O presidente do Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) da Bolívia, Rómer Saucedo, determinou que a investigação sobre o atentado contra a advogada e ativista política Nadia Beller, de 33 anos, não seja mantida sob sigilo. A decisão atende a um pedido da própria vítima, que busca transparência e acesso pleno aos autos do processo que apura a tentativa de homicídio ocorrida na última segunda-feira (17), em Santa Cruz de la Sierra.
Contexto do atentado e desdobramentos judiciais
Nadia Beller foi alvo de disparos à queima-roupa enquanto estava na calçada de um hotel. Segundo o Ministério Público, a ativista foi atingida por três tiros, localizados no pescoço, no tórax e no braço direito. O caso gerou forte repercussão internacional, especialmente pela figura do principal suspeito, o estrategista político argentino Fernando Cerimedo, de 45 anos.
Saucedo enfatizou que o juiz da causa tem a obrigação de atender prontamente às solicitações dos promotores para garantir celeridade. “Instruí ao juiz da causa que não declare o processo confidencial, para que ela possa ter acesso a todas as informações e para que lhe sejam fornecidas todas as garantias necessárias”, afirmou o magistrado. O presidente do TSJ solicitou ainda empenho máximo ao Tribunal de Justiça de Santa Cruz de la Sierra para o esclarecimento do crime.
A prisão de Fernando Cerimedo e a acusação
Fernando Cerimedo, conselheiro do presidente boliviano Rodrigo Paz e ex-estrategista de campanha de Javier Milei, foi detido na terça-feira (18) no Aeroporto Internacional Viru Viru. Ele tentava embarcar para a Argentina no momento da abordagem da Força Especial de Combate ao Crime. O Ministério Público boliviano, representado pelo fiscal-geral Roger Mariaca Montenegro, prepara o pedido de prisão preventiva por até 180 dias, sob a acusação de tentativa de feminicídio.
A ativista Nadia Beller, que afirma estar grávida de poucos meses, aponta Cerimedo como o mandante do crime. Em depoimentos concedidos ainda no leito hospitalar, ela relatou que foi ao hotel para encontrar uma fonte que prometera provas contra o ex-presidente Evo Morales. Segundo Beller, Cerimedo a incentivou a comparecer ao local, garantindo que haveria segurança, o que ela classifica agora como uma mentira.
Repercussão política e histórico do suspeito
O presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, manifestou-se por meio de redes sociais na quarta-feira (19), exigindo uma investigação “profunda, transparente e exaustiva”. O mandatário assegurou que o governo fornecerá proteção à vítima e que o processo correrá com total independência.
A defesa de Cerimedo nega qualquer envolvimento no atentado, classificando a acusação como uma perseguição política. O nome de Cerimedo é conhecido em diversos países da América Latina. Conforme reportagem da The Economist, ele é frequentemente associado ao movimento MAGA, de Donald Trump. No Brasil, o consultor ganhou notoriedade em 2022 ao disseminar desinformação sobre as urnas eletrônicas após o segundo turno das eleições presidenciais, o que resultou em seu indiciamento pela Polícia Federal por tentativa de abolir o estado democrático de direito após os atos de 8 de janeiro de 2023.
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