A recente Cúpula do Brics, realizada neste fim de semana em Nova Delhi, capital da Índia, marcou um momento crucial para o bloco de nações emergentes. Os participantes expressaram “profunda preocupação” com a escalada das tensões no Oriente Médio, criticaram veementemente a imposição de tarifas unilaterais no comércio internacional e reforçaram a defesa por um papel mais significativo do Brasil no Conselho de Segurança das Nações Unidas. As discussões e os posicionamentos, detalhados na declaração final do encontro, intitulada “Construindo para a Resiliência, Inovação, Cooperação e Sustentabilidade”, refletem a crescente influência do Brics no cenário geopolítico e econômico global.
O grupo, atualmente composto por Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia e Irã, representa uma parcela substancial da economia (39%) e da população mundial (48,5%), além de 23% do comércio global. Essa representatividade confere peso às suas declarações, especialmente em temas que afetam diretamente a estabilidade e o desenvolvimento internacional.
Tensões no Oriente Médio: um apelo à contenção
Uma das pautas mais aguardadas na reunião de Nova Delhi era a postura do Brics em relação ao conflito no Oriente Médio, que se intensificou em fevereiro de 2026 com ataques dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, sob a alegação de desenvolvimento de armas nucleares – acusação negada por Teerã. Em retaliação, o Irã atacou os Emirados Árabes Unidos e a Arábia Saudita, países alinhados aos EUA e que, ironicamente, também são membros do Brics.
A declaração final, um documento extenso com 35 páginas e 140 parágrafos, abordou a situação com cautela diplomática. O Parágrafo 28, em particular, manifesta preocupação sem citar diretamente os países envolvidos ou usar a palavra