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BRICS defende reforma da governança global em declaração final da cúpula de 2026

BRICS defende reforma da governança global em declaração final da cúpula de 2026
© Divulgação via Reuters/Ministério das Relações Exteriores da Índia

A 18ª Cúpula do BRICS, realizada em Nova Délhi, na Índia, culminou com a divulgação de uma declaração final que ressoa como um marco na busca por um sistema internacional mais equitativo. O documento, fruto de consensos entre os 11 países-membros, sinaliza um reforço contundente na defesa da reforma da governança global, do multilateralismo e da cooperação entre nações em desenvolvimento. Em um cenário geopolítico complexo, a posição do bloco ganha relevância estratégica, delineando prioridades que serão levadas a importantes fóruns internacionais.

Os temas abordados na declaração são vastos e interconectados, abrangendo desde o comércio e o desenvolvimento sustentável até questões de clima, tecnologia e segurança internacional. A união de Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia e Irã representa uma força econômica e demográfica considerável, com 39% da economia mundial, 48,5% da população do planeta e 23% do comércio global. Essa representatividade confere ao bloco uma voz potente na arena internacional, capaz de influenciar debates e propor soluções para desafios contemporâneos.

BRICS: o bloco em busca de uma governança global mais justa

A declaração final do BRICS não é apenas um compilado de intenções, mas um guia político que orienta a atuação conjunta de seus membros em organismos como a Organização das Nações Unidas (ONU), o G20 e a Organização Mundial do Comércio (OMC). Em um momento de crescentes disputas geopolíticas, conflitos regionais e tensões comerciais, o texto enfatiza a necessidade de um sistema multilateral robusto e de uma governança global que reflita a realidade do século XXI, com maior inclusão e representatividade dos países em desenvolvimento.

Essa postura é um contraponto direto a modelos hegemônicos e busca desafiar as estruturas de poder existentes, que muitas vezes não contemplam as aspirações e necessidades de grande parte do mundo. A defesa do multilateralismo, portanto, não é apenas um princípio, mas uma estratégia para garantir que as decisões globais sejam tomadas de forma mais democrática e eficaz, com a participação ativa de diversas nações.

Banco do BRICS e a autonomia financeira em foco

Um dos pilares da estratégia do bloco é o Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), popularmente conhecido como Banco do BRICS. Os líderes ressaltaram o papel crucial da instituição como um instrumento para financiar projetos de infraestrutura e iniciativas de desenvolvimento sustentável, essenciais para o crescimento econômico e social dos países-membros e de outras nações em desenvolvimento.

O documento incentiva o NDB a expandir sua capacidade de mobilizar recursos, diversificar suas fontes de financiamento e, de forma notável, ampliar suas operações em moedas locais. Essa medida é vista como um passo importante para reduzir a dependência de moedas fortes e fortalecer a autonomia financeira dos países, facilitando o comércio e o investimento intra-bloco. Além disso, a declaração manifesta apoio à ampliação do número de membros do banco e ao lançamento de um portal de conhecimento, que visa compartilhar experiências e boas práticas em projetos financiados.

Avanços em sistemas de pagamento e a prioridade brasileira na ONU

Outro ponto de destaque na declaração são as discussões sobre mecanismos de pagamento entre os países-membros. Embora não mencione explicitamente o sistema Pix, o texto defende princípios que são compatíveis com esse tipo de inovação: a interoperabilidade de plataformas de pagamento, o aprimoramento dos pagamentos transfronteiriços e a integração de canais de mensagens financeiras. O objetivo é criar sistemas mais rápidos, baratos, acessíveis, eficientes, transparentes e seguros para transações internacionais, além de aumentar as liquidações comerciais em moedas locais, o que pode impulsionar o comércio e a integração econômica do bloco.

Para o Brasil, a declaração reforça uma de suas prioridades históricas na diplomacia: a defesa de uma reforma abrangente da ONU e, em especial, do Conselho de Segurança. O governo brasileiro argumenta que os organismos internacionais precisam refletir a realidade geopolítica atual, ampliando a representação dos países em desenvolvimento. China e Rússia reiteraram seu apoio às aspirações de Brasil e Índia de desempenhar um papel mais relevante nas Nações Unidas, inclusive em um Conselho de Segurança reformado, tornando-o “mais democrático, representativo, eficaz e eficiente”.

Compromissos sociais e econômicos para um futuro sustentável

A agenda do BRICS vai além das questões econômicas e financeiras, abraçando compromissos sociais e ambientais. A declaração reconhece que as desigualdades “dentro e entre os países” são a raiz de muitos desafios globais e destaca o papel fundamental do Sul Global na formulação de respostas para questões como a desaceleração econômica, o protecionismo e as mudanças climáticas.

Os líderes reafirmam seu compromisso com a Agenda 2030 da ONU, defendem a erradicação da pobreza como prioridade global e reiteram posições em favor do combate ao racismo, à xenofobia, à discriminação e a todas as formas de intolerância, incluindo o aumento dos discursos de ódio e da desinformação. O documento também clama por maior representação de mulheres em postos de liderança de organismos internacionais, reforçando a importância da inclusão e da diversidade.

No campo econômico e comercial, o bloco reafirmou o compromisso de aprofundar a cooperação para promover crescimento sustentável e inovação. Há um apoio explícito à reforma da OMC e à preservação de um sistema multilateral de comércio baseado em regras, com preocupação manifestada sobre o aumento de medidas protecionistas. Para fortalecer o comércio intra-bloco, foram previstas iniciativas como o fortalecimento das cadeias globais de valor, a facilitação do comércio agrícola, a digitalização de documentos e a criação da Brics Grain Exchange, uma plataforma de comercialização de grãos.

A declaração final da 18ª Cúpula do BRICS em 2026, portanto, não é apenas um documento protocolar, mas um manifesto de intenções e um roteiro para a atuação de um bloco que busca redefinir as dinâmicas de poder globais. Para continuar acompanhando os desdobramentos dessa e de outras notícias relevantes, com análises aprofundadas e contexto preciso, mantenha-se conectado ao Rádio Cachoeiro FM, seu portal de informação de qualidade.

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