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Alerta nacional: milhões de usuários de internet relatam tentativas de golpes digitais

Alerta nacional: milhões de usuários de internet relatam tentativas de golpes digitais
© Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

A segurança digital no Brasil enfrenta um cenário desafiador, com uma parcela significativa da população sendo alvo de criminosos virtuais. Dados recentes revelam que cerca de 45 milhões de usuários de internet com 16 anos ou mais no país, o que corresponde a 32% do total, já foram alvo de tentativas de golpes envolvendo o uso de seus dados pessoais. Mais alarmante ainda é o fato de que 20% desses indivíduos se tornaram vítimas efetivas, sofrendo prejuízos que vão além do financeiro.

Essa realidade preocupante foi detalhada na terceira edição da pesquisa Privacidade e proteção de dados pessoais: perspectivas de indivíduos, empresas e organizações públicas no Brasil. O estudo, apresentado em 31 de julho de 2026, durante o 17° Seminário de Proteção à Privacidade e aos Dados Pessoais, em São Paulo, oferece um panorama inédito sobre a vulnerabilidade dos brasileiros no ambiente digital e a crescente sofisticação das fraudes.

A escalada dos golpes em aplicativos de mensagem

A pesquisa, realizada pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), braço do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br), aponta que os criminosos exploram diversas vias de comunicação para enganar suas vítimas. A principal porta de entrada para as tentativas de golpes são os aplicativos de mensagem, respondendo por impressionantes 84% dos casos relatados. Essa preferência dos golpistas reflete a onipresença dessas plataformas na comunicação diária dos brasileiros.

Outros canais de ataque incluem ligações telefônicas (79%), sites ou aplicativos falsos (71%), mensagens SMS (71%), e-mail (69%) e redes sociais (67%). A diversidade de métodos demonstra a adaptabilidade dos fraudadores, que buscam explorar qualquer brecha na vigilância dos usuários. Winston Oyadomari, um dos coordenadores do estudo, ressalta que mesmo pessoas com menor familiaridade tecnológica estão expostas, pois seus dados podem ser usados em tentativas de fraude.

A análise do Cetic.br também identificou uma maior vulnerabilidade entre aqueles que utilizam apenas o celular para acessar a internet. Esses usuários reportam mais tentativas de golpes por meio de sites ou aplicativos falsos, sugerindo que a limitação do dispositivo pode dificultar a identificação de ameaças e a adoção de práticas de segurança mais robustas.

Impactos que vão além do prejuízo financeiro

As consequências de ser alvo de um golpe digital transcendem o mero prejuízo financeiro. A maioria dos usuários que relataram tentativas de fraude mencionou sentir estresse ou mal-estar, indicando um profundo impacto emocional para a pessoa e seus familiares. Essa dimensão psicológica dos ataques cibernéticos muitas vezes é subestimada, mas afeta diretamente a qualidade de vida das vítimas.

Além disso, os golpes podem resultar na perda de acesso a contas e serviços essenciais. Oyadomari alerta que criminosos podem assumir o controle de e-mails utilizados em plataformas como o Gov.br, impedindo o cidadão de acessar serviços públicos fundamentais, assistência social ou políticas públicas. A segurança dos dados, portanto, não é apenas uma questão de proteger o dinheiro, mas de garantir o acesso à cidadania.

Escolaridade e a necessidade de habilidades digitais

Um dos achados mais relevantes da pesquisa é a correlação entre o nível de escolaridade e a frequência e impacto das tentativas de golpes. Usuários com menor escolaridade reportaram vivenciar todas as situações de fraude com mais frequência e, quando vítimas, o “estrago é maior”. Isso sublinha uma desigualdade digital que expõe grupos mais vulneráveis a riscos significativos.

Diante desse cenário, o coordenador da pesquisa enfatiza a necessidade de uma abordagem conjunta que combine a promoção da cultura de proteção de dados com o desenvolvimento de capacidades e habilidades no uso da tecnologia. Não basta apenas informar sobre os riscos; é crucial capacitar os cidadãos para que naveguem no ambiente digital de forma segura e consciente, transformando a proteção de dados em um pilar da inclusão digital.

Inteligência artificial e a nova fronteira da privacidade

Pela primeira vez, o Cetic.br investigou a relação dos brasileiros com ferramentas de inteligência artificial (IA) generativa sob a ótica da privacidade. Embora o uso profissional ou acadêmico seja o mais comum (73%), a pesquisa revelou que essas plataformas são frequentemente utilizadas para fins mais íntimos, como aconselhamento, suporte emocional e companhia. Dados sobre sentimentos e emoções (54%), saúde (52%) e até fotos pessoais (50%) são compartilhados com essas IAs.

Apesar dos benefícios percebidos, a preocupação com o uso de dados pessoais por parte das empresas desenvolvedoras de IA generativa é alta: 66% dos usuários manifestam essa apreensão, percentual que sobe para 72% entre os mais escolarizados. Essa dualidade entre uso e preocupação é um reflexo da falta de transparência sobre como esses dados são coletados, armazenados e utilizados, especialmente quando se trata de informações sensíveis como dados de saúde, que tradicionalmente exigem protocolos rigorosos de proteção.

O papel das empresas na proteção de dados

O estudo também se debruçou sobre o comportamento das empresas brasileiras em relação à privacidade. Cerca de 69% das organizações que responderam à pesquisa afirmaram armazenar dados pessoais de clientes e/ou usuários. Entre os tipos de dados mais frequentemente guardados, a biometria se destaca (31%), seguida por dados de saúde (26%).

Um ponto de atenção é que 9% dessas empresas armazenam informações pessoais de menores de 18 anos, percentual que alcança 21% em grandes corporações e 19% no setor de alojamento e alimentação. A pesquisa indica uma estabilidade na implementação de estruturas formais de governança e adequação à Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD), com 40% das empresas reportando conformidade. No entanto, o cenário de golpes e a preocupação com a IA generativa reforçam a necessidade de vigilância constante e aprimoramento das políticas de segurança em todos os níveis.

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