panorâmicos. Essa colaboração visa não apenas reduzir os riscos, mas também integrar a troca de informações para fortalecer a fiscalização. “A prefeitura fez um trabalho de olhar a parte de autorização, exploração de atividade econômica e, nesse acordo com a prefeitura, pretendemos integrar a troca de informações para sermos mais fortes na fiscalização do Rio de Janeiro”, explicou Faierstein.
Como parte dessas ações coordenadas, o secretário municipal da Casa Civil, Leandro Matieli, informou que a prefeitura suspendeu o uso do heliponto da Lagoa por cinco empresas de voo panorâmico. A decisão foi tomada após a identificação de que essas empresas estariam burlando a norma do Regulamento Brasileiro da Aviação Civil 136 (RBAC 136), que exige que voos panorâmicos partam e retornem do mesmo ponto, utilizando o heliponto da Lagoa para desembarque de passageiros. “Desde o início da semana, essas cinco empresas estão proibidas de operar no heliponto da Lagoa”, detalhou Matieli.
Revisão regulatória e papel do cidadão na segurança
Em um passo fundamental para o futuro da aviação panorâmica, Faierstein anunciou que a Anac realizará uma revisão do RBAC 136, o regulamento específico para essas operações. O objetivo é aprimorar os requisitos de segurança operacional, considerando a evolução do setor, as particularidades regionais e as melhores práticas internacionais. A revisão abordará aspectos como os requisitos organizacionais das empresas, a qualificação das tripulações, a manutenção das aeronaves e a gestão da segurança operacional, contando com a participação social e consulta pública.
O diretor-presidente da Anac enfatizou que as fiscalizações continuarão de forma constante, sigilosa e com base em inteligência, estendendo-se também para operações de táxi-aéreo e empresas de manutenção. “Vamos fiscalizar todo esse ecossistema para garantir e ter certeza que voar de helicóptero no Rio de Janeiro e no Brasil é seguro”, garantiu. Ele também ressaltou a importância da participação dos usuários, que podem denunciar irregularidades e consultar a plataforma Voe Seguro para verificar se uma aeronave está autorizada para a atividade. A segurança na aviação, segundo Faierstein, é uma responsabilidade compartilhada entre pilotos, empresas, órgãos reguladores e fabricantes.
A segurança aérea no Rio de Janeiro e em todo o Brasil é uma prioridade que exige vigilância contínua e a colaboração de todos os envolvidos. As recentes ações da Anac e da prefeitura carioca demonstram um compromisso firme em assegurar que a experiência dos voos panorâmicos seja não apenas deslumbrante, mas acima de tudo, segura. Para se manter atualizado sobre este e outros temas relevantes, continue acompanhando as notícias e análises aprofundadas do Rádio Cachoeiro FM, seu portal de informação com credibilidade e compromisso com a verdade.