A noite da última terça-feira (15) marcou um capítulo importante para o futebol feminino baiano, com a Arena Fonte Nova, em Salvador, registrando um público recorde para a modalidade. Um total de 5.811 pessoas, sendo 5.758 pagantes, compareceram para assistir ao confronto entre Bahia e Corinthians, válido pela semifinal da Série A1 do Campeonato Brasileiro Feminino. Apesar da festa nas arquibancadas, o resultado em campo não foi o esperado para a torcida tricolor, com as paulistas conquistando uma vitória por 1 a 0.
O triunfo do Corinthians confere uma vantagem crucial para a partida de volta, que será disputada na próxima segunda-feira (21), às 21h30 (horário de Brasília), na Neo Química Arena, em São Paulo. As Brabas, como são conhecidas as jogadoras corintianas, agora precisam apenas de um empate para avançar à sua décima final consecutiva. Para as Mulheres de Aço do Bahia, que alcançam as semifinais pela primeira vez na história, o desafio é maior: será preciso vencer por dois ou mais gols de diferença para reverter o placar e seguir na competição.
Corinthians impõe ritmo e garante gol decisivo
Mesmo atuando fora de casa, o Corinthians demonstrou sua força e experiência desde os primeiros minutos do jogo. As paulistas adotaram uma postura ofensiva, buscando controlar as ações e criar oportunidades. A estratégia deu frutos logo aos 13 minutos do primeiro tempo, quando Belén Aquino roubou a bola de Raquel na intermediária e fez um passe preciso para Jhonson. A camisa 9 dominou a bola na área e finalizou com maestria, chutando entre as pernas da goleira Yanne, abrindo o placar para o Timão.
O Bahia tentou reagir rapidamente, e três minutos após o gol, Cássia teve uma chance promissora. Lançada na área pela esquerda por Taty Sena, a capitã das Mulheres de Aço optou por um chute rasteiro, buscando o contrapé da goleira Nicole, que conseguiu fazer a defesa. Essa foi, contudo, a oportunidade mais clara das anfitriãs na etapa inicial. Apesar de trocarem passes, as tricolores enfrentavam dificuldades para furar a defesa corintiana, enquanto as Brabas seguiam perigosas nos contra-ataques, como em um chute de Vic Albuquerque aos 37 minutos, defendido por Yanne.
Bahia reage e pressiona, mas esbarra na defesa e na trave
A segunda etapa trouxe um Bahia mais aguerrido e determinado a buscar o empate. As Mulheres de Aço voltaram do intervalo com uma postura mais ofensiva, pressionando o Corinthians e criando lances de perigo. Aos nove minutos, a torcida baiana reclamou de um possível pênalti quando a lateral Juliete, do Corinthians, derrubou Roque na área. Apesar de a defensora ter mandado a bola para escanteio, a alegação era de que ela também atingiu a jogadora. Nem a árbitra Andreza Helena de Siqueira, nem o VAR se manifestaram, gerando frustração no banco tricolor.
Pouco depois, aos 15 minutos, foi a vez do Corinthians se sentir prejudicado, pedindo a expulsão da lateral Dan após uma solada no tornozelo da zagueira Thaís Ferreira. Novamente, a arbitragem manteve a decisão de campo. A pressão do Bahia se intensificou, e aos 29 minutos, a atacante Dany Silva cobrou uma falta pela direita, quase na linha de fundo, diretamente para o gol. A bola, que buscava o ângulo esquerdo, foi heroicamente salva por Juliete, de cabeça. Aos 37, a meia Ju Oliveira assustou a meta corintiana ao arriscar de fora da área, acertando o alto da trave esquerda. Nos acréscimos, até a goleira Yanne foi para a área adversária tentar ajudar no jogo aéreo, mas o Corinthians conseguiu segurar a pressão e garantir a vantagem mínima.
Cenário para a volta e a busca pela final inédita
Com a vitória por 1 a 0, o Corinthians leva uma vantagem considerável para o jogo de volta na Neo Química Arena. A equipe paulista, acostumada a decisões, tem a experiência de quem busca a décima final consecutiva e pode jogar pelo empate. Para o Bahia, o desafio é imenso, mas não impossível. As Mulheres de Aço precisam de uma vitória por dois gols de diferença para avançar diretamente ou por um gol para levar a decisão para os pênaltis, caso o regulamento preveja.
A outra semifinal do Campeonato Brasileiro Feminino também está em andamento, com São Paulo e Flamengo disputando a outra vaga na final. No primeiro confronto, as tricolores paulistas venceram por 3 a 1 no Luso-Brasileiro, no Rio de Janeiro, e agora jogam pelo empate ou por uma derrota por um gol de diferença no jogo de volta, que acontece neste sábado (19), às 16h30, no Brinco de Ouro da Princesa, em Campinas (SP). O cenário aponta para finais emocionantes, com equipes de alto nível buscando o título nacional.
O crescimento do futebol feminino e o apoio da torcida
O recorde de público na Arena Fonte Nova para uma partida de futebol feminino é um reflexo do crescente interesse e investimento na modalidade em todo o Brasil. A presença de mais de cinco mil torcedores em Salvador demonstra o potencial de engajamento e a paixão que o esporte desperta. Esse apoio é fundamental para o desenvolvimento das equipes, a profissionalização das atletas e a consolidação do futebol feminino no cenário esportivo nacional.
A transmissão de partidas importantes, como esta semifinal pela TV Brasil, também desempenha um papel crucial na visibilidade e na popularização do esporte. Ao levar os jogos para um público mais amplo, a mídia contribui para que mais pessoas conheçam e se encantem com a qualidade técnica e a emoção das competições. O crescimento do futebol feminino é um movimento contínuo, impulsionado pelo talento das jogadoras, pela dedicação dos clubes e pelo entusiasmo de uma torcida cada vez mais presente e engajada.
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