Um levantamento recente do 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado em julho de 2026, acende um alerta sobre a escalada da violência em algumas regiões do país. Os dados, que compilam as ocorrências criminais registradas em 2025, apontam que as dez cidades com as maiores taxas de Mortes Violentas Intencionais (MVI) por 100 mil habitantes estão concentradas na região Nordeste do Brasil. Este cenário sublinha a complexidade dos desafios enfrentados pelas autoridades e pela sociedade civil no combate à criminalidade.
O relatório, produzido pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, é uma ferramenta crucial para entender a dinâmica da violência no país. A concentração de cidades nordestinas no topo do ranking das mais violentas reforça a necessidade de políticas públicas focadas e integradas para a região, que historicamente lida com disparidades sociais e econômicas que podem ser catalisadoras de conflitos e criminalidade.
O Cenário das Cidades Mais Violentas no Nordeste
A pesquisa detalha que a Bahia é o estado com o maior número de municípios na lista, com cinco cidades, seguida pelo Ceará, com três. Pernambuco e Paraíba também figuram no ranking, cada um com um representante. A categoria de Mortes Violentas Intencionais (MVI) abrange uma série de crimes graves, incluindo homicídio doloso, feminicídio, roubo seguido de morte (latrocínio), lesão corporal seguida de morte, mortes decorrentes de intervenções policiais e óbitos de policiais tanto em serviço quanto fora do horário de trabalho.
A lista das dez cidades com as maiores taxas de MVI por 100 mil habitantes, conforme o anuário, é a seguinte:
- Maranguape (CE) – (100,3)
- Eunápolis (BA) – (85,1)
- Maracanaú (CE) – (80,7)
- Porto Seguro (BA) – (71,2)
- Simões Filho (BA) – (58,1)
- Jequié (BA) – (57,4)
- Caucaia (CE) – (56,6)
- Cabo de Santo Agostinho (PE) – (55,1)
- Santa Rita (PB) – (50,9)
- Juazeiro (BA) – (55,8)
Os números revelam uma realidade preocupante, com Maranguape, no Ceará, liderando o ranking nacional com uma taxa de mortes que supera em cinco vezes a média do país. Essa concentração geográfica da violência sugere fatores regionais específicos que precisam ser compreendidos e abordados.
A Influência do Tráfico de Drogas na Criminalidade
De acordo com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o principal motor por trás dos elevados índices de violência nessas cidades é a intensa disputa entre grupos criminosos pelo controle do tráfico de drogas. A localização estratégica de muitos desses municípios os torna alvos de organizações que buscam dominar rotas de escoamento e distribuição de entorpecentes.
Maranguape, por exemplo, tornou-se um ponto de interesse para facções devido à sua proximidade com importantes eixos rodoviários, como a BR-22 e a CE-065. Sua vizinha, Maracanaú, também na lista das mais violentas, beneficia-se da proximidade com o Aeroporto Internacional de Fortaleza, o que facilita a logística do tráfico. Essas características geográficas transformam essas cidades em nós críticos para as redes criminosas, intensificando os conflitos.
Eunápolis, no extremo sul da Bahia, que ocupa a segunda posição no ranking com uma taxa de 85,1 casos por 100 mil habitantes, ilustra bem essa dinâmica. A cidade, que nem sequer figurava entre as 20 mais violentas no anuário anterior, viu sua situação se agravar rapidamente. Cortada por duas rodovias nacionais, Eunápolis representa um ponto estratégico para o transporte de drogas, o que intensifica a atuação e a disputa entre diferentes grupos faccionados na região.
Panorama Nacional da Segurança Pública em 2025
Apesar do cenário alarmante em algumas cidades do Nordeste, o 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública também trouxe um dado nacional mais otimista. O número de Mortes Violentas Intencionais (MVI) no Brasil registrou uma queda significativa, passando de 20,6 casos por 100 mil habitantes em 2024 para 19,1 casos por 100 mil habitantes em 2025. Essa redução de 8,2% representa o menor patamar desde 2012, ano em que o índice começou a ser monitorado.
Em termos absolutos, foram contabilizadas 40.775 mortes violentas intencionais no ano passado, em comparação com 44.127 em 2024. Essa tendência de queda nacional, embora positiva, não minimiza a urgência de intervenções nas áreas mais críticas, onde a violência persiste em níveis alarmantes. A disparidade entre a média nacional e os picos regionais demonstra que a segurança pública no Brasil é um mosaico complexo, exigindo abordagens multifacetadas e adaptadas às realidades locais.
O Rádio Cachoeiro FM segue acompanhando de perto os desdobramentos e análises sobre a segurança pública no Brasil. Para se manter informado sobre este e outros temas relevantes, com notícias atualizadas e contextualizadas, continue acessando nosso portal. Nosso compromisso é com a informação de qualidade, que permite ao leitor compreender os fatos e seus impactos na sociedade.