A confiança dos empresários da indústria brasileira sofreu um novo revés em setembro de 2026, marcando um período de desânimo que se estende por quase dois anos. O Índice de Confiança do Empresário Industrial (Icei), divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) em 14 de setembro, apresentou uma queda de 1,4 ponto, passando de 46,3 para 44,9 pontos. Este resultado mantém o indicador abaixo da crucial linha de 50 pontos, que serve como divisor entre a confiança e o pessimismo no setor.
Com esta nova retração, a indústria nacional completa 21 meses consecutivos operando em um cenário de desconfiança. Trata-se do período mais prolongado de pessimismo já registrado na série histórica do Icei desde os anos de 2015 e 2016, sinalizando desafios estruturais e conjunturais que persistem no horizonte econômico do país. A queda observada em setembro foi generalizada, afetando tanto a percepção sobre o presente quanto as projeções para o futuro, conforme apontado pela própria CNI.
O cenário de desconfiança prolongada na indústria
A persistência do pessimismo na indústria brasileira é um sinal de alerta para a economia como um todo. O Índice de Confiança do Empresário Industrial (Icei) é um termômetro importante para medir a disposição dos empresários em investir, produzir e gerar empregos. Quando este índice permanece abaixo dos 50 pontos por tanto tempo, reflete uma cautela generalizada que pode frear o crescimento e a recuperação econômica.
Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI, destacou em nota que a abrangência da queda é preocupante. “Essa queda foi generalizada, verificada em todos os componentes do índice, tanto a avaliação das condições correntes quanto as expectativas”, afirmou. Essa uniformidade na percepção negativa sugere que os problemas não estão isolados em um segmento específico, mas sim disseminados por todo o setor industrial.
Percepção atual e o peso da economia nacional
A avaliação dos empresários sobre a situação econômica atual do país foi um dos principais motores para o recuo do Icei. O Índice de Condições Atuais, que mede a percepção do momento presente, registrou 40,2 pontos, uma queda de 2,5 pontos em relação ao mês anterior. Dentro deste, a avaliação da economia brasileira foi a que mais sofreu, caindo 3,6 pontos e atingindo apenas 33 pontos, um patamar que reflete um profundo descontentamento.
As condições das próprias empresas também foram impactadas, embora em menor grau. Este subcomponente do índice recuou 1,9 ponto, chegando a 43,8 pontos. A percepção de que a situação econômica geral do país está deteriorada acaba por contaminar a visão dos empresários sobre a saúde de seus próprios negócios, criando um ciclo de incerteza que dificulta a tomada de decisões estratégicas e o planejamento de longo prazo.
Expectativas futuras e o impacto nos negócios
O pessimismo não se restringiu ao presente; as perspectivas para os próximos meses também se deterioraram. O Índice de Expectativas recuou 0,9 ponto, passando de 48,1 para 47,2 pontos. Embora ainda um pouco acima do índice de condições atuais, a queda indica que os empresários não veem uma melhora significativa no horizonte próximo.
A percepção sobre o futuro da economia brasileira caiu de 39,7 para 39,1 pontos, uma retração de 0,6 ponto. As expectativas em relação às próprias empresas, que geralmente são mais otimistas, também tiveram uma queda de 1 ponto, passando de 52,3 para 51,3 pontos. Este dado é particularmente relevante, pois mostra que mesmo a visão mais controlável sobre o próprio negócio está sendo afetada pelo cenário macroeconômico adverso.
A voz dos empresários e a pesquisa da CNI
Para a CNI, as oscilações positivas registradas em alguns meses de 2026 não foram suficientes para reverter o quadro de desconfiança generalizada entre os empresários industriais. Essas melhorias pontuais não conseguiram alterar a percepção de que os desafios são profundos e persistentes. A falta de confiança continua sendo uma realidade disseminada, afetando desde as pequenas até as grandes empresas.
A edição de setembro do Icei coletou dados de 1.186 empresas industriais entre 1º e 8 de setembro de 2026. A amostra incluiu 475 pequenas empresas, 441 médias empresas e 270 grandes empresas, garantindo uma representatividade que reflete a diversidade do parque industrial brasileiro. A continuidade deste cenário desafia formuladores de políticas públicas e líderes empresariais a buscar soluções eficazes para restaurar a confiança e impulsionar a recuperação do setor.
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