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Estudo da Fundação do Câncer revela perigos do melanoma que não surge na pele

Estudo da Fundação do Câncer revela perigos do melanoma que não surge na pele
© Marcelo Camargo/Agência Brasil

O melanoma, um dos tipos mais agressivos de câncer, nem sempre se manifesta na pele. Essa é a principal conclusão de um estudo recente da Fundação do Câncer, que alerta para os riscos de neoplasias malignas que surgem em outras partes do corpo, muitas vezes passando despercebidas ou sendo diagnosticadas tardiamente. A pesquisa, detalhada na 12ª edição do boletim Análises e Tendências em Câncer, enfatiza a necessidade de ampliar o conhecimento sobre a doença para além de suas manifestações cutâneas.

Com origem nas células produtoras de melanina, os melanócitos, o melanoma pode se desenvolver em estruturas extracutâneas, como os olhos, as mucosas da cavidade oral e até mesmo em órgãos internos dos sistemas genital e digestório. Embora menos frequente, essa forma da doença é considerada mais agressiva e letal, dada a sua maior propensão a provocar metástase e se espalhar rapidamente para tecidos e órgãos vizinhos.

Melanoma além da pele: a face oculta da doença

O boletim da Fundação do Câncer, intitulado sugestivamente Melanoma: nem sempre na pele, sublinha que a compreensão aprofundada sobre este tipo de câncer é o ponto de partida fundamental para enfrentá-lo. A publicação reforça a máxima de que “para enfrentar o câncer, não basta tratar. É preciso conhecer. Conhecer para prevenir, diagnosticar mais cedo, planejar melhor os serviços de saúde e orientar políticas públicas capazes de salvar vidas”.

Anualmente, as edições do boletim oferecem um panorama epidemiológico da doença no Brasil, com o objetivo de conscientizar a sociedade e guiar profissionais de saúde sobre a importância da prevenção, do diagnóstico precoce e do combate eficaz ao câncer. Os dados que embasam o estudo são coletados e analisados pela plataforma info.oncollect, um sistema robusto que integra registros hospitalares de oncologia em todo o país.

Diagnóstico e tratamento: desafios e avanços no combate ao melanoma

O enfrentamento do melanoma, seja ele de pele ou extracutâneo, exige uma abordagem multifacetada. Conforme destaca Alfredo Scaff, consultor médico da Fundação do Câncer e coordenador do estudo, é crucial investir em prevenção, diagnóstico precoce, qualificação dos registros, acesso oportuno ao tratamento e uma articulação eficiente entre diversas especialidades médicas, como dermatologia, oftalmologia e oncologia.

“Controlar o câncer é realizar o diagnóstico da forma mais precoce possível, iniciar o tratamento da forma mais oportuna para que as pessoas se tratem e se curem do câncer. O câncer é uma doença que tem cura quando diagnosticado e tratado precocemente”, explica Scaff. No Sistema Único de Saúde (SUS), o tratamento padrão para o melanoma envolve a cirurgia da lesão primária e a remoção dos linfonodos (gânglios linfáticos) afetados.

Entre 2014 e 2023, a cirurgia representou o principal tratamento inicial para o melanoma de pele em todas as regiões brasileiras, alcançando 84,7% de todos os procedimentos registrados. A Região Sudeste liderou com 89,6% dos casos, enquanto a Região Norte apresentou o menor percentual, com 64,4%. A análise também revelou um “importante gargalo de acesso à assistência especializada”, especialmente na Região Centro-Oeste, onde 20,2% dos pacientes precisaram se deslocar para outras localidades em busca de tratamento oncológico.

Novas terapias e a barreira do custo

Além da cirurgia, a quimioterapia é amplamente utilizada no tratamento de melanomas, conforme ressalta o Instituto Nacional de Câncer (Inca). Nos últimos anos, houve avanços significativos com a aprovação de novas terapias. Em 2016, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou no Brasil o uso de medicamentos da classe anti-PD-1, como nivolumabe e pembrolizumabe. Mais recentemente, o tebentafuspe foi aprovado especificamente para o melanoma ocular metastático ou inoperável.

Em 2020, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) deu um passo importante ao aprovar a primeira imunoterapia no SUS para o tratamento do melanoma metastático, utilizando os agentes nivolumabe e pembrolizumabe. Alfredo Scaff comemora a chegada desses medicamentos de ponta, que “aumentaram a taxa de resposta aos tratamentos oncológicos, elevando expressivamente a sobrevida de pacientes com melanoma avançado ou em fase metastática”. Ele destaca que a melhora clínica saltou de menos de 10% com quimioterapia para até 70% com imunoterapia, um avanço “revolucionário”.

Contudo, Gélcio Mendes, coordenador de Assistência do Inca, aponta que, para o tratamento do melanoma extracutâneo, as evidências sobre o uso de imunoterapia ainda são escassas, e em muitos casos, sem efetividade comprovada. O Inca esclarece que novas tecnologias no tratamento de neoplasias geralmente se somam às terapias antigas eficazes, em vez de substituí-las. A incorporação de novas tecnologias depende de fatores como a magnitude do benefício, o desempenho no mundo real, a relação custo-benefício e a capacidade de financiamento do sistema.

Apesar dos avanços terapêuticos, o alto custo desses medicamentos inovadores continua sendo uma barreira significativa para que pacientes dependentes do SUS tenham acesso à imunoterapia em tempo hábil. Para superar esse desafio financeiro, Alfredo Scaff sugere a compra centralizada de insumos pelo Ministério da Saúde e órgãos relacionados, articulada a uma política de industrialização da saúde com o Complexo Econômico-Industrial da Saúde (CEIS), visando obter produtos com valores mais acessíveis junto ao mercado farmacêutico.

Manter-se informado sobre os avanços e desafios no combate ao câncer é essencial para a saúde pública e individual. O Rádio Cachoeiro FM está comprometido em trazer informações relevantes, atuais e contextualizadas para você. Continue acompanhando nosso portal para mais notícias e análises aprofundadas sobre saúde e outros temas de interesse que impactam a sua vida e a comunidade.

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