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SUS reforça tratamento de infarto e AVC isquêmico com ampliação de trombolíticos

SUS reforça tratamento de infarto e AVC isquêmico com ampliação de trombolíticos
© Marcelo Camargo/Agência Brasil

O Sistema Único de Saúde (SUS) está implementando uma significativa expansão na oferta de medicamentos trombolíticos em sua rede de urgência e emergência. A medida, que abrange as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu 192), visa aprimorar o tratamento de condições médicas graves como o Infarto Agudo do Miocárdio (IAM) e o Acidente Vascular Cerebral (AVC) isquêmico. Formalizada pela sanção da Lei nº 5.972/2023, a iniciativa representa um avanço estratégico na capacidade do sistema público de saúde em oferecer intervenções rápidas e eficazes, que são determinantes para a recuperação dos pacientes.

A ampliação do acesso a esses tratamentos é uma resposta direta à alta incidência dessas doenças no Brasil e à necessidade de otimizar o tempo de resposta. A rapidez no diagnóstico e no início da terapia aumenta consideravelmente as chances de sobrevivência e reduz o risco de sequelas permanentes, um fator crucial para a qualidade de vida dos indivíduos afetados e para a sustentabilidade do sistema de saúde.

A Importância Vital dos Trombolíticos no Atendimento Urgente

Os trombolíticos são medicamentos essenciais no cenário de emergências cardiovasculares e cerebrovasculares. Sua função principal é dissolver os coágulos sanguíneos que bloqueiam os vasos do coração ou do cérebro, restaurando o fluxo sanguíneo e a oxigenação dos tecidos. Em casos de Infarto Agudo do Miocárdio e AVC isquêmico, a formação desses coágulos é a causa primária dos danos celulares e teciduais.

A administração precoce desses fármacos pode limitar a extensão do dano, melhorando significativamente o prognóstico do paciente. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, ressaltou a urgência dessas intervenções: “Em caso de infarto, acidente vascular cerebral, tempo é vida! É o que pode reduzir o risco de óbito ou de impactos maiores físicos para aquela pessoa”, afirmou em suas redes sociais. Em situações onde procedimentos de maior complexidade, como a angioplastia, não estão imediatamente disponíveis, os trombolíticos servem como uma intervenção de primeira linha, estabilizando o paciente enquanto a continuidade do atendimento especializado é providenciada.

Fortalecimento da Rede de Urgência e Emergência do SUS

A Lei nº 5.972/2023, sancionada na manhã desta quarta-feira (2) pelo presidente da República, fornece o arcabouço legal para esta expansão. Embora o SUS já possua protocolos para diagnóstico e tratamento de IAM e AVC que preveem o uso de trombolíticos, a aquisição desses medicamentos era, até então, responsabilidade dos gestores de saúde locais. Essa dinâmica podia gerar disparidades regionais no acesso aos tratamentos.

Para padronizar e aprimorar a oferta em todo o território nacional, o Ministério da Saúde instituiu o Comitê de Acompanhamento da Implementação das Linhas de Cuidado dos Agravos Cerebrovasculares e Cardiovasculares Tempo-Dependentes. Este grupo de trabalho será responsável por analisar o cenário atual, propor ações concretas para tornar os medicamentos mais acessíveis e qualificar a assistência aos pacientes. “O Ministério da Saúde cria hoje um grupo de trabalho, junto com as sociedades de especialidades, para regulamentar, estabelecer diretrizes, implementar e acompanhar a execução em todo o Brasil. Isso é fundamental para mudar a história natural do infarto no nosso país”, explicou o ministro Alexandre Padilha.

O Papel Crucial das UPAs e do Samu 192 na Nova Estratégia

As Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) estão posicionadas como pontos-chave para o diagnóstico inicial e o início do tratamento. As equipes dessas unidades são capacitadas para fazer o diagnóstico, avaliar a indicação clínica e, quando necessário, iniciar a terapia com trombolíticos para dissolução dos trombos, tanto em casos de IAM quanto de AVC isquêmico.

O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu 192) também desempenhará um papel fundamental. Após avaliação da equipe de saúde, o medicamento pode ser administrado nas unidades de Suporte Avançado de Vida habilitadas, muitas vezes ainda no local do atendimento ou durante o transporte, minimizando o tempo crítico até a intervenção. Atualmente, 102 unidades do Samu 192 estão habilitadas para prestar esse tipo de assistência, com concentrações notáveis em estados como Ceará (28 unidades), Minas Gerais (22), Sergipe (16), Rio Grande do Norte (13), Bahia (12), São Paulo (9) e Paraíba (2). Em 2025, foram registradas 861 aplicações de trombolíticos pelo Samu 192 em todo o país, demonstrando a capacidade existente e a necessidade de expansão.

Impacto Esperado e Desafios Futuros na Saúde Pública

A dimensão do problema de saúde pública que esta medida visa combater é expressiva. O Brasil registra anualmente entre 300 mil e 400 mil casos de infarto. Em 2025, o SUS contabilizou 292 mil atendimentos por AVC, dos quais 218 mil foram decorrentes de AVC isquêmico, onde um coágulo obstrui uma artéria cerebral, interrompendo o fluxo sanguíneo e a oxigenação.

O potencial impacto dessa ampliação é imenso. O ministro Alexandre Padilha mencionou que diversas experiências com o uso de trombolíticos, realizadas em parceria com estados e municípios, indicam a possibilidade de reduzir em até 50% os óbitos por infarto. Esta iniciativa não se resume apenas à disponibilidade de medicamentos, mas também ao fortalecimento de toda a cadeia de resposta a emergências, desde o reconhecimento precoce dos sintomas até o transporte rápido e o tratamento adequado. O comitê recém-criado será crucial para superar desafios logísticos, garantir o treinamento necessário e assegurar a distribuição equitativa e o acesso em todas as regiões, especialmente naquelas com infraestrutura de emergência menos desenvolvida. O objetivo final é transformar a história natural dessas condições no Brasil, salvando vidas e minimizando as incapacidades a longo prazo.

A expansão da oferta de trombolíticos pelo SUS marca um passo significativo na saúde pública brasileira, prometendo maior equidade e eficácia no combate a doenças cardiovasculares e cerebrovasculares. Para continuar acompanhando os desdobramentos desta e de outras notícias relevantes que impactam a vida dos brasileiros, acesse o Rádio Cachoeiro FM. Nosso portal oferece informação de qualidade, análises aprofundadas e a cobertura completa dos fatos que moldam o cenário nacional e regional. Mantenha-se informado com quem tem compromisso com a verdade e a relevância.

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