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Estudo brasileiro recruta 8,5 mil voluntários para testar polipílula contra AVC e doenças do coração

Estudo brasileiro recruta 8,5 mil voluntários para testar polipílula contra AVC e doenças do coração
© Imagem de Arquivo/Agência Brasil

O Acidente Vascular Cerebral (AVC) figura como uma das principais causas de morte e incapacidade no Brasil e no mundo, um cenário que mobiliza a comunidade científica em busca de soluções mais eficazes de prevenção. Nesse contexto, uma iniciativa pioneira de pesquisa brasileira está em pleno andamento, recrutando 8,5 mil voluntários para testar a primeira polipílula nacional desenvolvida para combater o AVC e outras doenças cardiovasculares. O estudo, que teve início no final de 2025, promete um acompanhamento rigoroso dos participantes por um período de três a quatro anos, visando gerar evidências robustas para futuras políticas públicas de saúde.

A relevância dessa pesquisa é amplificada pelos números alarmantes: no ano passado, 89.490 brasileiros perderam a vida devido ao AVC, conforme dados do Portal da Transparência do Registro Civil. Globalmente, a Organização Mundial do AVC projeta um aumento de até 50% nas mortes pela doença nas próximas décadas, saltando de 6,6 milhões em 2020 para cerca de 9,7 milhões em 2050. Diante desse panorama, a busca por métodos preventivos inovadores e acessíveis torna-se uma prioridade incontornável para a saúde pública.

Avanço na Prevenção do AVC com a Polipílula Brasileira

A polipílula em questão representa um avanço significativo na estratégia de prevenção, ao combinar três medicamentos essenciais em uma única dose: a rosuvastatina 10 mg, eficaz no controle do colesterol, e dois anti-hipertensivos, a valsartana 80 mg e a anlodipina 5 mg. Essa formulação simplifica o tratamento e pode melhorar a adesão dos pacientes, um fator crucial para a eficácia preventiva a longo prazo.

Os pesquisadores do Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre, lideram o estudo em parceria com o Ministério da Saúde, por meio do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS). A colaboração se estende a unidades de atenção primária à saúde e secretarias de saúde em diversas regiões do país, garantindo uma abrangência nacional. A neurologista Sheila Martins, chefe do Serviço de Neurologia e Neurocirurgia do Hospital Moinhos de Vento, coordena o projeto e enfatiza a importância da participação popular para a credibilidade dos resultados.

Uma fase inicial de testes em humanos, realizada entre 2020 e 2023 com 370 pessoas em Porto Alegre, já demonstrou resultados promissores. Considerada bem-sucedida, essa etapa piloto indicou que a polipílula é bem tolerada e eficaz na redução da pressão arterial e do colesterol, abrindo caminho para a fase de expansão atual.

Critérios e Abrangência do Estudo Nacional

Para participar da pesquisa, os voluntários devem ter entre 50 e 75 anos, nunca ter sofrido um AVC ou infarto e não fazer uso contínuo de medicamentos para colesterol, hipertensão ou diabetes. A participação é totalmente gratuita e inclui um acompanhamento médico periódico por uma equipe especializada, garantindo cuidado e monitoramento contínuos da saúde dos participantes.

O recrutamento e o acompanhamento dos voluntários estão sendo realizados em 14 centros de AVC distribuídos por nove estados brasileiros: São Paulo, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Minas Gerais, Distrito Federal, Bahia, Pernambuco e Acre. A equipe de pesquisa está em processo de recrutamento de outros centros em todo o país, ampliando ainda mais o alcance do estudo.

Os participantes serão divididos aleatoriamente em dois grupos: um receberá a polipílula com a medicação ativa, enquanto o outro receberá um placebo, uma polipílula sem os componentes farmacológicos. Durante o período de acompanhamento, será avaliada a capacidade do tratamento em reduzir o risco de AVC, demência ou piora da memória. Como desfecho secundário, a pesquisa também comparará a redução do risco de infarto, insuficiência cardíaca e morte por doença circulatória.

A Importância da Prevenção e o Papel do Riscômetro

A prevenção do AVC é crucial, e a médica Sheila Martins ressalta que 90% dos casos podem ser evitados com o controle dos principais fatores de risco, sendo a hipertensão o mais significativo. O risco de AVC começa a aumentar a partir de uma pressão sistólica de 115 mmHg e diastólica de 75 mmHg. Tradicionalmente, a medicação é prescrita apenas a partir de 140 x 90 mmHg, com a recomendação inicial de mudanças no estilo de vida.

A polipílula brasileira visa preencher essa lacuna, sendo direcionada a pessoas com pressão máxima entre 121 e 139 mmHg, com idade entre 50 e 75 anos, e que possuam pelo menos um fator de risco modificável, como obesidade, sedentarismo, alimentação não saudável ou tabagismo. Este grupo, de baixo e médio risco, corresponde a cerca de 85% dos casos de AVC no mundo e tem um enorme potencial de prevenção.

Para empoderar os pacientes, o projeto inclui o aplicativo Riscômetro. A ferramenta permite calcular o risco individual de AVC, infarto ou doença circulatória e monitorar a redução desse risco. A experiência piloto mostrou que o uso do aplicativo motivou os participantes a adotar estilos de vida mais saudáveis, como aumentar a atividade física e parar de fumar, demonstrando o impacto positivo da tecnologia na promoção da saúde.

Resultados Promissores e o Futuro da Saúde Pública

Os resultados preliminares apresentados em congressos internacionais são animadores. A polipílula, com suas doses baixas de anti-hipertensivos, conseguiu reduzir a pressão arterial em 12 mmHg e o colesterol em 40 miligramas por decilitro, quedas consideradas significativas. Esses dados reforçam a expectativa de que o tratamento possa efetivamente diminuir a incidência de AVC, demência e outras doenças cardiovasculares.

Sheila Martins expressa confiança de que, em breve, essa polipílula poderá ser disponibilizada pelo Sistema Único de Saúde (SUS), o que representaria uma mudança substancial na política pública de prevenção no Brasil e globalmente. A combinação de três medicamentos em um único comprimido não só facilita a adesão ao tratamento, mas também otimiza os recursos do sistema de saúde. A formulação da polipílula foi desenvolvida por um comitê executivo nacional, liderado pela neurologista, em colaboração com um comitê internacional composto por renomados especialistas em AVC e hipertensão da Austrália, Estados Unidos e Inglaterra.

A pesquisa representa um desafio ambicioso, mas com potencial transformador para a saúde da população. Para mais informações sobre como participar, os interessados podem entrar em contato pelo telefone ou WhatsApp (51) 99935-6911.

O Rádio Cachoeiro FM se compromete a trazer sempre as informações mais relevantes e contextualizadas sobre saúde e ciência. Continue acompanhando nosso portal para ficar por dentro dos desdobramentos desta e de outras pesquisas que impactam diretamente a qualidade de vida da nossa comunidade e do país.

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