A disputa pelo terceiro lugar em uma Copa do Mundo frequentemente serve como um prêmio de consolação, um desfecho para a glória que escapou. Para a seleção francesa de 2026, que enfrenta a Inglaterra neste sábado (18), às 18h (horário de Brasília), em Miami (Estados Unidos), a partida representa mais do que uma medalha de bronze; é a chance de solidificar um legado. Considerada favorita ao título antes da semifinal contra a Espanha, a equipe francesa tem a oportunidade de gravar seu nome no seleto grupo de seleções que, mesmo sem erguer a taça, marcaram uma edição de Mundial com seu futebol.
A campanha da França foi, em muitos aspectos, espetacular. Com um ataque avassalador, a equipe demonstrou um poder ofensivo que cativou torcedores e especialistas. Agora, busca um final digno para uma jornada que, apesar de não ter culminado no título, já se destaca na memória dos fãs de futebol.
O brilho ofensivo e os talentos da França de 2026
A performance da França na Copa do Mundo de 2026 foi marcada por um futebol envolvente e extremamente ofensivo. A equipe encerrou sua participação no torneio com o segundo melhor ataque, balançando as redes 16 vezes em sete partidas. Para contextualizar, a Argentina, líder no quesito, marcou 19 gols, mas precisou de duas prorrogações, somando 60 minutos a mais em campo.
Individualmente, o craque Kylian Mbappé brilhou intensamente. Ele divide a artilharia desta edição com Lionel Messi, ambos com oito gols. Além disso, Mbappé persegue um feito histórico: ser o primeiro jogador desde o alemão Gerd Müller, em 1970, a marcar mais de oito vezes em um único Mundial. Em termos de recordes gerais, Messi tem 21 gols e Mbappé 20 gols em Copas, mostrando a relevância do francês já em uma idade jovem.
As estatísticas da Fifa reforçam o domínio francês: a equipe foi a que mais finalizou (120 vezes, empatada com a Espanha) e a que mais acertou o gol (50 finalizações certeiras), exigindo o máximo dos goleiros adversários. Até a semifinal, a França era a única seleção a vencer todos os seis jogos disputados sem a necessidade de prorrogação, um testemunho de sua superioridade.
A geração de talentos sob o comando de Didier Deschamps é, de fato, inigualável. Além de Mbappé, Ousmane Dembélé amadureceu a ponto de ser eleito o melhor jogador do mundo em 2025, conquistando o prêmio Bola de Ouro e o The Best da Fifa. Somando-se a eles, Michael Olise surgiu como um maestro em campo, com atuações arrebatadoras desde sua estreia há menos de dois anos.
O trio ofensivo proporcionou momentos memoráveis: Mbappé com gols espetaculares contra Senegal e Iraque; Dembélé com cinco gols, incluindo um hat-trick contra a Noruega; e Olise, que, apesar de não ter marcado, distribuiu cinco assistências – um número superado apenas por Pelé em 1970. Olise ainda esteve perto de dois golaços, um de cobertura contra o Iraque e outro de meia-bicicleta contra a Suécia, ambos parando na trave.
A disputa pelo terceiro lugar: mais que um prêmio de consolação
Apesar do brilho, a Copa de 2026 marca o pior resultado da França nas últimas três edições, após um título e um vice-campeonato. No entanto, a busca pelo terceiro lugar transcende a mera consolação. Para os jogadores, é a chance de encerrar o torneio com uma vitória, um símbolo de resiliência e a confirmação de que o esforço valeu a pena. Para a torcida, é a oportunidade de celebrar uma equipe que, mesmo sem a taça, deixou uma marca indelével com seu estilo de jogo e a qualidade de seus atletas.
A partida contra a Inglaterra é a última chance de ver essa geração em campo neste Mundial, e uma vitória pode ser o selo final para que a França de 2026 seja lembrada não apenas pelo que não conquistou, mas pelo que apresentou em campo: um futebol vibrante, ofensivo e repleto de talento.
Seleções inesquecíveis que não levantaram a taça
A história das Copas do Mundo está repleta de seleções que encantaram o público, mas não conseguiram o título. A França de 2026 pode se juntar a esse grupo seleto, que inclui equipes lendárias:
- Hungria de 1954: Liderada por Ferenc Puskás, os “Magiares Mágicos” atropelaram adversários, incluindo o Brasil (4 a 2 nas quartas), e marcaram incríveis 27 gols em cinco partidas – o melhor ataque da história das Copas. Na final, após abrir 2 a 0, sofreram a virada para a Alemanha Ocidental (3 a 2), no que ficou conhecido como o “Milagre de Berna”.
- Holanda de 1974: A “Laranja Mecânica”, comandada por Rinus Michels e o craque Johan Cruijff, revolucionou o futebol com o “Futebol Total”. Com 15 gols marcados, a equipe venceu o Brasil por 2 a 0 na semifinal, mas perdeu a final para a Alemanha Ocidental. A Holanda voltaria a ser vice em 1978, mas sem o mesmo brilho e sem Cruijff.
- Brasil de 1982: O time de Telê Santana, com Zico, Sócrates, Falcão e Júnior, é até hoje cultuado como uma das seleções mais talentosas da história. Com um “futebol arte” que encantou o mundo, a equipe venceu a Argentina de Maradona por 3 a 1, mas uma dolorosa derrota por 3 a 2 para a Itália, com três gols de Paolo Rossi, encerrou o sonho do título. Mesmo com dois jogos a menos que os finalistas, o Brasil terminou aquela Copa com o melhor ataque, com 15 gols em cinco partidas.
Assim como essas lendas, a França de 2026, com seu futebol vibrante e seus talentos individuais, tem tudo para ser lembrada por gerações, independentemente do resultado final da disputa pelo terceiro lugar. A paixão pelo esporte muitas vezes se apega mais à beleza do jogo do que à frieza dos troféus.
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