O Brasil registrou um aumento no número de acidentes envolvendo a rede elétrica em 2025, conforme balanço divulgado pela Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee) nesta terça-feira, 7 de julho de 2026. Os casos saltaram de 685 em 2024 para 703 no ano seguinte, acendendo um alerta sobre a segurança no manejo e proximidade com a infraestrutura energética do país.
Apesar do crescimento nas ocorrências, o levantamento apontou uma redução no número de óbitos causados por esses incidentes. Foram 257 mortes em 2024, caindo para 252 em 2025, um dado que, embora positivo, ainda reflete a gravidade dos riscos envolvidos e a necessidade contínua de conscientização e prevenção.
Cenário nacional: aumento de ocorrências e queda de óbitos
A análise da Abradee detalha um panorama complexo da segurança elétrica no Brasil. O aumento de acidentes, mesmo com a leve queda nas fatalidades, sublinha a persistência de comportamentos de risco e a necessidade de reforçar as práticas de segurança. Cristina Garambone, diretora de Comunicação e Sustentabilidade da Abradee, enfatiza que por trás de cada incidente há uma vida e uma família impactada, ressaltando a dimensão humana do problema.
A diretora observa que muitos acidentes fatais resultam de momentos de distração ou da tentativa de “dar um jeitinho” em situações que exigem conhecimento técnico. Isso inclui desde obras informais até reparos domésticos feitos sem a devida qualificação, onde a percepção de risco é frequentemente subestimada. A Abradee é categórica ao recomendar que apenas profissionais qualificados realizem trabalhos que envolvam a rede elétrica, garantindo a integridade de todos.
Construção civil e outros riscos em destaque na eletricidade
A pesquisa da Abradee revela que a construção civil permanece como a atividade com maior número de acidentes no país. Em 2025, foram 227 incidentes relacionados a obras, reformas e serviços de manutenção predial, que culminaram em 68 mortes. A proximidade de andaimes, ferramentas e materiais com fios energizados, muitas vezes sem o devido planejamento ou isolamento, transforma canteiros de obras em locais de alto risco.
Outro fator de preocupação é o crescimento dos acidentes envolvendo a operação de equipamentos de grande porte próximos à rede elétrica. Máquinas agrícolas e guindastes, por exemplo, estiveram envolvidos em 66 registros em 2025, quase o dobro do ano anterior. Essa estatística aponta para a urgência de treinamento e atenção redobrada para operadores desses equipamentos, especialmente em áreas rurais e urbanas em expansão.
As ligações clandestinas, popularmente conhecidas como “gatos” ou “macacos”, também representam um perigo significativo. Em 2025, 30 ocorrências foram atribuídas a essas intervenções irregulares, resultando em 15 mortes. Além de sobrecarregar a rede e causar prejuízos às distribuidoras, essas ligações improvisadas e sem segurança adequada expõem os usuários e a comunidade a choques elétricos e incêndios.
Lesões graves e o impacto humano dos acidentes elétricos
Apesar da redução no número de mortes, o balanço da Abradee destaca a gravidade das lesões não fatais. Em 2025, foram registradas 241 lesões graves, incluindo casos de mutilação, e outras 210 vítimas com lesões leves. Esses números reforçam a dimensão do sofrimento humano e das sequelas permanentes que os acidentes elétricos podem deixar, impactando a qualidade de vida e a capacidade de trabalho dos indivíduos.
Cristina Garambone reitera o compromisso da Abradee em “aumentar a consciência e diminuir esses números”. A meta de “zero acidente” é ambiciosa, mas reflete a seriedade com que a associação trata a segurança, buscando mobilizar a sociedade para uma mudança cultural em relação aos riscos da eletricidade.
Panorama regional: onde os riscos da eletricidade são maiores
A distribuição dos acidentes elétricos pelo Brasil em 2025 revela particularidades regionais. A Região Sudeste liderou as estatísticas, com 243 ocorrências, 78 mortes, 91 casos de lesões graves e 74 lesões leves. A construção civil foi apontada como uma das principais causas de incidentes na região, refletindo a intensa atividade urbana e o crescimento populacional.
Em seguida, o Nordeste registrou 187 acidentes, com 67 mortes, 46 lesões graves e 74 leves. Na Região Norte, foram 122 ocorrências, 50 mortes, 64 lesões graves e 8 leves, com destaque para atividades próximas à rede elétrica e intervenções irregulares. O Sul contabilizou 81 acidentes, 31 mortes, 12 lesões graves e 38 leves, mantendo a construção e manutenção predial entre os principais fatores de risco.
Por fim, o Centro-Oeste teve 70 acidentes, 26 mortes, 28 lesões graves e 16 leves, onde as atividades realizadas próximas à rede elétrica, especialmente em obras e operações com equipamentos, foram as mais relevantes. Esses dados regionais sublinham a necessidade de campanhas e ações de segurança adaptadas às realidades e desafios específicos de cada localidade.
Segurança coletiva e a campanha “Energia liga. Segurança protege”
A diretora da Abradee enfatiza que a segurança elétrica é uma responsabilidade coletiva, envolvendo distribuidoras, empresas, profissionais e a própria população. Para zerar o número de acidentes, é fundamental promover uma mudança cultural e disseminar informações claras e acessíveis sobre os perigos da eletricidade. A adesão de toda a sociedade é vista como crucial para alcançar a redução desejada nos índices de acidentes.
Nesse contexto, a Abradee promove, em 2026, a 20ª Campanha Nacional de Segurança com a Rede Elétrica, em parceria com suas 42 distribuidoras associadas. Com o tema “Energia liga. Segurança protege”, a iniciativa busca conscientizar a população sobre as situações de risco. A campanha se estenderá até setembro, ganhando reforço especial no “Agosto Vermelho”, mês dedicado à intensificação da divulgação sobre os cuidados com a rede elétrica. A mobilização abrange 99,8% da população brasileira, atendendo cerca de 212 milhões de clientes, demonstrando o amplo alcance e a importância da iniciativa para a segurança de todos.
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