O estado do Rio de Janeiro se prepara para uma significativa ampliação de sua capacidade prisional, com a previsão de criação de 5.180 novas vagas no sistema penitenciário ao longo dos próximos três anos. A medida é resultado de um acordo estratégico entre as áreas de Justiça e segurança pública, visando combater a histórica superlotação que afeta as unidades prisionais fluminenses e suas consequências para a segurança pública e os direitos humanos.
Este pacto, que terá vigência de 11 anos, estabelece um plano estruturado para a execução da ampliação entre 2026 e 2028. A iniciativa busca não apenas aumentar o número de vagas, mas também promover uma gestão mais eficiente e humanizada do sistema carcerário, um desafio persistente no cenário nacional.
Acordo Estruturado para Ampliação da Capacidade Prisional
O plano detalha a criação das novas vagas em fases. Em 2026, serão adicionadas 2.180 vagas, principalmente por meio do acréscimo de módulos em unidades já existentes. Nos anos seguintes, 2027 e 2028, o sistema receberá mais 1.500 vagas em cada período, totalizando as mais de cinco mil novas posições.
A estratégia de expansão não se limita à construção imediata. O acordo prevê a elaboração de estudos aprofundados até dezembro de 2027 e a formulação de um plano de longo prazo que abrangerá o período de 2029 a 2036. Essa abordagem demonstra um compromisso com a sustentabilidade e a evolução contínua do sistema penitenciário, buscando soluções duradouras para um problema complexo.
Investimento e Transparência no Projeto
Para viabilizar a criação dessas vagas, um robusto investimento financeiro foi planejado, com a participação de diferentes esferas. O Fundo do Tribunal de Justiça contribuirá com R$ 33 milhões, enquanto o Fundo do Ministério da Justiça, por meio da Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen), aportará R$ 79 milhões. O estado do Rio de Janeiro também fará sua parte, com R$ 70 milhões no primeiro ano e R$ 260 milhões nos dois anos subsequentes, somando um investimento significativo para a infraestrutura prisional.
Além do financiamento, o documento que formaliza o acordo estabelece mecanismos rígidos de transparência e monitoramento. Essa cláusula é crucial para garantir que os recursos sejam aplicados de forma eficaz e que o plano de expansão seja executado conforme o cronograma, com prestação de contas à sociedade.
Desafios da Superlotação e a Visão das Autoridades
A superlotação é um dos maiores gargalos do sistema penitenciário brasileiro e, em particular, do Rio de Janeiro. Atualmente, o estado possui cerca de 46,3 mil pessoas presas em celas físicas, um número que pode variar com a inclusão de indivíduos em prisão domiciliar. Essa realidade gera um déficit histórico de vagas, comprometendo a segurança e a dignidade dos custodiados.
O promotor de Justiça Murilo Bustamante ressaltou a importância da iniciativa. “Não há como se discutir segurança pública sem tratar da funcionalidade do sistema penitenciário. A superlotação é causa da degradação do ambiente prisional, favorece atividades e facções criminosas, viola direitos fundamentais e compromete a segurança pública”, afirmou. Para ele, a eliminação do déficit de vagas é uma “providência essencial” para a adequada e efetiva promoção da responsabilidade penal.
O governador em exercício, Ricardo Couto, também enfatizou o dever constitucional de oferecer estabelecimentos prisionais adequados para o cumprimento da execução penal. “Todos os polos da sociedade, depois de um debate pleno, participaram para chegarmos a esse plano”, destacou, sublinhando o caráter colaborativo da construção do acordo. A expectativa é que a ampliação das vagas contribua para a melhoria das condições de encarceramento e para a redução da influência de organizações criminosas dentro das prisões, impactando positivamente a segurança em todo o estado.
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