O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elevou o tom das críticas à política de segurança pública do Brasil. Em um documento oficial enviado ao Congresso norte-americano na última terça-feira (15), o mandatário afirmou que o governo brasileiro falhou no enfrentamento às facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV). O texto, que detalha a avaliação dos EUA sobre o combate ao narcotráfico global para o ano fiscal de 2027, aponta o país como um ponto estratégico para o escoamento de entorpecentes.
Segundo o documento, enquanto outras nações do Hemisfério Ocidental teriam adotado medidas rigorosas para conter o fluxo de drogas, o Brasil não teria conseguido neutralizar as organizações que Trump classificou como terroristas. O presidente norte-americano enfatizou que o PCC e o CV transformaram o território brasileiro em um centro logístico para a distribuição global de cocaína, representando uma ameaça crescente à segurança internacional. O governo dos EUA, por meio do Departamento de Estado, já havia formalizado a designação dessas facções como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO) em junho de 2026.
Impacto da designação como terrorismo
A classificação das facções brasileiras como organizações terroristas não é apenas retórica. A medida, baseada na seção 219 da Lei de Imigração e Nacionalidade dos Estados Unidos, amplia significativamente o leque de sanções e instrumentos de inteligência que as autoridades norte-americanas podem utilizar contra indivíduos e entidades vinculadas a esses grupos. Na época da implementação da norma, o secretário de Estado, Marco Rubio, destacou que as redes criminosas brasileiras operam além das fronteiras nacionais, exigindo uma resposta coordenada.
O governo brasileiro, por sua vez, mantém uma postura de contestação a essa classificação. Em manifestações anteriores, autoridades nacionais reiteraram que o combate ao crime organizado é uma questão de soberania e deve ser conduzido pelas forças de segurança do Brasil, com cooperação internacional pautada pelo respeito às leis locais. O Ministério das Relações Exteriores foi procurado para comentar a recente declaração de Trump, mas até o fechamento desta reportagem, não houve posicionamento oficial.
Geopolítica e alinhamentos regionais
O relatório de Trump revela uma clara distinção no tratamento diplomático entre os países da região. Enquanto o Brasil e a Nicarágua foram alvos de críticas diretas, nações com governos alinhados à atual gestão da Casa Branca receberam elogios. O presidente norte-americano destacou positivamente as gestões de Abelardo de la Espriella, na Colômbia, Rodrigo Paz, na Bolívia, e Keiko Fujimori, no Peru, citando o compromisso desses líderes com campanhas mais agressivas contra o narcotráfico.
Apesar das críticas, o Brasil não foi incluído na lista de países que “falharam de maneira demonstrável” em cumprir obrigações internacionais contra o tráfico, categoria que inclui nações como Venezuela e Colômbia. O país também não consta no rol dos principais produtores ou locais de trânsito de drogas ilícitas, conforme o levantamento oficial dos EUA. A lista de monitoramento é extensa e engloba países como México, China, Haiti e Peru, refletindo a complexidade das rotas do crime organizado global.
Desafios globais no combate ao fentanil
Além do cenário sul-americano, o documento de Trump reforça a pressão sobre o México e o Canadá, exigindo maior controle sobre o fentanil e produtos químicos precursores. O presidente cobrou medidas mais enérgicas da China, principal fornecedora mundial de insumos químicos utilizados na fabricação de drogas sintéticas. Embora reconheça avanços em negociações com Pequim, o governo dos EUA sustenta que criminosos continuam encontrando brechas para contornar as regulações vigentes.
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