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Financiamento de veículos no Brasil atinge alta de 10,9% no primeiro semestre

Financiamento de veículos no Brasil atinge alta de 10,9% no primeiro semestre
© Arquivo/Agência Brasil

O mercado de financiamento de veículos no Brasil registrou um crescimento expressivo de 10,9% no primeiro semestre de 2026, consolidando um período de aquecimento no setor automotivo. O volume total financiado saltou de R$ 3,41 milhões para R$ 3,78 milhões, marcando o maior patamar para um primeiro semestre desde 2008, quando o valor atingiu R$ 4,23 milhões. Os dados, que refletem a dinâmica de consumo e investimento no país, foram divulgados pela Trillia, empresa de análise de dados da B3.

Esse avanço robusto sinaliza uma recuperação e um otimismo crescente tanto por parte dos consumidores quanto das instituições financeiras. A movimentação no mercado de crédito para aquisição de automóveis, motocicletas e veículos pesados é um termômetro importante da saúde econômica nacional, indicando maior confiança e capacidade de investimento da população e das empresas.

Mercado aquecido: crescimento impulsionado por veículos usados

A análise detalhada do primeiro semestre de 2026 revela que os veículos usados foram os grandes protagonistas desse crescimento. No acumulado de janeiro a junho, foram 2,38 milhões de unidades usadas financiadas, superando significativamente as 2,18 milhões registradas no mesmo período de 2025. Os veículos novos também contribuíram para a alta, somando 1,39 milhão de unidades financiadas em 2026, contra 1,22 milhão em 2025.

Essa preferência pelos usados pode ser atribuída a diversos fatores, como a busca por opções mais acessíveis em um cenário econômico ainda desafiador para parte da população, além da maior disponibilidade de modelos no mercado de segunda mão. A expansão do financiamento de veículos foi um fenômeno nacional, com todas as regiões brasileiras apresentando crescimento entre o primeiro semestre de 2025 e 2026.

A Região Centro-Oeste liderou essa expansão, com um aumento notável de 13,1%. Em seguida, destacaram-se o Nordeste (12,6%), o Sul (11,2%), o Sudeste (10,6%) e o Norte (4,4%). Esses números regionais sublinham a capilaridade do crescimento e a demanda por mobilidade em diferentes contextos geográficos do país.

Tendências por categoria: leves, motos e pesados em destaque

Entre as diversas categorias de automotores, os comerciais leves continuam a ser um pilar do mercado. Em junho de 2026, o segmento alcançou 434 mil unidades financiadas, um aumento de 11,9% em comparação com as 388 mil de junho de 2025. Contudo, houve uma leve retração de 2,6% em relação a maio de 2026, indicando flutuações mensais dentro da tendência geral de alta.

No segmento de automóveis leves, a dinâmica entre novos e usados foi particularmente interessante. Enquanto os autos leves novos registraram uma queda de 3,3% em junho de 2026, com 112 mil unidades financiadas em relação ao ano anterior, os usados apresentaram um crescimento robusto de 12,0%, totalizando 323 mil unidades. Isso reforça a preferência do consumidor por veículos usados, que oferecem um custo-benefício atraente.

O mercado de motocicletas também segue em trajetória de expansão, impulsionado em grande parte por um público que busca o ciclomotor como ferramenta de trabalho. Em junho de 2026, 155 mil motos foram financiadas, um aumento de 5,6% em comparação com as 147 mil de junho de 2025. Assim como nos automóveis, as motocicletas usadas (116 mil unidades, alta de 5,5%) superaram as novas (39 mil unidades, queda de 2,4%) em volume e crescimento.

Por fim, o setor de veículos pesados, que inclui caminhões e ônibus, demonstrou um desempenho positivo, indicando investimentos contínuos em transporte de cargas e passageiros. Em junho de 2026, foram financiadas 24 mil unidades, um avanço de 7,1% frente às 22 mil de junho de 2025. Os veículos pesados novos lideraram com um salto de 33,2% (13 mil financiamentos), enquanto os usados cresceram 19,9% (11 mil unidades), mostrando a força do setor.

Prazos de financiamento se estendem no país

Um aspecto relevante do cenário atual é a extensão do prazo médio dos contratos de financiamento. No acumulado do primeiro semestre, o prazo médio para automóveis e comerciais leves atingiu 47,2 meses, um aumento em relação aos 46,3 meses verificados no ano anterior. Essa tendência de alta se estende por todas as categorias de tempo de uso dos veículos.

Os maiores avanços foram observados no grupo de veículos com 4 a 8 anos de fabricação, cujo prazo médio subiu de 50 para 51,3 meses, e nos modelos com até 3 anos, que passaram de 49,4 para 51,6 meses. A extensão dos prazos reflete, em parte, a busca dos consumidores por parcelas mensais mais baixas, tornando a aquisição de veículos mais acessível, mas também pode indicar uma maior cautela das instituições financeiras em diluir o risco ao longo do tempo.

O crescimento do financiamento de veículos no primeiro semestre de 2026, impulsionado por diferentes segmentos e regiões, demonstra a resiliência e a adaptabilidade do mercado brasileiro. A preferência por veículos usados e a extensão dos prazos de pagamento são indicativos de um consumidor que busca equilibrar o desejo de mobilidade com a realidade econômica. Para acompanhar de perto as próximas tendências e análises aprofundadas sobre a economia e o mercado automotivo, continue ligado no Rádio Cachoeiro FM, seu portal de informação relevante, atual e contextualizada.

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