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Analfabetismo 12 vezes maior revela desigualdade para jovens e adultos com deficiência

Analfabetismo 12 vezes maior revela desigualdade para jovens e adultos com deficiência
© Paulo Pinto/Agência Brasil

A desigualdade educacional no Brasil é um desafio persistente, e dados recentes do Censo Demográfico 2022, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), lançam luz sobre uma de suas facetas mais preocupantes. O estudo revela que a taxa de analfabetismo entre jovens e adultos com deficiência, na faixa etária de 15 a 29 anos, atingiu 12,2% em 2022. Este índice é alarmante, sendo 12 vezes maior do que o registrado entre pessoas sem deficiência no mesmo grupo etário, que foi de apenas 1%.

Essa disparidade sublinha a urgência de políticas públicas mais eficazes e inclusivas. Historicamente, a população com deficiência enfrenta barreiras significativas no acesso à educação. Embora parte dessa diferença possa ser atribuída à maior concentração de pessoas com deficiência em gerações mais idosas e menos escolarizadas, a análise focada nos jovens demonstra que a questão transcende a dimensão geracional, evidenciando uma lacuna estrutural que ainda precisa ser superada, conforme apontado pela pesquisadora do IBGE, Luanda Botelho.

Desafios específicos e perfis de vulnerabilidade

A pesquisa do IBGE detalha que o analfabetismo é particularmente acentuado em determinados grupos dentro da população com deficiência. As maiores taxas foram observadas entre aqueles com dificuldades associadas às funções mentais, alcançando 40,4%. Pessoas com mais de um tipo de deficiência também apresentaram um índice elevado, de 34%.

Mesmo entre os tipos de deficiência com as menores taxas, a situação ainda é crítica. Para indivíduos com alguma dificuldade de enxergar, por exemplo, o analfabetismo é de 3,5%, um número que, embora inferior aos demais grupos com deficiência, ainda é mais do que o triplo da taxa observada entre pessoas sem deficiência. Outras taxas relevantes incluem 10% para aqueles com dificuldade de ouvir, 23,3% para quem tem dificuldade de caminhar ou subir escadas, e 31,3% para quem enfrenta desafios ao pegar objetos pequenos.

Acesso à educação básica e frequência escolar

Além do analfabetismo, a frequência escolar também é um indicador de desigualdade. Os dados mostram que crianças de 6 a 14 anos com deficiência têm uma taxa de frequência de 92,6%, enquanto entre as sem deficiência, o índice é de 98,4%. Para jovens entre 15 e 17 anos, a diferença é ainda mais acentuada: 79,5% para aqueles com deficiência contra 85,4% para os sem deficiência.

A situação é ainda mais grave para pessoas com deficiência profunda, que enfrentam impedimentos severos para escutar, ouvir, pegar objetos ou caminhar. Nesse grupo, a inclusão no sistema escolar é significativamente menor, com taxas de frequência de 82,3% para crianças de 6 a 14 anos e de 65,6% para jovens de 15 a 17 anos. Esses números reforçam a necessidade de um suporte educacional mais robusto e adaptado para garantir a permanência e o aprendizado desses estudantes.

Infraestrutura e acessibilidade nas escolas brasileiras

O Censo Escolar 2025, por sua vez, oferece um panorama da infraestrutura de acessibilidade nas instituições de ensino. Embora 78,5% das escolas possuam pelo menos um recurso de acessibilidade, como banheiro acessível, sala de recursos multifuncionais ou profissional de apoio, a distribuição e a abrangência desses recursos ainda são insuficientes.

Especificamente, 57% das escolas contavam com banheiro acessível, 30% com sala de recursos multifuncionais e 26,2% com profissional de apoio. Há também diferenças notáveis entre as redes de ensino. Enquanto a rede privada se destaca em banheiros acessíveis (64,4% contra 54,8% na rede pública), a rede pública leva vantagem na oferta de profissional de apoio (32,8% contra 4,6% na privada) e salas de recursos multifuncionais (34,5% contra 15,2% nas privadas). Para mais informações sobre acessibilidade na educação, consulte o Ministério da Educação.

Expansão e desafios no ensino superior

Apesar dos desafios na educação básica, o ensino superior tem mostrado um avanço notável na inclusão de pessoas com deficiência. Entre 2014 e 2024, a presença desses estudantes em cursos de graduação quase triplicou, passando de 33.377 para 95.572 alunos. Essa expansão elevou a representatividade de 0,43% para 0,93% do total de matriculados no país.

O crescimento foi impulsionado principalmente pelos cursos de graduação a distância (EAD), que viram o número de estudantes com deficiência aumentar mais de seis vezes (de 6.740 para 44.963). As matrículas em cursos presenciais também cresceram, quase duplicando no período (de 26.637 para 50.609). Embora o aumento seja positivo, a representatividade ainda aquém de 1% do total de alunos no ensino superior ressalta que há um longo caminho a percorrer para uma inclusão plena e equitativa.

Os dados do IBGE e do Censo Escolar revelam um cenário complexo, com avanços pontuais, mas desafios estruturais persistentes no acesso à educação para pessoas com deficiência no Brasil. A Rádio Cachoeiro FM segue comprometida em trazer informações relevantes e contextualizadas sobre temas que impactam diretamente a sociedade. Continue acompanhando nosso portal para se manter informado sobre as últimas notícias e análises aprofundadas.

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