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Apex Partners: desvendando a atuação do grupo financeiro capixaba no mercado de precatórios

A Apex Partners, um nome cada vez mais proeminente no cenário financeiro capixaba, tem sido o centro de importantes discussões. Anteriormente conhecida como Apex Securitizadora, a empresa evoluiu significativamente, transformando-se em um grupo financeiro diversificado com múltiplas frentes de atuação. Sua presença no intrincado mercado de precatórios, em especial, levanta questões sobre seu funcionamento e seu papel na economia local e nacional.

Desde sua fundação em 2016 como Apex Securitizadora, o grupo tem demonstrado uma trajetória de expansão e diversificação. Atualmente, a Apex se autodenomina um “ecossistema de soluções financeiras”, abrangendo quatro pilares estratégicos: a Apex Gestão de Ativos, focada na administração de fundos de investimento; a Apex Capital, que se dedica ao financiamento estruturado, modalidade na qual se insere a atuação com precatórios; a Apex Securitizadora, responsável pelas operações de securitização; e a Apex Assessoria, que oferece consultoria financeira para empresas de diversos portes. Essa estrutura complexa permite à empresa atuar em diferentes camadas do mercado de capitais, oferecendo soluções que vão desde a gestão de patrimônio até a otimização de fluxos de caixa empresariais.

Para compreender a atuação da Apex no mercado de precatórios, é fundamental diferenciar seu modelo de negócios de uma instituição bancária tradicional. Enquanto bancos captam recursos por meio de depósitos de clientes e os emprestam, gerando lucro com juros, uma securitizadora opera de outra maneira. A Apex, por exemplo, adquire precatórios diretamente de credores e os revende a investidores. Nesse processo, o grupo funciona como um intermediário vital: de um lado, estão os credores do poder público – indivíduos ou empresas que, muitas vezes, aguardam anos para receber valores devidos pelo Estado ou municípios –, que buscam vender seus títulos para ter acesso rápido à liquidez. De outro, estão os investidores, que veem nesses títulos uma oportunidade de retorno financeiro futuro. A Apex adquire esses precatórios com um “deságio” (um desconto sobre o valor total do título) e os comercializa para investidores com um deságio menor, obtendo lucro na diferença.

Adhemar Neto, fundador da Apex, enfatiza essa distinção: “Não somos banco. Nós compramos e vendemos títulos”. Ele destaca que esse modelo de negócio é benéfico tanto para os credores, que encontram uma alternativa para quitar dívidas ou acessar um dinheiro que demoraria anos para ser pago, quanto para o Estado, que pode ver sua dívida pública reduzida indiretamente pela movimentação desses títulos no mercado secundário. Neto também esclarece que a empresa não faz distinção entre credores comuns e os chamados “superpreferenciais” – idosos, doentes graves ou pessoas com deficiência –, que possuem prioridade legal no recebimento de precatórios. “Qualquer tipo de precatório pode ser vendido, independentemente da sua natureza. É claro que os superpreferenciais são os mais procurados, pois existe uma previsibilidade maior do recebimento, mas não há restrição”, afirma o empresário, reiterando a legalidade e transparência das operações da Apex, prática comum em outros estados brasileiros e no âmbito do governo federal.

A atuação da Apex se insere em um contexto mais amplo de gestão de dívidas públicas. No Espírito Santo, a empresa é uma das sete contratadas pelo Governo do Estado para integrar um programa de redução de precatórios estaduais, evidenciando a relevância de seu modelo de negócio para a administração pública. A sede da companhia, situada no edifício Palácio da Praia, na Praia do Canto, em Vitória, é um ponto central de suas operações.

No entanto, a Apex também se viu recentemente no centro das atenções da Polícia Federal (PF), com a deflagração da Operação Contrato Maculado. Esta investigação apura suspeitas de fraude em contratos de precatórios firmados com o Governo do Espírito Santo. Na semana anterior, agentes da Polícia Federal realizaram buscas e apreensões na sede da empresa em Vitória, bem como no apartamento de Adhemar Neto, o fundador da Apex, resultando na apreensão de documentos e equipamentos eletrônicos.

Em resposta às investigações, a defesa da Apex e de Adhemar Neto divulgou uma nota, afirmando que “não há ilicitudes na contratação da empresa e que o trabalho é pautado pela legalidade, transparência e pelo cumprimento de todas as normas legais aplicáveis”. A nota assegura, ainda, que a Apex e seus executivos estão “à disposição das autoridades para prestar todos os esclarecimentos necessários para a rápida elucidação dos fatos”. Em um movimento para se dedicar integralmente à sua defesa e aos esclarecimentos sobre o caso, Adhemar Neto, que também preside a Samp – empresa de planos de saúde –, afastou-se temporariamente de suas funções nesta última, por um período de 120 dias.

A complexidade do mercado de precatórios e a atuação de grupos financeiros como a Apex Partners refletem a constante busca por soluções para desafios fiscais e sociais. É fundamental que a sociedade compreenda o papel desses atores no sistema financeiro e nas relações com o setor público. Para continuar acompanhando de perto os desdobramentos deste e de outros temas relevantes para a economia e a sociedade, mantenha-se informado com o Portal Rádio News. Nosso compromisso é levar a você uma reportagem aprofundada, atualizada e contextualizada, garantindo que você tenha acesso à informação de qualidade necessária para formar sua própria compreensão dos fatos.

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