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Cachaça no Brasil: número de estabelecimentos cresce 21% e atinge recorde desde 2018

Cachaça no Brasil: número de estabelecimentos cresce 21% e atinge recorde desde 2018
© Marcelo Camargo/Agência Brasil

A cachaça, bebida destilada genuinamente brasileira e símbolo cultural do país, vive um momento de expansão em sua cadeia produtiva. Dados recentes revelam um crescimento significativo no número de estabelecimentos dedicados à sua fabricação, padronização, envasamento e comercialização atacadista. Este avanço, detalhado no Anuário da Cachaça do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), aponta para um setor dinâmico, mas que também enfrenta desafios em outras frentes.

Em 2025, o Brasil registrou 1.583 estabelecimentos na cadeia produtiva da cachaça, um aumento de 272 unidades em comparação com o ano anterior, 2024. Este crescimento de 21% representa o maior índice desde 2018, consolidando uma tendência de alta que já acumula uma expansão de 61% no total de estabelecimentos nos últimos sete anos. A diversidade desses locais abrange desde pequenos alambiques artesanais até grandes indústrias, todos contribuindo para a oferta da bebida no mercado nacional e internacional.

Expansão da Cachaça: números e distribuição regional

A distribuição geográfica desses estabelecimentos reflete a tradição e a força da cachaça em diferentes regiões do país. O Sudeste lidera com folga, concentrando 961 unidades. Minas Gerais, berço de inúmeras cachaças renomadas, destaca-se com 564 estabelecimentos, seguido por São Paulo, com 230. Juntos, esses dois estados respondem por mais de 62% dos produtores, padronizadores, envasadores e atacadistas do setor.

Outras regiões também mostram sua relevância. O Sul do Brasil contabiliza 277 estabelecimentos, com o Rio Grande do Sul sendo o principal polo, com 230. O Nordeste abriga 211 unidades, enquanto o Centro-Oeste possui 70 e o Norte, 19. Essa capilaridade é evidenciada pela presença de ao menos um estabelecimento registrado pelo Mapa em 844 municípios brasileiros. Entre as cidades, Salinas, no norte de Minas Gerais, se destaca com 27 estabelecimentos, seguida de perto por Alto Rio Doce (MG), com 25, e Viçosa do Ceará (CE), com 24.

Impacto no emprego e desafios da produção

Apesar do notável crescimento no número de estabelecimentos, o setor da cachaça apresenta um cenário complexo. Em 2025, a produção da bebida manteve uma média de 6.232 postos de trabalho em todo o país, o que corresponde a 4,4% do total de empregos na indústria de fabricação de bebidas. Essa contribuição para o mercado de trabalho é fundamental, especialmente em regiões com forte tradição na produção artesanal.

Entretanto, o Anuário da Cachaça também aponta para uma contradição: o volume de produção declarado em 2025 foi de 234,48 milhões de litros, registrando uma redução de 15,77% em relação ao ano anterior. Essa queda no volume produzido, mesmo com o aumento de estabelecimentos, sugere uma possível pulverização da produção ou uma readequação do mercado. Vicente Bastos, presidente do Instituto Brasileiro da Cachaça (Ibrac), ressalta que, apesar do crescimento em número de estabelecimentos, produtos, marcas e exportações, o volume de exportação “continua em um patamar pouco expressivo, especialmente quando consideramos o tamanho do setor e o mercado internacional de destilados”.

Cachaça no mercado global e a questão da segurança

No cenário internacional, a cachaça brasileira alcançou 76 países em 2025, com exportações totalizando quase 8 milhões de litros. Esse volume representa um crescimento de 19,4% sobre o ano anterior, gerando um faturamento superior a 17 milhões. Os Estados Unidos foram o maior comprador em termos de valor, enquanto o Paraguai se destacou pelo maior volume consumido, com 1,34 milhão de litros. A expansão internacional, embora ainda modesta para o potencial da bebida, demonstra o reconhecimento crescente da cachaça como um destilado de qualidade.

A segurança e a legalidade na produção são aspectos cruciais para a cadeia produtiva. O Mapa registra 8.379 produtos de cachaça em todo o Brasil, e é ilegal a produção e comercialização da aguardente sem a devida autorização do ministério. A população é orientada a consumir apenas cachaças que exibam o número de registro do Mapa em seus rótulos. Essa medida visa proteger o consumidor de produtos clandestinos e falsificados, que podem representar sérios riscos à saúde. Casos de adulteração com metanol, como os registrados entre setembro e dezembro de 2025, reforçam a importância da fiscalização. A intoxicação por metanol pode causar cegueira irreversível, falência dos rins e até a morte, exigindo tratamento médico urgente.

O Ministério da Saúde, por sua vez, alerta que não existe quantidade segura para o consumo de qualquer bebida alcoólica. Para aqueles que enfrentam a dependência, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece tratamento gratuito por meio dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS AD) e das Unidades Básicas de Saúde (UBS), reforçando a preocupação com a saúde pública associada ao consumo de álcool.

O crescimento no número de estabelecimentos da cachaça reflete a vitalidade de um setor que é parte intrínseca da identidade brasileira. Enquanto a bebida busca consolidar seu espaço no mercado global e expandir sua presença nacional, a atenção à qualidade, à segurança e à responsabilidade social permanece essencial. Para continuar acompanhando as notícias mais relevantes, atuais e contextualizadas sobre economia, cultura e saúde no Brasil, fique ligado no Rádio Cachoeiro FM. Nosso compromisso é trazer informação de qualidade para você.

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