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Miopia infantil: oftalmologistas alertam sobre telas e a importância do tempo ao ar livre

Miopia infantil: oftalmologistas alertam sobre telas e a importância do tempo ao ar livre
© COB/Divulgação

A saúde ocular de crianças e adolescentes tem sido pauta de crescente preocupação entre especialistas, especialmente diante do aumento alarmante dos casos de miopia. Em um esforço conjunto para combater essa tendência, a Sociedade Brasileira de Oftalmologia Pediátrica (SBOP) e o Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) lançaram, nesta sexta-feira (11), a cartilha “Mais Tempo ao Ar Livre, Mais Saúde para os Olhos”. O material, divulgado durante o 70º Congresso Brasileiro de Oftalmologia (CBO 2026), em Salvador, visa alertar famílias, profissionais de saúde e educadores sobre a relação direta entre o uso excessivo de telas digitais, a baixa exposição à luz natural e o avanço da miopia na população jovem.

A iniciativa surge em um momento crucial, onde o estilo de vida contemporâneo, marcado pela digitalização e pela urbanização, tem afastado as novas gerações de atividades ao ar livre. A cartilha busca oferecer um guia prático, com medidas simples e acessíveis, que podem ser facilmente incorporadas ao cotidiano de crianças e adolescentes, contribuindo significativamente para a prevenção e o controle da progressão da miopia.

A escalada da miopia entre os jovens brasileiros

A miopia, uma condição em que a pessoa enxerga objetos próximos com clareza, mas tem dificuldade para focar em objetos distantes, tem se tornado uma verdadeira epidemia global, com projeções indicando que metade da população mundial poderá ser míope até 2050. No Brasil, a situação não é diferente, e os consultórios oftalmológicos registram um número crescente de diagnósticos em idades cada vez mais precoces. Esse cenário acende um alerta para as consequências a longo prazo, que vão desde a necessidade de correção visual até riscos maiores de doenças oculares graves na vida adulta.

Os especialistas apontam que o problema é multifatorial, mas o comportamento moderno desempenha um papel preponderante. O tempo prolongado em ambientes fechados, focado em atividades de perto – como leitura, estudo e, principalmente, o uso de smartphones, tablets e computadores – sobrecarrega o sistema visual em desenvolvimento. A falta de estímulo à visão para longe e a ausência da luz natural, que possui um papel regulador no crescimento do olho, são fatores decisivos para o desenvolvimento e a progressão da miopia.

Luz natural como escudo protetor para a visão

Uma das principais recomendações da cartilha é a importância de passar mais tempo ao ar livre. O CBO defende que a exposição à luz natural funciona como um fator protetor contra a progressão da miopia. A sugestão é que crianças e adolescentes dediquem pelo menos duas horas por dia a atividades externas, que podem incluir desde brincadeiras espontâneas e caminhadas até a prática de esportes estruturados.

Essa exposição à luz solar não apenas estimula a visão para longe, mas também ajuda a liberar dopamina na retina, um neurotransmissor que se acredita inibir o alongamento excessivo do globo ocular, característico da miopia. Além disso, estar ao ar livre naturalmente reduz o tempo dedicado a atividades em ambientes fechados, onde os olhos permanecem fixos, a curta distância, em superfícies como as telas de dispositivos eletrônicos. A diversidade de focos e a amplitude visual proporcionadas pelo ambiente externo são cruciais para o desenvolvimento saudável da visão.

Limites e pausas: o uso consciente das telas digitais

Embora seja difícil eliminar completamente o uso de telas na era digital, a cartilha enfatiza a necessidade de estabelecer limites claros e promover o uso consciente. As orientações de tempo de tela são segmentadas por faixa etária, refletindo a vulnerabilidade do sistema visual em diferentes estágios de formação:

  • Menores de 2 anos: nenhum tempo de tela é recomendado.
  • Crianças entre 2 e 5 anos: até uma hora por dia.
  • Crianças entre 5 e 10 anos: até duas horas por dia.
  • Crianças e adolescentes de 10 a 18 anos: até três horas por dia.

Esses limites visam proteger os olhos em desenvolvimento e garantir que haja tempo suficiente para outras atividades essenciais. Além do controle do tempo, o CBO recomenda a adoção de pausas regulares durante as atividades de perto, a manutenção de uma distância adequada dos dispositivos e o uso de proteção solar, como óculos de sol, quando exposto diretamente ao sol, para proteger os olhos dos raios UV. Para mais detalhes, consulte a cartilha completa.

Iniciativas em campo: o Projeto Pequenos Olhares

O lançamento da cartilha ocorreu em um contexto de ação prática: a 5ª edição do Projeto Pequenos Olhares CBO. Realizado em paralelo ao congresso na capital baiana, o projeto atendeu cerca de mil crianças e adolescentes. Durante dois dias, médicos voluntários ofereceram consultas e exames de diagnóstico, além da distribuição gratuita de óculos para aqueles que necessitavam de correção visual. Essa iniciativa demonstra o compromisso dos oftalmologistas não apenas em educar, mas também em oferecer assistência direta à população.

A distribuição da cartilha para secretarias de Saúde e Educação em todo o país reforça a intenção de que as orientações cheguem a um público amplo, engajando não só as famílias, mas também as instituições que desempenham um papel fundamental na formação e no cuidado das crianças. A miopia é um desafio de saúde pública que exige uma abordagem multifacetada, combinando educação, prevenção e acesso a cuidados especializados.

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