O consumo nos lares brasileiros registrou alta de 2,70% no acumulado de janeiro a setembro, conforme balanço divulgado pela Associação Brasileira de Supermercados (Abras). O patamar manteve-se praticamente estável em relação aos 2,71% acumulados até agosto, demonstrando resiliência nas compras cotidianas das famílias brasileiras ao longo dos primeiros três trimestres do ano.
Em setembro, o indicador apontou alta de 0,59% em comparação com o mesmo mês de 2025. Os dados foram deflacionados pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) calculado pelo IBGE e contemplam o desempenho de todos os formatos de supermercados, desde os estabelecimentos de bairro até as grandes redes de hipermercados espalhadas pelo país.
Trajetória do mercado e desempenho setorial
Segundo o vice-presidente da Abras, Marcio Milan, o consumo mantém trajetória positiva ao longo do ano, mesmo em um cenário em que as famílias precisam conciliar o abastecimento básico com outros compromissos do orçamento doméstico. O resultado acumulado reflete a continuidade desse movimento de estabilidade nas prateleiras dos supermercados.
O dirigente destacou que os indicadores do mercado de trabalho seguem favoráveis para impulsionar o setor. A taxa de desocupação ficou em 5,3% no trimestre encerrado em agosto, enquanto a população ocupada alcançou 103,5 milhões de pessoas, marcando o maior contingente da série histórica levantada pelos órgãos oficiais de estatística.
A massa de rendimento real habitual atingiu R$ 385,6 bilhões, registrando avanço de 4,8% na comparação anual, o equivalente a R$ 17,5 bilhões a mais em circulação. Além disso, o rendimento médio real habitual de todos os trabalhos chegou a R$ 3.777, com crescimento de 3,7% em relação ao mesmo período de 2025.
Impacto de programas sociais e transferências
Outros fatores de injeção de recursos na economia também influenciaram o comportamento do consumidor nos últimos meses. O programa Bolsa Família destinou R$ 13,04 bilhões a cerca de 19,3 milhões de famílias no mês de setembro.
Em paralelo, o Conselho da Justiça Federal liberou R$ 3,22 bilhões aos Tribunais Regionais Federais para o pagamento de Requisições de Pequeno Valor (RPVs). A medida contemplou mais de 278 mil beneficiários, somando-se ainda ao pagamento de 521,9 mil restituições do Imposto de Renda.
Perspectivas e preocupações do setor
O setor supermercadista avalia com cautela os desdobramentos econômicos e legislativos futuros. Milan apontou como um dos acertos recentes a isenção de impostos para itens essenciais da cesta básica, abrangendo um leque maior de produtos, inclusive proteínas como carne, frango e peixe.
Por outro lado, o executivo manifestou apreensão com eventuais novas taxações a serem anunciadas no início da nova gestão governamental. A preocupação central é evitar que novos tributos onerem o restante dos produtos de consumo e agravem o endividamento das famílias brasileiras.
O setor também monitora os reflexos de mudanças trabalhistas e regulatórias. Para continuar acompanhando as principais notícias sobre economia, mercado e análises detalhadas que impactam o seu dia a dia, siga navegando pelo portal do Rádio Cachoeiro FM, seu canal de informação confiável e atualizada.