Rádio Cachoeiro FM 96.3 Ao Vivo

PUBLICIDADE

PF indicia 16 pessoas, incluindo presidente da Voepass, pela tragédia aérea com 62 mortos em Vinhedo

PF indicia 16 pessoas, incluindo presidente da Voepass, pela tragédia aérea com 62 mortos em Vinhedo
© Secretária de Segurança de São Paulo/Divulgação

A conclusão das investigações sobre a queda do voo da Voepass em Vinhedo, no interior de São Paulo, marca um capítulo decisivo na busca por justiça para as 62 vítimas da tragédia ocorrida em agosto de 2024. A Polícia Federal (PF) anunciou nesta quinta-feira (6) o indiciamento de 16 pessoas ligadas à companhia aérea, incluindo o presidente da empresa, José Luiz Felício Filho. O inquérito aponta para uma série de negligências estruturais que culminaram no acidente com o turboélice ATR 72-500.

Falhas técnicas e cultura de omissão na companhia

Segundo a apuração da PF, a aeronave operava em condições técnicas precárias. Equipamentos fundamentais para a segurança em voos sob condições meteorológicas adversas, como o sistema de degelo e o limpador de para-brisas, estavam inoperantes no momento da decolagem. O delegado chefe da Polícia Federal em Campinas, André Ribeiro, destacou que a empresa mantinha uma cultura de omissão deliberada, priorizando a continuidade das operações em detrimento da segurança dos passageiros.

A investigação revelou que falhas recorrentes não eram registradas nos relatórios pós-voo. A orientação interna, segundo a polícia, era evitar o reporte de problemas técnicos para impedir que a aeronave fosse retirada de circulação para manutenção. Esse cenário de descumprimento de normas de segurança é o ponto central que sustenta o indiciamento dos gestores e técnicos da companhia.

O papel da tripulação e as evidências do inquérito

Durante o voo fatal, os sistemas de alerta da aeronave emitiram avisos graduais sobre a deterioração das condições operacionais. No entanto, a PF aponta que, mesmo diante dos sinais sonoros e luminosos de alerta, nenhuma medida corretiva foi adotada pelos pilotos. Além disso, um dos profissionais foi indiciado por falsidade ideológica, enquanto outros 15 respondem pelo crime de atentado contra a segurança do transporte aéreo.

As penas previstas para o crime de atentado contra a segurança do transporte aéreo variam de 4 a 12 anos de reclusão, podendo dobrar em razão do resultado morte, alcançando até 24 anos. A Justiça Federal impôs restrições de saída do país aos indiciados, enquanto o Ministério Público Federal (MPF) analisa o material para oferecer a denúncia formal à Justiça.

Desdobramentos e fiscalização da Anac

A Polícia Federal solicitou o compartilhamento integral dos dados da investigação com a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e com a Procuradoria da República no Distrito Federal. O objetivo é apurar se houve falhas ou omissões por parte de servidores da agência reguladora durante o processo de fiscalização da Voepass. A medida busca esclarecer se o ambiente de negligência identificado pela PF poderia ter sido detectado e interrompido pelas autoridades competentes antes da tragédia.

Para as famílias das vítimas, o indiciamento representa um passo fundamental. Representantes da Associação de Familiares das Vítimas classificaram o modo de operação da companhia como criminoso, destacando que os riscos eram conhecidos pela gestão. O grupo jurídico que assessora os familiares já articula uma ação coletiva por danos morais contra a empresa, buscando responsabilização civil pelos danos irreparáveis causados pelo acidente.

O Rádio Cachoeiro FM segue acompanhando o desenrolar deste caso e os próximos passos do Ministério Público Federal. Mantenha-se informado sobre os desdobramentos desta investigação e outros fatos relevantes que impactam o cenário nacional em nosso portal, onde prezamos pela transparência e pelo compromisso com a notícia apurada.

Para mais detalhes sobre o histórico do caso, consulte a reportagem original na Agência Brasil.

Leia mais

PUBLICIDADE