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Tesouro Direto: vendas de títulos públicos alcançam segundo maior volume histórico em junho

Tesouro Direto: vendas de títulos públicos alcançam segundo maior volume histórico em junho
© REUTERS/Adriano Machado/Proibida reprodução

As vendas de títulos públicos federais a pessoas físicas, realizadas por meio do programa Tesouro Direto, registraram em junho o segundo maior volume da história. O resultado, divulgado nesta terça-feira (28) pelo Tesouro Nacional, reflete um cenário de crescente interesse dos investidores, impulsionado pela introdução de novos produtos e pela persistência de taxas de juros elevadas no país.

No mês passado, o Tesouro Direto comercializou R$ 14,76 bilhões em papéis, um valor que se aproxima do recorde histórico estabelecido em março, quando as vendas atingiram R$ 14,79 bilhões. A diferença de apenas R$ 30 milhões sublinha a força do programa no atual panorama econômico brasileiro, evidenciando a confiança dos investidores na segurança e rentabilidade dos títulos públicos.

Crescimento expressivo e fatores de atração

O volume de vendas em junho representou um aumento significativo de 44,51% em comparação com maio, quando o total foi de R$ 10,22 bilhões. A escalada é ainda mais notável ao se comparar com junho do ano passado, registrando um crescimento de 156,03%. Esse desempenho robusto é atribuído, em grande parte, à atratividade dos títulos vinculados aos juros básicos, que responderam por 54,5% do total das vendas.

A alta taxa Selic, que no período estava em 14,25% ao ano, tornou os papéis pós-fixados extremamente convidativos. Além disso, a expectativa de elevação da inflação oficial nos próximos meses também direcionou investidores para títulos corrigidos pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que representaram 34,3% das vendas. Os títulos prefixados, com juros definidos no momento da emissão, totalizaram 16,7%.

Preferências dos investidores e o papel dos novos títulos

Entre os títulos mais procurados, as tradicionais Letras Financeiras do Tesouro (LFT) se destacaram, somando R$ 4,16 bilhões, o equivalente a 28,2% do total. Contudo, a grande novidade foi o Tesouro Reserva, um título indexado aos juros básicos que simula a funcionalidade das “caixinhas” de bancos digitais, que captou R$ 2,09 bilhões, ou 14,2% das vendas.

Outros títulos lançados recentemente, como o Tesouro Renda+, destinado ao financiamento de aposentadorias e introduzido no início de 2023, responderam por 4,6% das vendas. Já o Tesouro Educa+, criado em agosto de 2023 com o objetivo de financiar uma poupança para o ensino superior, atraiu 2% dos investidores. A diversificação de produtos tem sido uma estratégia eficaz para atender a diferentes perfis e objetivos financeiros.

Expansão da base de investidores e perfil de aplicação

O Tesouro Direto continua a expandir sua base de participantes. Em junho, 261.877 novos investidores aderiram ao programa, elevando o total de cadastrados para 35.853.678. Nos últimos 12 meses, o número de investidores ativos, ou seja, com operações em aberto, cresceu 21,19%, atingindo 3.689.486. Esse crescimento demonstra a crescente popularização do investimento em títulos públicos entre a população.

A acessibilidade do programa é evidenciada pela alta participação de pequenos investidores: 75,4% das 1.530.276 operações de vendas em junho foram de até R$ 5 mil, e as aplicações de até R$ 1 mil representaram 50,7% do total. O valor médio por operação foi de R$ 9.648,34. Quanto ao prazo, os investidores demonstraram preferência por papéis de médio prazo, com vendas de títulos entre cinco e dez anos representando 45,7% do total. As operações com prazo de até cinco anos corresponderam a 37,9%, e os papéis de mais de dez anos, 16,4%.

O Tesouro Direto como ferramenta de captação e investimento

Criado em janeiro de 2002, o Tesouro Direto democratizou o acesso de pessoas físicas à compra de títulos públicos diretamente do Tesouro Nacional, via internet, eliminando a necessidade de intermediação de agentes financeiros complexos. O aplicador arca apenas com uma taxa para a B3, a bolsa de valores brasileira, descontada nas movimentações dos títulos. Mais informações detalhadas podem ser obtidas na página oficial do Tesouro Direto.

Para o governo, a venda de títulos é uma das principais formas de captar recursos para financiar a dívida pública e honrar compromissos orçamentários. Em contrapartida, o Tesouro Nacional se compromete a devolver o valor investido com um adicional, cuja rentabilidade pode ser atrelada à Selic, a índices de inflação, ao câmbio, ou ser definida antecipadamente no caso dos papéis prefixados. O estoque total do Tesouro Direto alcançou R$ 262,47 bilhões no fim de junho, um aumento de 4,57% em relação ao mês anterior e de 45,53% em comparação com junho do ano passado, impulsionado pela correção de juros e pelo fato de as vendas terem superado os resgates em R$ 10,1 bilhões.

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