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Educação na era da IA exige inclusão digital crítica, alerta especialista

Educação na era da IA exige inclusão digital crítica, alerta especialista
© Rovena Rosa/Agência Brasil

A rápida integração de tecnologias digitais e da inteligência artificial (IA) nas salas de aula brasileiras trouxe um desafio urgente para o sistema de ensino: a necessidade de transitar de uma simples inclusão tecnológica para uma abordagem crítica e significativa. O alerta é da educadora Daniela Costa, consultora da Unesco no Brasil e coordenadora da pesquisa TIC Educação, realizada pelo Cetic.br.

Para a especialista, o modelo de apenas distribuir dispositivos eletrônicos sem um propósito pedagógico claro está superado. O debate ganhou força durante o 4º Encontro de Educadores do Século XXI, realizado no Rio de Janeiro, onde especialistas discutiram como o uso desenfreado de ferramentas digitais pode impactar o desenvolvimento cognitivo dos estudantes.

O impacto da tecnologia no aprendizado

A relação entre tecnologia e educação é marcada por um paradoxo. Enquanto ferramentas digitais podem reduzir desigualdades — como observado na China, onde a distribuição de videoaulas de alta qualidade para estudantes rurais elevou o desempenho acadêmico em 32% —, o uso recreativo ou desregulado em sala de aula apresenta riscos claros. Estudos internacionais citados pela consultora indicam que a mera presença do celular é suficiente para dispersar a atenção e prejudicar o aprendizado em diversos países.

No Brasil, a resposta institucional a esse cenário foi a implementação da Lei Federal 15.100, sancionada em janeiro de 2025, que restringe o uso de aparelhos celulares durante aulas e intervalos. Dados do Cetic.br revelam que, embora 51% das escolas tenham adotado políticas de proibição do porte de celulares no início de 2026, essa rigidez diminui conforme o nível de ensino avança, caindo para 31% nas instituições de ensino médio.

Mudança nos hábitos de pesquisa

A forma como os estudantes buscam conhecimento também passou por uma transformação radical. Segundo a pesquisa TIC Educação, o consumo de conteúdos audiovisuais em plataformas como YouTube e TikTok tornou-se a principal fonte de pesquisa para 89% dos alunos do ensino médio. Esse movimento marca uma transição da linguagem verbal para a visual, onde o vídeo substitui o texto como principal vetor de informação.

Apesar da alta adesão, o uso de inteligência artificial para fins acadêmicos, citado por 70% dos estudantes, ainda carece de mediação. Apenas um terço dos alunos relata ter recebido orientações sobre como identificar erros, vieses ou alucinações comuns em modelos de IA, o que expõe uma lacuna crítica na formação básica desses jovens.

O papel fundamental do professor

Embora os alunos busquem cada vez mais os docentes como referência para o uso de tecnologias — com um crescimento de 44% para 56% entre 2022 e 2024 —, o suporte oferecido aos professores tem encolhido. A proporção de docentes que participaram de formações continuadas sobre tecnologias digitais caiu de 65% em 2021 para 54% em 2024.

Daniela Costa enfatiza que o desenvolvimento integral do estudante é indissociável da valorização e do preparo do corpo docente. A falta de investimento contínuo em capacitação, após o pico de atenção dado ao tema durante a pandemia, é apontada como um erro estratégico. A educação, defende a especialista, deve ser o pilar central de qualquer projeto de desenvolvimento nacional, exigindo um compromisso renovado com a formação de quem está na linha de frente da sala de aula.

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