O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) acionou, pela segunda vez neste ano, seu plano emergencial para gerenciar o excesso de oferta de energia no Sistema Interligado Nacional (SIN). A medida, implementada neste domingo (23) entre 11h e 13h30, visa garantir a segurança e a estabilidade da rede elétrica brasileira, sem causar interrupções no fornecimento para o consumidor final.
A decisão de suspender temporariamente a geração excedente reflete a complexidade da gestão energética do país, especialmente em períodos de menor demanda, como os fins de semana e feriados. O objetivo principal é prevenir uma sobrecarga que poderia comprometer a infraestrutura e a distribuição de energia em diversas regiões do Brasil.
Excesso de oferta e a dinâmica do sistema elétrico
A suspensão da geração de energia é uma resposta direta ao cenário de superávit energético, impulsionado, em grande parte, pelo avanço da geração distribuída. Este modelo, que inclui fontes como a energia solar fotovoltaica instalada em residências e empresas, tem crescido exponencialmente, adicionando uma camada de imprevisibilidade ao balanço entre oferta e demanda.
Durante o período de intervenção, o ONS focou na restrição de usinas do Tipo 3, que são aquelas conectadas diretamente às redes de distribuição. Este grupo abrange pequenas centrais hidrelétricas (PCHs), usinas movidas a biomassa e empreendimentos eólicos e solares de menor porte. Além disso, o operador também aplicou cortes em usinas sob seu controle direto, demonstrando uma abordagem multifacetada para equilibrar o sistema.
Precedentes e a necessidade de controle
Esta não é a primeira vez que o sistema elétrico nacional enfrenta o desafio do excesso de oferta. O primeiro acionamento do plano emergencial em 2026 ocorreu em 7 de junho, durante o feriado prolongado de Corpus Christi. Naquela ocasião, o ONS gerenciou uma redução de 1 mil megawatts (MW) entre 10h e 14h, evidenciando que a questão é recorrente e exige atenção contínua.
A aprovação do plano emergencial pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) em 2025 sublinha a urgência de ferramentas para lidar com o crescimento da geração distribuída. Um episódio marcante em agosto de 2025, no Dia dos Pais, ilustra a gravidade da situação: o excesso de energia quase levou a uma sobrecarga generalizada. Naquele dia, a geração distribuída atingiu impressionantes 37,6% da demanda nacional, forçando o ONS a cortar 98,5% da geração eólica e solar centralizada, além de reduzir a produção de hidrelétricas e termelétricas, para evitar um blecaute de grandes proporções.
Avanço da geração solar e o futuro do controle
Diante do cenário de rápida expansão da geração solar, o ONS anunciou, na última quinta-feira (20), o desenvolvimento de um sistema inovador para desligar automaticamente parte da geração distribuída em momentos críticos. Batizado de Esquema Regional de Alívio de Geração (Erag), este mecanismo prevê cortes de até 3 gigawatts (GW), divididos em três estágios de 1 GW cada.
O Erag será acionado apenas como último recurso, após todas as outras alternativas de controle terem sido esgotadas. Um projeto-piloto está programado para ser implementado até o final de 2026 em uma distribuidora, e, caso os testes sejam bem-sucedidos, a expectativa é que a implementação em larga escala avance em 2027. A geração distribuída, que engloba micro e minigeração, já soma aproximadamente 50 GW de capacidade instalada no Brasil, e sua natureza descentralizada dificulta a observação e o controle direto pelo operador, aumentando a complexidade da gestão do sistema.
Colaboração das distribuidoras e desafios regulatórios
A Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee) confirmou que as distribuidoras estão prontas para seguir as diretrizes do ONS na execução do plano emergencial. Contudo, a entidade ressaltou a importância de procedimentos mais detalhados e critérios claros para a definição dos cortes. Essa clareza é fundamental para proporcionar segurança operacional e jurídica aos geradores, garantindo que as ações sejam transparentes e justificáveis.
A gestão do sistema elétrico brasileiro, com a crescente participação de fontes renováveis e da geração distribuída, exige uma constante adaptação e aprimoramento das estratégias de operação. A capacidade de equilibrar a oferta e a demanda, especialmente em um país de dimensões continentais como o Brasil, é crucial para a manutenção da segurança energética e para o desenvolvimento sustentável.
Para continuar acompanhando as últimas notícias sobre energia, economia e outros temas relevantes para o seu dia a dia, acesse o portal Rádio Cachoeiro FM. Nosso compromisso é com a informação de qualidade, atualizada e contextualizada, oferecendo uma cobertura completa dos fatos que impactam a sua vida e a sua região.