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Relatório da Oxfam aponta que acúmulo de fortunas no Brasil asfixia a democracia e o poder político

Relatório da Oxfam aponta que acúmulo de fortunas no Brasil asfixia a democracia e o poder político
© Espaço do Povo Paraisópolis/Divulgação

A desigualdade social no Brasil não é apenas um reflexo de disparidades financeiras, mas um projeto de poder que se consolida na ocupação dos espaços decisórios do Estado. Segundo o relatório Um Retrato das Desigualdades Brasileiras: Poder, Privilégio e a Captura da Democracia, publicado pela Oxfam Brasil, a concentração de renda no topo da pirâmide social atua como uma barreira que sufoca a representatividade e distorce a formulação de políticas públicas no país.

O estudo aponta que a elite econômica brasileira detém uma capacidade secular de reorganizar seus privilégios, utilizando recursos financeiros para influenciar eleições e pautar agendas que protegem o acúmulo de patrimônio. Essa dinâmica cria um ciclo onde o poder econômico se converte, quase automaticamente, em poder político, dificultando a ascensão de grupos historicamente marginalizados.

O abismo entre o topo e a base da pirâmide

Dados do Global Wealth Report 2026, elaborado pelo banco UBS, reforçam a gravidade do cenário. O Brasil figura como a quarta nação mais desigual do mundo em termos de patrimônio. Enquanto o país encerrou 2025 com cerca de 386 mil milionários em dólar, aproximadamente 69% da população adulta sobrevive na base da pirâmide, com um patrimônio médio que não ultrapassa R$ 51 mil.

A Oxfam alerta que, embora políticas de transferência de renda sejam vitais para o alívio imediato da pobreza, elas não resolvem o problema estrutural. Sem uma reforma que enfrente as dimensões tributárias e patrimoniais, o país continua a penalizar o consumo das classes mais baixas enquanto preserva a blindagem jurídica e fiscal dos super-ricos.

A engrenagem eleitoral como filtro socioeconômico

O processo eleitoral brasileiro funciona, na prática, como uma triagem que favorece quem já detém capital. Nas eleições de 2022, por exemplo, candidatos com patrimônio superior a R$ 1 milhão representaram 38% dos concorrentes, mas ocuparam 55% das vagas disponíveis para o Senado. O perfil dos eleitos permanece majoritariamente branco, masculino e abastado.

A disparidade de gênero é outro ponto crítico destacado pelos pesquisadores. Nas eleições de 2024, apenas 13,2% dos municípios brasileiros elegeram prefeitas. Nas capitais, o cenário foi ainda mais restrito, com apenas dois pleitos vencidos por mulheres. No Congresso Nacional, a situação se repete: na Câmara dos Deputados, homens ocupam 82,3% das cadeiras, enquanto no Senado a proporção de homens chega a 80%.

O papel das novas tecnologias e o controle social

O relatório aponta que a digitalização da economia, capitaneada por Big Techs e plataformas de apostas, tem intensificado a extração econômica. Longe de serem apenas ferramentas de entretenimento, essas corporações operam como engrenagens de controle social e extração de renda, aproveitando lacunas regulatórias para maximizar ganhos em um mercado em constante mutação.

A captura institucional, segundo a Oxfam, afeta de forma desproporcional mulheres negras, povos indígenas, comunidades quilombolas e moradores de periferias urbanas. Esses grupos, que compõem a maioria da população, são os que mais contribuem com impostos sobre o consumo, enquanto assistem à destinação nebulosa de recursos públicos para atender a interesses de uma elite política e econômica restrita.

Para aprofundar-se nos detalhes técnicos e metodológicos desta análise, você pode consultar o relatório completo na Agência Brasil. Continue acompanhando o Rádio Cachoeiro FM para manter-se informado sobre os temas que impactam a realidade brasileira com credibilidade e análise crítica.

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