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União arca com quase R$ 700 milhões em dívidas de estados e municípios em junho

União arca com quase R$ 700 milhões em dívidas de estados e municípios em junho
© José Cruz/Agência Brasil

O Tesouro Nacional revelou que a União desembolsou R$ 696,38 milhões em junho para cobrir dívidas atrasadas de estados e municípios. Este montante, detalhado no Relatório Mensal de Garantias Honradas divulgado pela Secretaria do Tesouro Nacional, reflete a contínua atuação do governo federal como fiador de operações de crédito para entes subnacionais, um mecanismo crucial para o acesso a financiamentos, mas que também expõe fragilidades fiscais.

A prática de a União honrar garantias é acionada quando estados ou municípios falham em cumprir seus compromissos financeiros com instituições credoras, sejam elas nacionais ou internacionais. Em junho, essa cobertura se estendeu a três governos estaduais e quatro prefeituras, evidenciando a persistência de desafios na gestão fiscal em diversas esferas federativas do país.

Detalhes dos pagamentos e entes beneficiados

Entre os estados que demandaram a cobertura do Tesouro Nacional no mês de junho, o Rio de Janeiro liderou com um montante de R$ 573,70 milhões. Em seguida, o Rio Grande do Sul teve R$ 73,06 milhões quitados pela União, e o Rio Grande do Norte, R$ 7,11 milhões. Esses valores sublinham a complexidade das finanças estaduais, muitas vezes impactadas por fatores econômicos e estruturais.

No âmbito municipal, a União honrou dívidas de quatro prefeituras, totalizando R$ 42,51 milhões. Os municípios assistidos foram Taubaté (SP), com R$ 29,23 milhões; São Gonçalo do Amarante (RN), com R$ 13,11 milhões; Paranã (TO), com R$ 106,97 mil; e Santanópolis (BA), com R$ 67,19 mil. A diversidade geográfica dos entes que necessitam dessa intervenção federal aponta para uma questão fiscal que transcende regiões específicas.

O papel da União como garantidora e o histórico de desembolsos

Desde 2016, o governo federal já desembolsou um total expressivo de R$ 89,42 bilhões para honrar garantias concedidas em operações de crédito de estados e municípios. Essa função de garantidora é vital para que os entes subnacionais consigam obter empréstimos e financiamentos junto a bancos e organismos internacionais, como o Banco Mundial e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), muitas vezes com condições mais favoráveis.

Quando um estado ou município não paga uma parcela de um empréstimo garantido, a União quita a obrigação com o credor. Posteriormente, o Tesouro Nacional busca o ressarcimento desses valores por meio de contragarantias previstas nos contratos. Isso geralmente envolve o desconto dos valores devidos de repasses federais ordinários, como as receitas dos fundos de participação e o compartilhamento de impostos, além de impedir novos financiamentos para o ente devedor.

Regime de Recuperação Fiscal e o Programa de Pleno Pagamento

Uma parcela significativa dos valores honrados pela União, aproximadamente R$ 79,70 bilhões desde 2016, está ligada ao Regime de Recuperação Fiscal (RRF) ou a contratos administrados pela Secretaria do Tesouro Nacional. Nesses casos, os montantes pagos pela União são refinanciados em contratos de longo prazo, em vez de serem recuperados imediatamente, buscando aliviar a pressão fiscal sobre os entes em crise.

Atualmente, apenas o Rio Grande do Sul permanece no RRF, um mecanismo criado para auxiliar estados com elevado desequilíbrio financeiro a reestruturar suas contas. Outros estados, como Goiás, Minas Gerais e o Rio de Janeiro, que já estiveram no regime, aderiram ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag). O Propag oferece descontos nos juros e prazos de parcelamento estendidos, de até 30 anos, para as dívidas estaduais.

Em contrapartida, os estados participantes do Propag devem aportar recursos para o Fundo de Equalização Federativa (FEF). Este fundo tem como objetivo distribuir recursos para investimentos essenciais em áreas como educação, segurança pública, saneamento, habitação e transportes, buscando promover o desenvolvimento e a melhoria dos serviços públicos em todo o país.

Desafios na recuperação de garantias e pendências judiciais

Apesar dos mecanismos de recuperação, o relatório do Tesouro Nacional aponta que parte dos valores honrados pela União ainda está pendente de ressarcimento. Essa situação ocorre devido a decisões judiciais que bloqueiam a execução das contragarantias ou a processos de refinanciamento específicos. Entre os casos com bloqueio judicial, destacam-se os municípios de Taubaté (SP), São Gonçalo do Amarante (RN) e Caucaia (CE), que somam R$ 406,64 milhões em valores ainda não recuperados.

Essas pendências representam um desafio para o orçamento federal, pois o dinheiro desembolsado pela União para cobrir as dívidas dos entes subnacionais poderia ser direcionado para outras áreas de investimento ou para a redução da dívida pública. A complexidade do cenário fiscal brasileiro exige uma vigilância constante e aprimoramento dos mecanismos de controle e recuperação para garantir a sustentabilidade das finanças públicas em todos os níveis.

Para mais informações sobre a economia brasileira e os desdobramentos da gestão fiscal no país, continue acompanhando as análises e reportagens aprofundadas do Rádio Cachoeiro FM. Nosso compromisso é trazer informação relevante, atual e contextualizada para você.

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