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Consumo de chocolate no Brasil cresce e impulsiona economia nacional

© Congerdesign/Pixabay
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O chocolate, uma paixão nacional enraizada no cotidiano dos brasileiros há décadas, vive um momento de expansão e inovação no país. O Brasil se destaca globalmente por reunir toda a cadeia produtiva, desde o cultivo do cacau até a fabricação do produto final, consolidando-se como um mercado de grande relevância e com um potencial de crescimento expressivo.

Essa dinâmica é impulsionada não apenas pelo apreço do consumidor, mas também pela constante evolução da indústria. De acordo com Jaime Recena, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados (Abicab), a inovação é a chave para atender às expectativas de um público que busca novidades e tem o chocolate como parte integrante do seu dia a dia.

O crescimento do mercado interno e o potencial brasileiro

A produção de chocolates no Brasil tem demonstrado um ritmo ascendente. Em 2024, foram produzidas 805 mil toneladas, número que subiu para 814 mil toneladas em 2025. As estimativas para 2026 apontam para a continuidade desse crescimento, refletindo a força do setor.

Apesar de o consumo per capita no Brasil ser de aproximadamente 4 quilos por ano, ainda há um vasto potencial de expansão. Comparado a mercados como os da América do Norte e Europa, onde o consumo varia entre 9 e 10 quilos anuais, o país tem condições de ampliar significativamente essa média.

Mesmo com os desafios logísticos impostos pelas dimensões continentais do Brasil, o chocolate está presente em praticamente todos os municípios, garantindo que o consumidor tenha acesso ao produto nacional. Essa capilaridade, aliada ao foco da maior parte da produção no mercado local, contribuiu para que o setor alcançasse um movimento financeiro de R$ 42,5 bilhões em 2025, impulsionado por segmentos como o de chocolates finos e a demanda fora dos períodos sazonais, como a Páscoa.

A força do chocolate brasileiro no cenário global

O Brasil não apenas consome, mas também exporta sua produção de chocolate. Em 2025, as exportações somaram 37,8 mil toneladas, gerando US$ 210,2 milhões, com vendas para cerca de 168 países. No mesmo período, as importações corresponderam a 19,8 mil toneladas, totalizando US$ 227 milhões.

Os dados do primeiro trimestre de 2026, disponíveis no ComexStat, portal do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, mostram que as exportações de chocolates atingiram 7,7 mil toneladas (US$ 47 milhões), enquanto as importações foram de 4,7 mil toneladas (US$ 57 milhões).

Além do chocolate processado, o cacau brasileiro também tem um papel relevante no comércio exterior. Em 2025, as exportações de cacau renderam US$ 603,1 milhões, com 53,5 mil toneladas vendidas. As importações, por sua vez, somaram 93,7 mil toneladas, totalizando US$ 699,2 milhões. No primeiro trimestre de 2026, as exportações de cacau alcançaram 12,7 mil toneladas (US$ 108,4 milhões), e as importações, 32,9 mil toneladas (US$ 209,1 milhões).

Jaime Recena destaca que, além dos vizinhos latino-americanos como Argentina, Chile e Paraguai, o Brasil tem voltado sua atenção para o mercado europeu, especialmente após o acordo entre o Mercosul e a União Europeia. As vendas para o mercado árabe também estão em crescimento. A parceria da Abicab com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) há mais de 20 anos tem sido fundamental para abrir mercados, especialmente para pequenos fabricantes que focam em chocolates com alto teor de massa de cacau e frutos característicos do país.

Impacto social e econômico: empregos e inovação

O setor de chocolates é um grande gerador de empregos no Brasil. As indústrias associadas à Abicab são responsáveis por cerca de 450 mil postos de trabalho. A Páscoa, em particular, funciona como uma porta de entrada para novos colaboradores, com uma taxa de empregabilidade de 30% para os trabalhadores temporários.

Na Páscoa de 2026, o número de empregos temporários aumentou de 9.946 para 14.558 vagas, um indicativo claro do aquecimento do setor e de seu desempenho positivo. Além de gerar oportunidades, a Páscoa é um período estratégico para o lançamento de inovações, com mais de 130 novos produtos apresentados em 2026. Recena ressalta que o chocolate, acessível a todas as faixas de renda, deixou de ser um produto sazonal para se tornar um item presenteável e de consumo diário, “deixando o dia a dia dos consumidores mais feliz”.

Da roça ao tablete: o papel da agricultura familiar e a Bahia Cacau

A produção de cacau, base do chocolate, também tem um forte componente na agricultura familiar. Osaná Crisóstomo, diretor financeiro da Cooperativa da Agricultura Familiar e Economia Solidária da Bacia do Rio Salgado e Adjacências (Coopfesba), informou que a safra 2024/2025 foi excelente na região, com 80 mil toneladas de cacau vendidas a R$ 1.100 a arroba. Contudo, o mercado é flutuante, e o preço atual pago pela indústria está em torno de R$ 330 a arroba, com expectativas de aumento na próxima safra, dependendo das chuvas.

Um exemplo notável da agregação de valor na cadeia produtiva é a Bahia Cacau, a primeira fábrica de chocolate da agricultura familiar do Brasil, criada pela Coopfesba em 2010. Localizada em Ibicaraí, no sul da Bahia, a fábrica oferece chocolates de alta qualidade, com teor de massa de cacau entre 35% e 70%, e sabores diferenciados que utilizam produtos locais como cupuaçu.

Esse empreendimento não só agrega valor aos agricultores familiares da região, mas também contribui para a preservação da Mata Atlântica. Os produtos da Bahia Cacau já são comercializados em estados como São Paulo, Rio Grande do Sul, Goiás e Rio de Janeiro (na cidade de Maricá), e a expansão internacional começou em 2025 com a primeira remessa para Portugal.

Novas regras para o setor: proteção e transparência ao consumidor

Os agricultores familiares e o setor como um todo sentem-se mais protegidos com a sanção da Lei 15.404/2026, em maio deste ano. Essa legislação estabelece definições e características para produtos derivados de cacau, o percentual mínimo de cacau nos chocolates e a obrigatoriedade de informar esse índice nos rótulos.

A lei, que abrange produtos nacionais e importados comercializados no Brasil, entrará em vigor em 7 de maio de 2027. Sua aplicação impactará todos os agentes da cadeia produtiva e de comercialização, garantindo maior transparência para o consumidor e valorizando a produção de qualidade.

O mercado de chocolate no Brasil é um ecossistema vibrante, que conecta o campo à mesa do consumidor, gera empregos e impulsiona a economia com inovação e sustentabilidade. Para continuar acompanhando as notícias mais relevantes, atuais e contextualizadas sobre este e outros temas que impactam o seu dia a dia, mantenha-se conectado ao Rádio Cachoeiro FM. Nosso compromisso é trazer informação de qualidade e credibilidade para você.

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