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Durigan propõe Receita Federal como centro de dados para inteligência estatal

Durigan propõe Receita Federal como centro de dados para inteligência estatal
Foto: PrintScreen/ Receita Federal/ Youtube

A Receita Federal, tradicionalmente reconhecida por suas funções de arrecadação e fiscalização, está sendo reposicionada em uma nova e estratégica visão para o Estado brasileiro. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, defendeu recentemente que o órgão deve ser encarado como uma poderosa plataforma de inteligência, capaz de ir muito além da mera coleta de tributos.

A proposta, apresentada durante a abertura do 4º Congresso de Direito Tributário e Aduaneiro, nesta quarta-feira (14), ressalta o imenso volume de informações que o Fisco detém. Segundo Durigan, esses dados, quando analisados e utilizados estrategicamente, têm o potencial de orientar a formulação de políticas públicas mais eficazes, aprimorar os mecanismos de controle e, consequentemente, elevar a eficiência da atuação estatal em diversas frentes.

A Nova Visão da Receita Federal como Infraestrutura Crítica

Durigan enfatizou que a Receita Federal não é apenas um braço executor, mas uma infraestrutura crítica do Estado. Sua capacidade de processar e analisar informações fiscais e aduaneiras a torna um centro nevrálgico para a tomada de decisões estratégicas em diferentes esferas do governo. A visão do ministro aponta para uma transformação do papel do órgão, de um mero coletor de tributos para um parceiro essencial na governança.

O ministro delineou quatro frentes principais para essa nova abordagem, que visam maximizar o potencial da Receita:

  • Atuação como infraestrutura crítica do Estado;
  • Uso de dados para subsidiar políticas públicas;
  • Modernização da fiscalização por meio da análise de informações agregadas;
  • Incorporação de inteligência artificial.

Essa perspectiva sugere que a Receita precisa contribuir de forma mais ativa para o desenho de políticas públicas, oferecendo um panorama detalhado da realidade econômica e social do país. As informações geradas pelo órgão podem auxiliar Executivo, Legislativo, Judiciário e órgãos de controle a tomar decisões mais embasadas e estratégicas.

Dados e Inteligência Artificial na Fiscalização e Políticas Públicas

A defesa de Durigan inclui uma mudança de paradigma na fiscalização, com um foco maior no uso de dados para identificar padrões e anomalias. Em vez de uma fiscalização reativa, a proposta é por uma abordagem proativa, que utilize a análise de grandes volumes de informações para antecipar problemas e direcionar recursos de forma mais eficiente. Um exemplo prático dessa colaboração é o trabalho conjunto da Receita com a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), no monitoramento dos efeitos da desoneração de combustíveis.

A fiscalização que se busca, conforme o ministro, é aquela que “olha para o dado agregado”, aproveitando o potencial da inteligência artificial. Com a implementação da reforma tributária, o volume de dados compartilhados entre União, estados e municípios aumentará exponencialmente, ampliando ainda mais a capacidade analítica da Receita Federal. Isso permitirá uma fiscalização mais inteligente e menos intrusiva para os contribuintes regulares.

O Potencial da Inteligência no Combate à Fraude: O Caso Carbono Oculto

Para ilustrar as vastas possibilidades abertas por esse modelo de inteligência, o ministro citou a Operação Carbono Oculto. Esta investigação, que apura estruturas complexas de lavagem de dinheiro no setor de combustíveis, revelou movimentações financeiras que somam cerca de R$ 11 bilhões. A operação desvendou o uso de fintechs e de pelo menos 40 fundos de investimento para ocultação patrimonial e blindagem de recursos, dificultando a identificação dos reais controladores e da origem ilícita do dinheiro.

Mais do que os resultados em si, Durigan destacou a metodologia empregada. A análise de grandes bases de dados permitiu identificar estruturas que fogem aos padrões comuns do mercado, direcionando as investigações de forma mais precisa e eficiente. Casos como os associados à Reag e ao Banco Master, que apresentavam características atípicas, também foram mencionados como exemplos onde a inteligência de dados se mostrou crucial. Essa abordagem não apenas combate a fraude de forma mais eficaz, mas também protege o mercado e os contribuintes honestos.

Receita Federal: Rumo a um Estado Eficiente e Inteligente

A visão de Dario Durigan para a Receita Federal é de um órgão que, ao combinar análise de dados, integração de informações e inteligência artificial, pode transformar o patamar de funcionamento do Estado brasileiro. A meta é alcançar um modelo de gestão pública mais eficiente, transparente e inteligente, onde a informação é um ativo estratégico para o desenvolvimento e a justiça fiscal. Essa modernização é crucial para enfrentar os desafios complexos da economia contemporânea e garantir a sustentabilidade das políticas públicas.

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