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Estudantes negros do Rio e Bahia conquistam bolsas para intercâmbio internacional

Estudantes negros do Rio e Bahia conquistam bolsas para intercâmbio internacional
Thalita Guimarães

O sonho de cursar uma graduação no exterior, que para muitos parece distante, tornou-se realidade para três jovens negros do Rio de Janeiro e da Bahia. Eles foram selecionados pelo programa Black STEM, uma iniciativa do Fundo Baobá, e receberão uma bolsa de R$ 42 mil para custear sua permanência em instituições de ensino de excelência em diferentes partes do mundo. A conquista não apenas abre portas para o acesso a ambientes acadêmicos globais, mas também representa um passo significativo na promoção da equidade racial e na construção de novas conexões culturais e profissionais.

A jornada para o ensino superior internacional é repleta de desafios, desde a rigorosa aprovação até a garantia dos recursos necessários para se manter nesses espaços. Para estudantes negros, essas barreiras podem ser ainda mais acentuadas, tornando programas como o Black STEM cruciais para democratizar o acesso a oportunidades de alto nível. A iniciativa, focada nas áreas de Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática, busca não só oferecer suporte financeiro, mas também uma rede de apoio completa para que esses talentos possam prosperar.

Fundo Baobá e o compromisso com a equidade racial

O Fundo Baobá, uma instituição social dedicada à promoção da equidade racial no Brasil, está por trás do programa Black STEM. A organização compreende que o acesso à educação de qualidade, especialmente em áreas estratégicas como STEM, é fundamental para o desenvolvimento e a ascensão de jovens negros. Ao criar esta iniciativa, o Fundo Baobá visa não apenas financiar estudos, mas também inspirar uma nova geração de líderes e profissionais negros.

A seleção dos três estudantes para receber a bolsa de R$ 42 mil, destinada à permanência no exterior, é um marco. Eles embarcarão em setembro para iniciar suas graduações, levando consigo não apenas seus sonhos individuais, mas também a representatividade de suas comunidades. O programa vai além do auxílio financeiro, oferecendo mentorias de carreira, workshops, conexões com lideranças negras e acompanhamento psicológico, elementos essenciais para o sucesso em um novo ambiente cultural e acadêmico.

Histórias de superação e a busca pelo conhecimento

Cada um dos estudantes selecionados traz consigo uma trajetória única, marcada por desafios e uma inabalável determinação. Suas histórias ressaltam a importância de iniciativas que reconhecem e apoiam o potencial de jovens talentos, independentemente de suas origens.

Caio Ramos: design e resiliência em Dubai

Caio Ramos, de 23 anos, morador de Irajá, no Rio de Janeiro, escolheu estudar Design no Dubai Institute of Design and Innovation (Didi), nos Emirados Árabes Unidos. Sua paixão pela cidade de Dubai surgiu durante uma viagem em família, transformando-se em um objetivo acadêmico.

A jornada de Caio foi marcada por severos desafios. Em 2020, durante a pandemia, ficou um ano sem aulas devido à falta de estrutura de sua escola para o ensino online. No mesmo período, seu pai começou a desenvolver Alzheimer e Parkinson, o que o impossibilitou de trabalhar. Sem recursos para um cuidador e com os altos custos de medicamentos, Caio precisou começar a trabalhar em 2022 para ajudar no sustento da casa, o que dificultou sua entrada no ensino superior. Apesar das adversidades, sua determinação o impulsionou a buscar alternativas internacionais. “Estar no Black STEM é uma vitória minha, mas eu sei também que é uma vitória das pessoas que vão se identificar comigo e que passam pelas mesmas coisas”, destacou Caio, ressaltando o impacto de sua conquista para outros jovens.

Quezia Fernanda: engenharia elétrica e sustentabilidade na Espanha

Nascida em Rio das Ostras, também no estado do Rio de Janeiro, Quezia Fernanda, de 19 anos, cursou o ensino médio técnico em automação industrial no Instituto Federal Fluminense. Foi por meio de uma parceria entre o instituto e a Universidade de Jaén, na Espanha, que ela descobriu a oportunidade de uma bolsa de estudos no exterior, transformando um sonho distante em realidade.

Durante um evento de boas-vindas, Quezia compartilhou sua motivação para cursar Engenharia Elétrica. “Vindo de Macaé, capital do petróleo no Brasil, sei bem como a área da energia é fundamental. Vi na engenharia elétrica possibilidade de iniciar um estudo e futuramente quero poder me aprofundar na área sustentável”, explicou a estudante, demonstrando uma visão clara sobre o futuro e o impacto que deseja gerar em seu campo de atuação.

João Vitor: computação e raízes quilombolas nos Estados Unidos

O terceiro estudante contemplado é João Vitor, de Cruz das Almas, na Bahia. Desde a infância, ele demonstrou grande afinidade com computadores e interesse em sua manutenção, consolidando essa paixão ao ingressar no Instituto Federal para cursar informática.

João cresceu no Recôncavo Baiano, o que lhe proporcionou um contato próximo com lideranças negras e comunidades quilombolas, moldando sua perspectiva e valores. A decisão de estudar Ciência da Computação na Northwestern University, nos Estados Unidos, foi influenciada pela descoberta de que a instituição contava com Jean, um estudante brasileiro de origem quilombola. “Por ter tanta proximidade com as comunidades quilombolas, tenho um carinho enorme por aquelas lideranças que me ajudaram, que me aconselharam e que abriram as portas para mim”, ressaltou João Vitor, evidenciando a importância de suas raízes e da representatividade em sua escolha.

Apoio integral para a permanência e o bem-estar

Além do suporte financeiro para moradia, transporte, alimentação e material acadêmico, o programa Black STEM oferece um acompanhamento integral. O diretor-executivo do Fundo Baobá, Giovanni Harvey, enfatizou a importância dessa rede de apoio para a permanência e o bem-estar dos estudantes em outros países. “Você tem aluno que saiu da Bahia, de Fortaleza e para longe da família. Há solidão e questões de saúde mental, que aparecem bastante entre os mais jovens. Não é somente dar o dinheiro. Tem que oferecer rede de apoio, de suporte”, explicou Harvey, destacando a visão holística do programa.

Essa abordagem visa criar condições para que jovens negros acreditem em seu potencial e ocupem espaços de destaque, combatendo a sub-representação em áreas cruciais. A iniciativa do Fundo Baobá é um exemplo de como o investimento em educação e o apoio contínuo podem transformar vidas e promover uma sociedade mais justa e equitativa.

Para mais informações sobre iniciativas que promovem a educação e a equidade racial, continue acompanhando o Rádio Cachoeiro FM. Nosso portal está sempre comprometido em trazer notícias relevantes, atuais e contextualizadas, abordando temas que impactam diretamente a nossa sociedade e inspiram o futuro.

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