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SUS amplia acesso a detecção precoce de câncer colorretal com teste bienal

SUS amplia acesso a detecção precoce de câncer colorretal com teste bienal
© Jo Panuwat D/ Adobe Stock

O Sistema Único de Saúde (SUS) deu um passo significativo na prevenção do câncer colorretal ao incorporar o teste imunoquímico fecal (FIT, na sigla em inglês) em sua tabela de procedimentos. A medida, que entra em vigor a partir desta segunda-feira, 10 de agosto de 2026, conforme portaria publicada no Diário Oficial da União em 6 de agosto de 2026, visa fortalecer a detecção precoce de uma das doenças oncológicas mais prevalentes no Brasil.

Este novo exame será direcionado exclusivamente ao rastreamento bienal de homens e mulheres assintomáticos, com idade entre 50 e 75 anos. A iniciativa representa um avanço crucial para identificar potenciais alterações no intestino antes que a doença se manifeste de forma mais agressiva, reforçando o compromisso do SUS com a saúde pública e a qualidade de vida dos cidadãos.

A importância do rastreamento e o impacto do FIT no SUS

O câncer colorretal, que afeta o cólon e o reto, é atualmente o segundo tipo de câncer mais frequente no Brasil, desconsiderando os tumores de pele não melanoma. Dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca) projetam uma estimativa alarmante de 53,8 mil novos casos anuais para o triênio 2026-2028, sublinhando a urgência de estratégias eficazes de prevenção e detecção.

A inclusão do teste FIT no SUS é uma resposta direta a esse cenário, com o potencial de ampliar o acesso à prevenção para mais de 40 milhões de brasileiros. Em maio de 2026, o Ministério da Saúde já havia sinalizado a incorporação do teste em um novo protocolo, destacando sua sensibilidade, que varia entre 85% e 92% na identificação de possíveis alterações. Essa alta taxa de acerto é fundamental para direcionar os pacientes que realmente precisam de investigações mais aprofundadas, otimizando recursos e, principalmente, salvando vidas.

Como funciona o teste imunoquímico fecal (FIT)

O teste imunoquímico fecal (FIT) é um exame laboratorial que detecta pequenas quantidades de sangue oculto nas fezes, muitas vezes invisíveis a olho nu. A presença desse sangue pode ser um indicativo de pólipos, lesões pré-cancerígenas ou até mesmo de um câncer já estabelecido no intestino. A grande inovação do FIT, em comparação com os exames mais antigos de sangue oculto, reside no uso de anticorpos específicos para identificar exclusivamente sangue humano, o que confere ao teste uma precisão significativamente maior.

O processo é simples e conveniente para o paciente: um kit de coleta é fornecido para que a amostra seja retirada em casa. Após a coleta, o material é encaminhado para análise laboratorial. Caso o resultado seja positivo para sangue oculto, o paciente é prontamente encaminhado para exames complementares, como a colonoscopia, que permitirão um diagnóstico mais preciso e a definição do tratamento adequado. É crucial ressaltar que o procedimento não se destina à investigação diagnóstica de indivíduos que já apresentam sintomas ou suspeita clínica de câncer, mas sim ao rastreamento preventivo de assintomáticos.

Vantagens e o papel complementar da colonoscopia

A adesão a exames preventivos é um dos maiores desafios em saúde pública. O teste FIT se destaca por diversas vantagens que facilitam a participação da população. Entre elas, o Ministério da Saúde lista:

  • Não exige preparo intestinal prévio;
  • Dispensa a necessidade de uma dieta restritiva antes da coleta;
  • Pode ser realizado com apenas uma amostra de fezes;
  • É um procedimento menos invasivo em comparação com outros exames;
  • Apresenta maior adesão por parte da população devido à sua simplicidade.

Apesar das facilidades e da alta precisão do FIT, a colonoscopia continua sendo a principal ferramenta para a avaliação detalhada do intestino grosso. Este exame permite aos médicos visualizar diretamente o cólon e o reto, identificar lesões e, o que é fundamental, remover pólipos durante o próprio procedimento. A retirada de pólipos é uma medida preventiva crucial, pois muitos cânceres colorretais se desenvolvem a partir dessas lesões, e sua remoção impede a progressão para um estágio maligno. Portanto, o FIT atua como uma triagem eficaz, identificando quem precisa da colonoscopia, otimizando o uso desse recurso mais invasivo e garantindo que os pacientes certos recebam a atenção necessária no momento oportuno.

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