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Ibovespa alcança maior patamar em quase quatro meses com salto do petróleo e recuo do dólar

Ibovespa alcança maior patamar em quase quatro meses com salto do petróleo e recuo do dólar
© REUTERS/Amanda Perobelli/Proibida reprodução

O mercado financeiro brasileiro viveu um dia de forte otimismo nesta terça-feira (1º), descolando-se do pessimismo observado nas principais praças internacionais. O Ibovespa, principal índice da B3, encerrou o pregão com uma valorização expressiva, atingindo seu nível mais alto desde meados de maio. O movimento foi sustentado, principalmente, pela disparada nos preços internacionais do petróleo, que beneficiou diretamente as ações de peso do setor de energia, como a Petrobras.

Enquanto o cenário externo era marcado por tensões geopolíticas, o investidor doméstico reagiu à combinação de valorização das commodities e à leitura dos dados do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil. Mesmo com sinais de desaceleração na economia nacional, a perspectiva de novos ajustes na política monetária e a força do setor extrativista garantiram o fôlego necessário para que a bolsa ultrapassasse a barreira dos 181 mil pontos durante a sessão, antes de consolidar o fechamento em alta.

Petróleo e tensões no Oriente Médio impulsionam Petrobras

O grande motor da alta do Ibovespa foi o setor de petróleo. Os preços da commodity dispararam no mercado global após o anúncio de novos ataques dos Estados Unidos contra alvos no Irã. Esse acirramento de ânimos no Oriente Médio gera um temor imediato sobre a oferta global, especialmente em rotas estratégicas como o Estreito de Ormuz. Como resultado, o petróleo do tipo Brent subiu 4,6%, sendo cotado a US$ 94,65, enquanto o WTI avançou 5,2%, chegando a US$ 90,22.

Nesse cenário, as ações da Petrobras figuraram entre as mais negociadas e valorizadas do dia. Os papéis preferenciais (PETR4) registraram alta de 4,11%, enquanto os ordinários (PETR3) subiram 4,14%. Além do fator externo, a companhia esteve no radar dos investidores por dois motivos internos relevantes:

  • O anúncio de um reajuste de 13,9% no preço médio do querosene de aviação (QAV).
  • A confirmação de um recorde na produção nacional, que atingiu 4,5 milhões de barris por dia em julho, segundo a ANP.

A valorização da Petrobras é fundamental para o índice brasileiro devido ao seu enorme peso na composição da carteira teórica, servindo como um porto seguro para o capital em dias de valorização de commodities energéticas.

Dólar recua apesar da desaceleração do PIB no segundo trimestre

No mercado de câmbio, o dólar comercial encerrou o dia em queda de 0,54%, sendo vendido a R$ 5,153. A trajetória da moeda americana foi volátil ao longo da jornada. Pela manhã, a divisa chegou a subir para o patamar de R$ 5,20, reagindo aos dados do PIB divulgados pelo IBGE. A economia brasileira cresceu 0,5% no segundo trimestre, um ritmo inferior ao avanço de 1,1% registrado nos primeiros três meses do ano.

Essa perda de ritmo na atividade econômica, marcada pela retração no consumo das famílias e menor dinamismo industrial, reforçou no mercado a percepção de que o Banco Central pode ter espaço para reduzir a Taxa Selic, atualmente fixada em 14% ao ano. Embora juros menores possam reduzir a atratividade do Brasil para o capital estrangeiro de curto prazo, o fluxo positivo gerado pela alta das commodities acabou prevalecendo, empurrando o dólar para baixo no decorrer da tarde.

A queda da moeda americana frente ao real acompanhou o movimento de outras divisas de países emergentes, embora o dólar tenha se fortalecido globalmente contra moedas de economias desenvolvidas, como o euro e o iene, refletido na alta do índice DXY.

Contraste entre o otimismo brasileiro e a cautela em Wall Street

O desempenho positivo da bolsa brasileira contrastou fortemente com o fechamento negativo em Nova York. Em Wall Street, o índice S&P 500 recuou 0,71%, refletindo o nervosismo dos investidores com a escalada dos conflitos internacionais e a alta nos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos (Treasuries). O movimento global de venda desses papéis elevou as taxas de retorno, o que geralmente retira liquidez de mercados de risco.

Apesar do fechamento positivo hoje, o cenário para o fluxo de capital estrangeiro no Brasil ainda exige cautela. Dados recentes mostram que, no acumulado de agosto até o dia 28, o saldo de investimento estrangeiro na bolsa estava negativo em quase R$ 18,6 bilhões. O resultado desta terça-feira, portanto, é visto por analistas como uma reação técnica e pontual ao choque de preços no setor de energia, mais do que uma reversão de tendência estrutural de longo prazo.

Para o investidor, o foco agora se volta para os próximos passos da política monetária e para a evolução dos conflitos no exterior, que seguem ditando o ritmo da volatilidade. De acordo com informações da Agência Brasil, o mercado permanece atento à capacidade de resiliência da economia doméstica diante de um cenário global cada vez mais incerto.

Para continuar bem informado sobre os rumos da economia, as oscilações do mercado financeiro e os principais fatos que impactam o seu bolso, acompanhe a cobertura completa do Rádio Cachoeiro FM. Nosso compromisso é levar até você a informação apurada com profundidade e o contexto necessário para entender o Brasil e o mundo.

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