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Agosto termina com déficit de R$ 10 bilhões nas contas públicas

Agosto termina com déficit de R$ 10 bilhões nas contas públicas
© José Cruz/Agência Brasil/Arquivo

O setor público consolidado brasileiro, que engloba a União, estados, municípios e empresas estatais, fechou o mês de agosto com um déficit primário de R$ 10 bilhões. O dado, divulgado pelo Banco Central, revela a diferença entre as receitas e as despesas do governo, excluindo o pagamento de juros da dívida pública. Embora o número ainda represente um saldo negativo, o resultado aponta uma melhora na comparação com agosto de 2025, quando o débito atingiu R$ 17,3 bilhões.

Composição do resultado e desempenho regional

O desempenho das contas públicas no oitavo mês do ano foi marcado por comportamentos distintos entre as esferas administrativas. O Governo Central — formado pelo Tesouro Nacional, Previdência Social e pelo próprio Banco Central — foi o principal responsável pelo resultado, registrando um déficit de R$ 14,7 bilhões.

Em contrapartida, os governos regionais e as empresas estatais ajudaram a suavizar o impacto negativo no consolidado. Estados e municípios apresentaram um superávit de R$ 2,7 bilhões, enquanto as empresas estatais contribuíram com um resultado positivo de R$ 2 bilhões. No acumulado dos últimos 12 meses, o setor público soma um déficit primário de R$ 82,1 bilhões, o que corresponde a 0,62% do Produto Interno Bruto (PIB).

Impacto dos juros nominais e resultado nominal

A análise das contas públicas torna-se mais complexa ao incluir os gastos com juros. Em agosto, essas despesas somaram R$ 105,9 bilhões, um salto expressivo em relação aos R$ 74,3 bilhões registrados no mesmo período do ano passado. Esse aumento foi impulsionado, em grande parte, pelo desempenho das operações de swap cambial, que reverteram um ganho de R$ 19,9 bilhões em 2025 para uma perda de R$ 9,3 bilhões em 2026.

Quando somamos o déficit primário ao pagamento de juros, o resultado nominal do setor público atinge um patamar de R$ 115,9 bilhões negativos apenas no mês de agosto. Em um horizonte de 12 meses, o déficit nominal chega a R$ 1,264 trilhão, equivalente a 9,48% do PIB, evidenciando o peso da manutenção da dívida no orçamento nacional.

Crescimento da dívida pública e cenário econômico

O endividamento do país continua sendo um ponto de atenção para analistas e para o mercado financeiro. A Dívida Líquida do Setor Público (DLSP) alcançou R$ 9,2 trilhões em agosto, representando 69,3% do PIB. O avanço de 0,1 ponto percentual no mês reflete a pressão combinada do déficit primário e dos juros nominais.

A Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG), que inclui as obrigações do INSS e dos entes regionais, atingiu R$ 11,1 trilhões, ou 82,9% do PIB. Segundo o Banco Central, o crescimento da dívida bruta no mês foi influenciado pela incorporação dos juros nominais e pela variação cambial. No acumulado do ano, a DBGG já acumula uma alta de 4,2 pontos percentuais em relação ao PIB, reforçando os desafios fiscais que o país enfrenta para equilibrar suas contas a longo prazo.

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