A sensação de perder o fôlego ou sentir um cansaço excessivo ao subir alguns degraus pode ir muito além de uma simples falta de condicionamento físico ou dos efeitos naturais do envelhecimento. Na verdade, esse sintoma comum pode ser um importante sinal de alerta para a insuficiência cardíaca, uma condição séria que já afeta cerca de 1,7 milhão de brasileiros, conforme dados da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC).
Nesta quinta-feira, 9 de julho de 2026, a SBC reforça o Dia Nacional de Alerta contra a Insuficiência Cardíaca, buscando conscientizar a população sobre a importância de reconhecer os sinais e buscar ajuda médica especializada. A doença, muitas vezes subestimada por seus sintomas iniciais serem confundidos com o dia a dia, representa um desafio significativo para a saúde pública no país.
Quando o cansaço vira um sinal de alerta para a saúde do coração
Os sintomas da insuficiência cardíaca são, de fato, bastante comuns e podem facilmente ser ignorados. Além da dificuldade respiratória durante esforços, como subir escadas, a fadiga muscular e a retenção de líquidos são manifestações frequentes. Essa semelhança com o sedentarismo ou o processo natural de envelhecimento é o que torna o diagnóstico precoce um desafio, mas também o que o torna crucial.
O cardiologista Marcus Simões, membro da SBC e coordenador da diretriz brasileira de insuficiência cardíaca da entidade, enfatiza a necessidade de consultar um especialista. Ele explica que o coração é mais exigido durante o esforço físico. “Durante o esforço físico, o coração é mais requisitado. Quando você força a musculatura, ela tem que receber mais sangue, e aí o coração tem que bombear mais sangue. Então, é na hora do esforço que o coração usualmente demonstra que não está bem”, afirma o médico.
Essa sobrecarga é o momento em que as deficiências do músculo cardíaco se tornam evidentes, transformando um simples cansaço em um indicador potencial de um problema mais profundo. Ignorar esses sinais pode atrasar o tratamento e agravar o quadro.
Entendendo as causas e os grupos mais vulneráveis à insuficiência cardíaca
A insuficiência cardíaca não surge isoladamente; ela é, em muitos casos, uma consequência ou uma sequela de outras doenças que afetam o coração. Entre as causas mais comuns estão as sequelas de um infarto, que danificam o músculo cardíaco, ou problemas nas válvulas do coração, que comprometem o fluxo sanguíneo adequado.
Além disso, doenças crônico-degenerativas como o diabetes e a hipertensão arterial desempenham um papel significativo. “Também pode se manifestar quando uma válvula do coração está doente, ou por doenças crônico-degenerativas, como diabetes e a hipertensão, que vão lesando lentamente o músculo do coração. Temos também algumas doenças regionais, como a doença de Chagas”, complementa o Dr. Simões.
Essas condições, ao longo do tempo, enfraquecem o coração, impedindo-o de realizar sua função vital de bombear sangue eficientemente para todos os tecidos do corpo. É nesse momento que os sintomas começam a aparecer. A condição é mais frequente em idosos e mulheres, grupos que devem estar ainda mais atentos aos sinais.
A importância do diagnóstico e tratamento para evitar complicações graves
A insuficiência cardíaca pode ser a primeira manifestação de diversas doenças graves, o que sublinha a urgência de um diagnóstico preciso. Sem o tratamento adequado, os pacientes podem enfrentar múltiplas internações hospitalares devido a descompensações. O risco de mortalidade é alarmante, variando de 30% a 50% ao longo de cinco anos, conforme alerta Marcus Simões.
O diagnóstico é feito principalmente por meio do exame clínico realizado pelo médico, que pode ser confirmado por exames complementares simples. Para uma diferenciação e para fechar o diagnóstico, são utilizados recursos como o raio-x de tórax, ecocardiograma (ultrassom do coração) e exames de sangue com biomarcadores específicos. Esses exames permitem avaliar a estrutura e a função do coração, identificando o grau da insuficiência.
Uma vez diagnosticada, a insuficiência cardíaca pode ser controlada com medicamentos, muitos dos quais são distribuídos gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), garantindo acesso ao tratamento para grande parte da população. No entanto, a adesão ao tratamento é fundamental. A SBC aponta que cerca de um quarto dos casos de descompensação ocorre devido à interrupção da medicação. A piora do quadro também pode ser desencadeada por infecções, arritmias, hipertensão não controlada, novos infartos e miocardite.
Reabilitação cardíaca e a evolução das diretrizes de tratamento no Brasil
Além da terapia medicamentosa, a reabilitação física desempenha um papel essencial no controle da doença e na melhoria da qualidade de vida dos pacientes. A atividade física, quando supervisionada e adequada, beneficia tanto o coração quanto a musculatura esquelética. O objetivo é aliviar os sintomas, tratar a insuficiência cardíaca e a doença de base que a originou, permitindo que o paciente retome uma rotina com exercícios graduados e progressivos.
Essas e outras orientações estarão presentes na nova diretriz brasileira para o tratamento da insuficiência cardíaca, que será lançada em outubro. O documento, que reunirá as evidências científicas mais atuais, servirá como um guia para a prática clínica dos médicos em todo o país. A apresentação oficial ocorrerá durante o 81º Congresso Brasileiro de Cardiologia, no Rio de Janeiro, marcando um avanço importante na abordagem e manejo da doença no Brasil.
A conscientização sobre a insuficiência cardíaca e seus sintomas é um passo vital para a saúde da população. Ao reconhecer os sinais e buscar atendimento médico, é possível obter um diagnóstico precoce e iniciar o tratamento adequado, garantindo uma melhor qualidade de vida e reduzindo os riscos associados a essa condição. Para mais informações sobre saúde e bem-estar, continue acompanhando o Rádio Cachoeiro FM, seu portal multitemático de notícias que oferece informação relevante, atual e contextualizada para você e sua família. Acesse Agência Brasil para mais notícias de saúde.