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Juros de famílias sobem a 61,7% e inadimplência atinge 6% em agosto, revela BC.

Juros de famílias sobem a 61,7% e inadimplência atinge 6% em agosto, revela BC
© Marcello Casal JrAgência Brasil

As famílias brasileiras continuaram a sentir o peso de um cenário econômico desafiador em agosto, com o aumento das taxas de juros, do endividamento e da inadimplência. Os dados, divulgados nesta terça-feira (29) pelo Banco Central (BC) por meio das Estatísticas Monetárias e de Crédito, pintam um quadro de crescente pressão sobre o orçamento doméstico, impactando diretamente a capacidade de consumo e a saúde financeira de milhões de lares no país.

Este panorama, que se desenha em um momento em que o próprio Banco Central reduziu os juros básicos para 13,75% ao ano, revela uma complexidade nas dinâmicas de crédito, onde a queda da Selic nem sempre se traduz em alívio imediato para o consumidor final. A análise aprofundada dos números mostra que, enquanto alguns setores podem experimentar recuos nas taxas, as pessoas físicas, em particular, enfrentam um encarecimento persistente do crédito.

Juros para famílias: uma escalada preocupante

Em agosto, a taxa média de juros do crédito livre destinada a pessoas físicas alcançou a marca de 61,7% ao ano. Este patamar representa uma alta significativa de 1,4 ponto percentual (p.p.) em relação a julho e um aumento de 2,9 p.p. na comparação com agosto do ano passado. Essa elevação reflete uma maior dificuldade para as famílias acessarem crédito mais barato e manterem suas finanças em dia.

Entre as modalidades que mais contribuíram para essa pressão sobre o indicador, destacam-se o cartão de crédito rotativo e o cartão parcelado. Ambos são conhecidos por suas taxas elevadas, e o aumento em suas médias impacta diretamente o custo total do crédito para o consumidor, tornando o endividamento ainda mais oneroso e difícil de ser quitado.

Considerando o cenário mais amplo, que engloba tanto famílias quanto empresas, a taxa média de juros das operações com recursos livres atingiu 48,5% ao ano em agosto. Este valor representa um aumento de 0,8 p.p. no mês e de 2,3 p.p. em um período de 12 meses, sublinhando a tendência de encarecimento do crédito no sistema financeiro como um todo, embora com nuances entre os diferentes perfis de tomadores.

Crédito em crescimento, endividamento em alta

Apesar do cenário de juros mais elevados, o crédito concedido às famílias brasileiras continuou em expansão. O saldo das operações livres para pessoas físicas atingiu R$ 2,6 trilhões, registrando uma expansão de 0,8% no mês e um crescimento expressivo de 10,5% em 12 meses. Esse aumento no volume de crédito, mesmo com o custo mais alto, indica uma demanda persistente por recursos financeiros.

O resultado foi impulsionado principalmente pelo financiamento de veículos, pelo cartão de crédito rotativo e pelo crédito consignado para trabalhadores do setor privado. Este último, em particular, concentra as operações do chamado Crédito do Trabalhador, modalidade que oferece taxas geralmente mais baixas, mas que ainda assim contribui para o aumento do endividamento geral das famílias.

Os indicadores de crédito também mostram que o endividamento das famílias alcançou 49,9% em julho, com um aumento de 0,2 p.p. em relação ao mês anterior e de 1,1 p.p. em 12 meses. Paralelamente, o comprometimento da renda com o pagamento de dívidas permaneceu em 28,7%, estável na comparação mensal, mas 1,4 p.p. acima do registrado um ano antes. Esses números evidenciam que uma parcela crescente da renda familiar está sendo direcionada para o pagamento de dívidas, limitando o poder de compra e a capacidade de poupança.

Inadimplência atinge 6% para famílias e o contraste empresarial

A inadimplência, um dos termômetros da saúde financeira das famílias, também apresentou elevação. A taxa de inadimplência entre as famílias chegou a 6% em agosto, um avanço de 0,2 p.p. em relação a julho e de 1,1 p.p. na comparação anual. Esse percentual é um alerta sobre a dificuldade que muitos lares estão enfrentando para honrar seus compromissos financeiros, resultando em um aumento preocupante nos calotes.

No panorama geral do Sistema Financeiro Nacional (SFN), a inadimplência da carteira total de crédito alcançou 5% em agosto, com alta de 0,1 p.p. no mês e de 0,9 p.p. em 12 meses. É notável o contraste com o setor empresarial, onde o indicador de inadimplência permaneceu estável em 3,3%, sugerindo que as empresas, em média, estão conseguindo manter seus pagamentos em dia de forma mais consistente do que as famílias.

Para as empresas, a taxa média de juros do crédito livre registrou um recuo, ficando em 24,2% ao ano após uma queda de 1,0 p.p. em agosto. O saldo dessas operações somou R$ 1,6 trilhão, com uma leve queda de 0,6% no mês, mas uma alta de 0,5% em 12 meses. O Banco Central detalhou que “prevaleceu o efeito da variação das taxas (efeito taxa), com destaque para as reduções das taxas médias de cartão de crédito rotativo (-26,9 p.p.), de capital de giro com prazo inferior a 365 dias (-4,1 p.p.) e de capital de giro com prazo superior a 365 dias (-1,0 p.p.)”, indicando que, em algumas modalidades, houve alívio de custos para o setor produtivo.

Panorama geral do crédito e agregados monetários

O saldo total da carteira de crédito livre no país atingiu R$ 4,1 trilhões em agosto, crescendo 0,2% no mês e 6,5% em 12 meses. As operações de crédito do Sistema Financeiro Nacional como um todo somaram R$ 7,4 trilhões em agosto, representando uma expansão de 0,5% no mês. As operações com famílias cresceram 0,8%, chegando a R$ 4,7 trilhões, enquanto nas empresas houve uma redução de 0,1%, para R$ 2,7 trilhões.

Em uma perspectiva de 12 meses, o crédito total acumulou um crescimento de 9,2%, com um avanço mais robusto de 10,5% nas operações destinadas às pessoas físicas e de 7,1% naquelas voltadas às empresas. O crédito ampliado ao setor não financeiro, que inclui empréstimos bancários, títulos de dívida e financiamentos externos, totalizou R$ 22 trilhões em agosto, o equivalente a 164,9% do Produto Interno Bruto (PIB). Este saldo cresceu 0,6% no mês e 11,3% em 12 meses, com o crédito ampliado às empresas somando R$ 7,3 trilhões (54,6% do PIB), expandindo 1,1% em agosto e 8,7% na comparação anual.

No que tange aos agregados monetários, a base monetária encerrou agosto estável, em R$ 432,6 bilhões, mas com uma retração de 1,4% em relação a agosto de 2025. As reservas bancárias, por sua vez, cresceram 4,5% no mês, enquanto o volume de papel-moeda em circulação recuou 0,5%. Esses dados complementam o cenário, mostrando as movimentações na liquidez e na oferta de moeda na economia.

Acompanhar de perto esses indicadores é fundamental para entender a saúde financeira do país e as tendências que impactam diretamente o dia a dia dos brasileiros. Para se manter sempre informado sobre economia, finanças e os acontecimentos mais relevantes que moldam a nossa realidade, continue acessando o Rádio Cachoeiro FM. Nosso compromisso é trazer informação de qualidade, com análises aprofundadas e contextualizadas para você.

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