Os resultados do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) 2025, divulgados nesta quarta-feira (5) pelo Ministério da Educação (MEC) em Brasília, trazem um panorama de recuperação para a educação brasileira. Apesar de uma melhora consistente nos indicadores de proficiência em língua portuguesa e matemática em todas as etapas de ensino, o grande desafio do país ainda reside na qualidade da aprendizagem, especialmente em fases mais avançadas.
O Saeb, um dos principais instrumentos de avaliação da educação básica no Brasil, fornece dados cruciais para o monitoramento e a formulação de políticas públicas. A análise dos dados de 2025 aponta que, embora o país tenha conseguido reverter parte dos impactos negativos da pandemia de covid-19, que afetou profundamente o ensino, a velocidade e a profundidade dessa recuperação variam significativamente entre as etapas educacionais, revelando gargalos que demandam atenção urgente.
Recuperação Pós-Pandemia na Educação Básica
Os anos iniciais do ensino fundamental (1º ao 5º ano) foram a etapa que demonstrou o avanço mais expressivo. O MEC informou que a nota padronizada do Saeb 2025 para este ciclo subiu de 5,9 para 6,2 entre os anos de 2023 e 2025. Este crescimento é um indicativo positivo de que as estratégias de recuperação e o empenho das escolas, especialmente as públicas, estão surtindo efeito.
Para os estudantes das escolas públicas nos anos iniciais, a proficiência média superou os patamares pré-pandêmicos de 2019, tanto em língua portuguesa quanto em matemática, atingindo um nível considerado adequado de aprendizagem. Isso sugere que a base da educação básica está em um caminho de reestabelecimento, o que é fundamental para o desenvolvimento acadêmico futuro dos alunos.
Desempenho por Etapa: Avanços e Persistentes Gargalos
Apesar do otimismo nos anos iniciais, o cenário se mostra mais complexo nas etapas seguintes. Nos anos finais do ensino fundamental (6º ao 9º ano), a nota padronizada registrou um aumento mais modesto, passando de 5,1 para 5,2 entre 2023 e 2025. Este resultado indica que a média de desempenho dos estudantes permanece no nível básico nas duas disciplinas avaliadas, sinalizando que as defasagens acumuladas podem estar dificultando um avanço mais robusto.
No ensino médio, a nota padronizada também cresceu 0,1 no último biênio, superando o resultado de 4,4 de 2019. Contudo, a situação da matemática nesta etapa ainda é preocupante, com os resultados permanecendo no nível abaixo do básico. A coordenadora de Políticas Educacionais da organização Todos Pela Educação, Natália Fregonesi, ressalta que muitos alunos chegam ao ensino médio com lacunas significativas de aprendizagem das etapas anteriores, o que torna urgente a priorização da aprendizagem desde o início do ensino fundamental.
Em uma escala de 0 a 500 pontos, o Saeb 2025 detalha que, no 5º ano do ensino fundamental, a avaliação em português passou de 207,6 em 2023 para 215,1 pontos em 2025. Em matemática, o salto foi de 218,3 para 227,4. A rede pública, especificamente, cresceu 3,7 pontos entre 2023 e 2025. Já no 9º ano do ensino fundamental, a média em língua portuguesa subiu de 252,9 para 256,6, e em matemática, de 249,9 para 255,3. No 3º ano do ensino médio, os resultados em língua portuguesa foram de 269,1 para 272,3, e em matemática, de 263,9 para 268,0. A rede estadual, incluindo o ensino médio tradicional e o integrado à educação profissional, também viu melhorias, com português passando de 271,7 para 275,8 e matemática de 267,3 para 271,4.
A Análise dos Especialistas e o Desafio da Matemática
Apesar da recuperação observada, especialistas em educação, como Natália Fregonesi, consideram que a melhora foi insuficiente para alterar o nível geral de aprendizagem nas etapas mais avançadas. A principal preocupação reside no avanço lento dos anos finais do ensino fundamental e do ensino médio, onde os níveis médios de aprendizagem em língua portuguesa e matemática, em grande parte, apenas retornaram aos patamares de 2019. O maior gargalo, a matemática no ensino médio, ainda não conseguiu atingir os níveis anteriores à crise sanitária de 2020.
Para Felipe Proto, vice-presidente de Educação da Fundação Lemann, os resultados da matemática evidenciam a necessidade de esforços coordenados e sustentados. Ele enfatiza que avançar nesta área exige prioridade na agenda educacional, continuidade e uma estratégia consistente na implementação de políticas públicas já existentes, como o Compromisso Nacional Toda Matemática, do Ministério da Educação.
Estratégias para Acelerar a Aprendizagem no Brasil
Diante dos desafios, o setor educacional discute a necessidade de intensificar as ações para garantir uma recuperação mais robusta e equitativa. Natália Fregonesi aponta para a importância de políticas públicas que priorizem a aprendizagem desde o início do ensino fundamental. Entre as medidas essenciais, ela lista a garantia de formação e apoio contínuo aos professores, o acompanhamento pedagógico das escolas e a implementação de estratégias eficazes de recuperação e recomposição das aprendizagens para os estudantes que apresentam dificuldades.
O ministro da Educação, Leonardo Barchini, reconhece que a queda na proficiência em matemática não é um problema exclusivo do Brasil, mas uma tendência observada em vários países de economias avançadas. Ele assegura que o Brasil está atento à questão, investindo na formação inicial e continuada de professores. Barchini mencionou a Prova Nacional Docente (PND) 2025, que demonstrou a existência de professores proficientes em matemática em número suficiente para atuar nas redes de ensino. O desafio, segundo o ministro, é garantir que as redes utilizem a PND para que esses profissionais cheguem às salas de aula, e aprimorar a formação continuada dos docentes, uma “obsessão” do MEC para elevar a proficiência em matemática no país.
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