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Eleitores mirins e universitários sofrem agressões ligadas à disputa presidencial em cidades brasileiras

Eleitores mirins e universitários sofrem agressões ligadas à disputa presidencial em cidades brasileiras
© Valter Campanato/Agência Brasil

O acirramento da disputa política no país tem transbordado para o cotidiano de escolas e espaços públicos, refletindo-se em episódios de hostilidade e intolerância. Relatos de agressões físicas, verbais e perseguições envolvendo estudantes e menores de idade ganharam ampla repercussão nas redes sociais nas últimas semanas, evidenciando um cenário preocupante de tensão social.

As ocorrências mapeadas em diferentes regiões revelam que o ambiente educacional e as ruas têm sido palcos de manifestações extremas motivadas por divergências partidárias. Dados e relatos reunidos por veículos de comunicação demonstram que a polarização afeta diretamente a convivência entre jovens e crianças, gerando alertas sobre a necessidade de conter a escalada da hostilidade no país.

Agressões em ambiente escolar e repercussão em Santa Catarina

Um vídeo publicado em redes sociais mostra dois estudantes usando a bandeira do Brasil como uma espécie de capa, agredindo colegas que estavam de roupa vermelha dentro de uma escola na cidade de Itajaí, em Santa Catarina.

No relato, a autora do vídeo diz que os dois meninos, que teriam 15 anos, também proferiram agressões verbais contra os outros alunos e citaram o programa Bolsa Família de forma negativa. A situação ilustra como o clima de disputa eleitoral tem penetrado nas salas de aula e nos pátios de instituições de ensino.

Perseguição e tensão em instituições de ensino pelo país

No Distrito Federal, um estudante de 16 anos também disse que passou a ser perseguido na escola depois de declarar que votaria em Flávio Bolsonaro. Ele chegou a trocar de escola após o aumento das pressões e do clima de hostilidade.

Os casos de Itajaí e do Distrito Federal estão entre os inúmeros relatos de violência no ambiente escolar que surgiram nas últimas semanas nas redes sociais relacionados às eleições. A situação parece ter piorado ainda mais após o resultado da votação.

Em Araguari, estudantes de medicina do Instituto Master de Ensino Presidente Antônio Carlos proferiram ofensas contra colegas bolsistas que votaram em Luiz Inácio Lula da Silva. Eles também xingaram colegas que vendem trufas ou outros produtos para ajudar nas despesas.

A instituição divulgou uma nota em que afirma repudiar qualquer manifestação de intolerância ou discriminação, seja por convicções políticas ou por condição socioeconômica.

Humilhação e solidariedade em Fortaleza

Fora das escolas, a disputa política também segue atingindo crianças que sequer votam. Em Fortaleza, um vídeo da influenciadora Valéria Diniz ganhou enorme repercussão. Ela estava em um bar com amigas quando foi abordada por Matheus, um menino de 9 anos, autista, que vendia balas para ajudar a avó nas despesas.

A mulher, filmando, pergunta ao garoto em quem a família dele votou, e ele responde que votou em Lula. Em seguida, ela pede que ele faça o sinal associado ao candidato, o que o menino atende, momento em que o grupo começa a rir e se recusa a comprar os produtos.

Matheus é criado pela avó desde que a mãe morreu e eles moram na periferia de Fortaleza. Após a repercussão do caso, um grupo de motociclistas e muitos usuários de redes sociais se uniram para prestar solidariedade e ajudar a família do menino.

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