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Festival Pacto das Pretas impulsiona liderança feminina negra em debates estratégicos

Festival Pacto das Pretas impulsiona liderança feminina negra em debates estratégicos
© Fábio Carmona/Divulgação

O cenário da equidade racial e de gênero no Brasil ganhou destaque com a realização do Festival Pacto das Pretas, um evento que, em sua quinta edição em 2026, se consolida como um marco na discussão sobre o papel da mulher negra em posições de decisão. Organizado pelo Pacto de Promoção da Equidade Racial (PER), o festival se desdobrou em três importantes capitais brasileiras: Salvador, Rio de Janeiro e São Paulo, reunindo cerca de 1,5 mil líderes para um profundo debate sobre governança corporativa e diversidade.

O segundo dia do encontro ocorreu no Museu de Arte do Rio (MAR), na última segunda-feira, 21 de julho, sob o conceito central de Movimento: Mulheres Negras Criando. Este evento não apenas celebra a força e a resiliência das mulheres negras, mas também as posiciona como agentes transformadoras essenciais para o desenvolvimento econômico e social do país. A iniciativa do PER, que atua como uma plataforma nacional de impacto socioeconômico, conta com o apoio de grandes empresas e busca implementar um Protocolo ESG Racial, contando com 85 organizações signatárias.

A ascensão da mulher negra em espaços de poder

A importância de solidificar a presença de mulheres negras em postos de decisão estratégicos, tanto na economia quanto na tecnologia, foi um dos pilares do festival. Wânia Sant’Anna, historiadora e presidente do Conselho Deliberativo do Pacto de Promoção da Equidade Racial, enfatizou a relevância de um evento focado especificamente na prática e na visão de mulheres negras atuantes no mercado de trabalho.

“O festival tem esse objetivo de trazer, em um evento desenhado para isso, a visão, a opinião e a prática de mulheres negras que têm atuado no terreno do trabalho. Não é um evento de saúde e de educação. É um evento em que a grande pauta é empregabilidade, empreendedorismo, economia e empoderamento para estar nesses lugares”, destacou Sant’Anna em entrevista. Ela ressaltou ainda a necessidade de abordar os processos discriminatórios que muitas empresas ainda mantêm, minimizando oportunidades e entregas dessas profissionais.

A escritora e comunicadora Luna Vitrolira, participante do encontro, reforçou a ideia de que a liderança feminina negra é, por natureza, um ato coletivo. “Quando uma mulher negra lidera, dificilmente caminha sozinha. Ela abre caminhos, compartilha oportunidades e inspira outras mulheres a acreditarem que também podem ocupar espaços de poder e decisão. Incentivar essa liderança é investir em um futuro mais justo, mais próspero e mais representativo para toda a sociedade”, afirmou, sublinhando o efeito multiplicador dessa ascensão.

Ferramentas e iniciativas para o antirracismo corporativo

Um dos lançamentos de destaque desta edição foi a Plataforma Black Hub, apresentada em 17 de junho, em São Paulo. Descrita como um “ecossistema digital direcionado à educação antirracista, cultura e aceleração profissional”, a plataforma é um projeto viabilizado pela Lei Rouanet e apoiado por marcas como Banco Itaú, Caixa Capitalização, Bayer e Fujifilm. Ela oferece um ambiente interativo para projetos cruciais na luta por equidade.

Entre as iniciativas da Black Hub, destacam-se a Cartilha ESG Racial, desenvolvida em parceria com o Grupo de Institutos, Fundações e Empresas (Gife). Esta publicação oferece diretrizes práticas e indicadores para que o setor corporativo possa integrar a pauta antirracista de forma estratégica em suas práticas de gestão, governança e impacto social. Outra ferramenta vital é a Cartilha de Enfrentamento à Violência, liderada por Wânia Sant’Anna e elaborada com o escritório Daniel Law, que reúne recomendações e referências legais para apoiar empresas na prevenção e proteção às mulheres.

No campo cultural, o livro Vozes que Ocupam, com 16 crônicas inéditas, celebra a contribuição de importantes lideranças negras da cultura, comunicação e educação, como Djamila Ribeiro, Rodrigo França e Isabel Fillardis, ampliando a narrativa e a representatividade.

Impacto e a celebração do Dia da Mulher Negra

A escolha do mês de julho para o festival não foi aleatória, coincidindo com a celebração do Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, em 25 de julho. Wânia Sant’Anna frisou a oportunidade de debater o tema em uma semana tão simbólica, reforçando a conexão entre o evento e a luta histórica por reconhecimento e direitos.

Luna Vitrolira, ao compartilhar sua experiência, destacou a importância do encontro e da memória como ferramentas de mudança. “Eu venho do Nordeste, de Pernambuco, de uma tradição em que a palavra é encontro, é memória e também é ferramenta de mudança. Aprendi que a voz tem o poder de reunir pessoas, criar pontes e abrir caminhos”, contou. Ela enfatizou que é possível falar de negócios, inovação e desenvolvimento sem perder a sensibilidade e o afeto, elementos essenciais para um futuro mais inclusivo.

A recepção do público confirmou a grande demanda por espaços como o Pacto das Pretas, onde mulheres podem compartilhar experiências, criar conexões e se reconhecer nas histórias umas das outras. O festival, segundo Vitrolira, lembra que o desenvolvimento vai além do crescimento econômico, abrangendo o acesso à informação, o fortalecimento de redes e a ampliação da confiança para ocupar espaços de decisão.

Formando as lideranças do futuro

O festival também se destaca como um polo para a atração de talentos, especialmente através do Programa Pacto Transforma. Esta iniciativa nacional seleciona 30 executivas seniores de diversas regiões do Brasil, oferecendo imersão presencial e acelerando suas competências em alta governança. O objetivo é prepará-las estrategicamente para assumir assentos em conselhos e cargos de C-Level, as mais altas posições executivas.

A presença desse grupo qualificado no festival reforça seu papel como um hub de networking e atração de talentos para posições de liderança no país, conectando diretamente essas executivas de elite a diretores de sustentabilidade e CEOs de organizações parceiras. É um movimento contínuo que visa não apenas debater, mas efetivamente transformar o panorama da liderança corporativa no Brasil, tornando-o mais diverso e equitativo.

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